Rara neve no Atacama interrompe um dos maiores conjuntos de telescópios do mundo
Por Nathan Vieira |

Na última quinta-feira (26), uma nevasca incomum cobriu parte do Deserto do Atacama, no Chile, e forçou a suspensão das operações do ALMA, o radiotelescópio mais poderoso do mundo. Por se tratar de uma das regiões mais secas do planeta, o fenômeno climático surpreendeu especialistas e reacendeu o debate sobre os impactos das mudanças climáticas.
- DNA estranho e desconhecido é encontrado no Deserto do Atacama, no Chile
- Como o Deserto do Atacama pode ajudar na busca por vida em Marte
O Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) é um conjunto de 66 antenas de alta precisão instalado no Planalto de Chajnantor, a mais de 5.000 metros de altitude. A base de apoio, situada a 2.900 metros, foi diretamente afetada pela tempestade de neve, evento que não era registrado há mais de 10 anos nessa altitude. No ano passado, o deserto mais seco do mundo já tinha sido tomado por flores.
Interrupção no radiotelescópio
As operações científicas foram interrompidas após a ativação do protocolo de segurança em "modo de sobrevivência". As temperaturas chegaram a -12 °C, com sensação térmica de -28 °C, e ventos de até 100 km/h. Para proteger os equipamentos, as antenas foram reorientadas a favor do vento, minimizando o risco de danos por acúmulo de neve ou rajadas fortes.
A causa do evento foi a passagem de um "núcleo frio" pela região norte do Chile, gerando instabilidade atmosférica incomum. Além de paralisar o observatório, o fenômeno causou transtornos em áreas urbanas mais ao norte, como alagamentos, deslizamentos de terra, interrupções no fornecimento de energia e fechamento de escolas. Não houve registro de vítimas.
Embora ainda não haja comprovação direta de que a nevasca esteja ligada às mudanças climáticas, modelos climáticos indicam a possibilidade de aumento na precipitação, mesmo em regiões hiperáridas como o Atacama. Isso pode significar desafios operacionais futuros para instalações científicas localizadas em ambientes extremos.
Leia também:
- Cientistas descobrem microrganismos vivendo no inóspito deserto do Atacama
- Ecossistema oculto de micróbios resiste a 4 m de profundidade no Atacama
VÍDEO | COMO ESTARÁ SUA CIDADE DAQUI A 60 ANOS?
Fonte: Latercera