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Por que o frio extremo na Europa não contraria o aquecimento global?

Por| Editado por Luciana Zaramela | 08 de Janeiro de 2024 às 13h13

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 Alessio Soggetti/Unsplash
Alessio Soggetti/Unsplash

Nos últimos dias, algumas regiões na Europa têm enfrentado um frio extremo, especialmente entre os países Nórdicos — como Suécia, Finlândia, Noruega e Escandinava. Erroneamente, as nevascas e as temperaturas negativas podem ser confundidas como uma prova de que o aquecimento global não existe.

Para dimensionar a situação enfrentada por estes países europeus, a onda polar vinda do Ártico fez a Suécia registrar a temperatura mais baixa para o mês de janeiro nos últimos 25 anos. Por lá, os termômetros marcaram congelantes -43,6 ºC. Na Finlândia, há registro de -44,3 ºC.

Diferença entre clima e tempo

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Apesar do frio inquestionável observado nos países nórdicos, o episódio isolado não vale como argumento contrário ao aquecimento global, fenômeno associado com as emissões de gases do efeito estufa. Para entender a questão, é preciso pensar em dois conceitos centrais da meteorologia, o clima e o tempo.

O Canaltech já explicou a diferença entre clima e tempo, mas vamos retomar a questão brevemente. De forma simples, o tempo remete às condições climáticas de um breve período, como chuva, frio ou mesmo calor intenso. Agora, o clima está relacionado com o estado atmosférico em um período mais longo, ou seja, a média do tempo.

“Valer-se de um episódio de frio extremo para negar uma tendência de aquecimento do planeta seria o equivalente a dizer que uma semana de muita chuva no sertão nordestino seria uma prova que a região não é semi-árida e frequentemente seca”, afirma Estael Sias, meteorologista da empresa MetSul, em nota.

O aquecimento global é uma realidade

Nesse contexto, o frio extremo que afeta a Europa e deve chegar, nos próximos dias, até os Estados Unidos está dentro do que é considerado como tempo — sendo mais preciso, é uma tendência de poucos dias. Em contrapartida, o aumento da temperatura provocada pelo aquecimento global afeta o que é chamado de clima, já que o planeta está ficando consistentemente mais quente. Vale mencionar que 2023 foi o ano mais quente da história recente.

Segundo a agência norte-americana Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), o dezembro passado foi o 538° mês seguido em que a temperatura média do planeta ficou acima da média do século XX. Isso é uma prova, bastante embasada, de que as temperaturas médias estão subindo, apesar de ondas pontuais de frio.

Inclusive, se olharmos para as temperaturas médias de temperatura nas cidades de  Oslo (Noruega) e Estocolmo (Suécia) também é possível observar o mesmo cenário global. Apesar do frio atual, as temperaturas médias estão cada vez mais elevadas ao longo dos últimos anos nestas capitais. 

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O que explica o frio extremo?

Se o planeta está aquecendo, como as temperaturas baixaram tanto nestes países da Europa? Segundo especialistas em meteorologia, a explicação está no “colapso” de um fenômeno conhecido como vórtice polar.

O vórtice polar é uma área de ar frio, de baixa pressão, identificado nos dois polos do planeta, no Ártico e na Antártida. Neste caso específico da Europa, a questão se desenvolve a partir do vórtice polar do Ártico. 

Por causa do aquecimento estratosférico atípico, essa “estrutura” foi temporariamente rompida, fazendo que o ar gelado demais vaze para as regiões mais próximas do polo Norte. Em consequência, as temperaturas despencam e nevascas podem ocorrer.  

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O problema é que, como consequência do aquecimento global, o Ártico é uma das regiões do planeta que mais está aquecendo no globo. Com isso, alguns especialistas sugerem que os eventos de frio extremo, observados, nos últimos anos, na Europa, na América do Norte e na Ásia, podem se tornar mais comuns. Dessa forma, as ondas de calor deixam de ser o “único” problema das mudanças climáticas.

Fonte: Com informações: MetSul