Pesquisa sobre lesmas leva à criação do menor computador do mundo

Pesquisa sobre lesmas leva à criação do menor computador do mundo

Por Felipe Demartini | Editado por Jones Oliveira | 18 de Junho de 2021 às 17h10
Divulgação/Universidade de Michigan

Uma pesquisa com lesmas realizada no Arquipélago da Sociedade, parte da Polinésia Francesa no Pacífico Sul, também levou à criação do menor computador do mundo. O Michigan Micro Mote, ou M3, é do tamanho de uma borracha de lápis e foi usado para rastrear os movimentos e a exposição à luz de uma espécie nativa do animal, uma das poucas a sobreviver depois que um predador foi inserido artificialmente no habitat, em 1974, por autoridades francesas.

O desenvolvimento do dispositivo surgiu, justamente, da necessidade levantada pela pesquisa, que visava confirmar uma hipótese existente desde 2015 sobre a manutenção da espécie P. hyalina, uma das cinco classes de lesmas que sobreviveram à proliferação das Euglandina rosea. Elas foram inseridas no Arquipélago da Sociedade como forma de equilibrar o ambiente após a colocação de outra espécie estrangeira, o caramujo-gigante-africano, que era consumido como alimento pela população local, mas, ainda assim, se proliferava sem controle pelo lugar.

As Euglandina rosea foram capazes de cumprir o que era pedido, mas também acabaram com mais de 50 espécies nativas de lesmas, com apenas cinco, normalmente habitantes das árvores do arquipélago, restando. Há seis anos, surgiu a teoria de que a sobrevivência, especificamente, das P. hyalinas estavam relacionadas à forma como elas absorviam a luz, uma característica, agora, comprovada pelo estudo que foi possibilitado pelo M3.

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Para realizar a pesquisa, cientistas acoplaram o minicomputador às folhas de árvores onde as lesmas permaneciam, já que isso não seria possível nas próprias devido à sua categoria protegida, bem como à carapaça das predadoras. Assim, os pesquisadores foram capazes de medir os níveis de radiação solar recebidos, confirmando a hipótese de que a presença de conchas de tonalidade mais clara, que refletem a luz sem a absorver completamente, permitiram que as lesmas permanecessem em descampados e nos arredores da floresta, à salvo dos predadores.

O estudo, conduzido pela Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, contou com a participação de sociedades de preservação locais, enquanto a tarefa de construir o minicomputador ficou com os departamentos de engenharia e computação da própria instituição. O M3 tem microssensores capazes de detectar luz, movimento e localização, enquanto células solares eram capazes de recarregar a bateria e garantir o funcionamento constante.

Foi justamente a velocidade de carregamento, inclusive, que ajudou na medição dos níveis de radiação solar, com os cientistas avaliando a quantidade de luz recebida de acordo com a velocidade de conversão das células. Segundo os cientistas, os achados devem ajudar no controle da população de Euglandina rosea, além de auxiliar na preservação das espécies que restaram no local.

Enquanto isso, o M3 deve seguir sendo usado em pesquisas biológicas. Com a conclusão do estudo no Arquipélago da Sociedade, a Universidade de Michigan foca agora em um novo projeto, que vai rastrear os padrões de migração das borboletas monarcas.

Fonte: Nature, CNET  

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