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Aquecimento do Ártico é o responsável por ondas de frio extremo no norte dos EUA

Por| Editado por Patricia Gnipper | 03 de Setembro de 2021 às 12h50

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Unplash/Tom Wheatley
Unplash/Tom Wheatley

A crise climática em curso tem provocado não apenas desastres associados às ondas de calor — como furacões destrutivos —, mas também tem criado eventos climáticos de inverno mais extremos. O novo relatório da Associação Americana para o Avanço da Ciência, publicado nesta sexta (3) na revista Science, associa estes eventos ao aquecimento acelerado do Ártico.

Não é de hoje que as mudanças climáticas têm mostrado seus efeitos cada vez mais frequentes e intensos, como o recente furacão Ida que atingiu a costa do Golfo no último fim de semana, provocando inundações, falta de energia a mais de 1 milhão de pessoas e várias vítimas fatais — ou ainda as ondas de calor mortais que assolaram o noroeste do pacífico no início do verão no hemisfério Norte.

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Há muito tempo cientistas tentam encontrar a relação do aquecimento do Ártico com os eventos de inverno mais severos. Em seu novo relatório, a Associação Americana apresenta resultados dessa conexão. Segundo os autores, esse tipo de mudança no Ártico, na verdade, aumentou as chances de o vórtice polar estratosférico acima do Polo Norte se esticar, provocando o frio extremo no EUA e outras regiões próximas.

Judah Cohen, principal autor do artigo, diz saber a aparente contradição dessa relação de aquecimento com ondas de frio, algo que muitas pessoas resistem em entender. “Por que o aquecimento da Terra poderia levar a um frio mais extremo? Mas é isso que estamos discutindo”, acrescenta Cohen. Segundo ele, o trabalho foi motivado pela tempestade de neve extrema que assolou o Texas em fevereiro deste ano — temperaturas a baixo de zero provocaram dezenas de mortes e mais de 4 milhões de casa ficaram sem energia.

Este é o primeiro estudo a apontar a relação direta entre as mudanças do Ártico e os eventos climáticos extremos, ao apresentar o mecanismo físico que tem provocado tais eventos — no caso, o vórtice polar estratosférico esticado. Cohen ressalta que, quando o vórtice polar é agradável e circular, isto significa que todo o ar frio está se acumulando sobre o Ártico; no entanto, quando ele se entende, lançando uma parte sobre a Ásia e outra sobre a América do Norte, surge uma onda de frio como a que aconteceu no Texas.

Para o relatório, os pesquisadores desenvolveram análises observacionais do vórtice polar estratosférico das últimas quatro décadas. Além disso, realizaram modelagem numérica, onde usaram os mesmos modelos utilizados por especialistas em previsões climáticas — como o furacão Ida. “A identificação do padrão precursor para eventos de alongamento pode potencialmente estender o tempo de aviso de frios extremos na Ásia, Canadá e Estados Unidos”, aponta o relatório.

O relatório não apenas revela a causa dos eventos extremos de frio, como também pode auxiliar os formuladores de políticas a agirem desde já com medidas que evitem mortes em uma futura grande tempestade. O relatório pode ser integralmente acessado na revista Science.

Fonte: The Guardian