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Nova "piranha vegetariana" da Amazônia recebe nome de Sauron

Por| Editado por Luciana Zaramela | 11 de Junho de 2024 às 14h11

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Machado et al., 2024/Neotropical Ichthyology
Machado et al., 2024/Neotropical Ichthyology

Nos rios da Amazônia brasileira, uma equipe internacional de pesquisadores descobriu uma nova espécie de peixe, apelidada informalmente como “piranha vegetariana”. Sem ligação com os hábitos alimentares, a espécie Myloplus sauron recebeu esse nome em homenagem ao vilão da trilogia Senhor dos Anéis, escrita por J.R.R. Tolkien, por causa de algumas semelhanças físicas.

Descrita na revista Neotropical Ichthyology, a nova espécie de peixe de água doce é uma das mais de 100 espécies da família Serrasalmidae, que engloba tanto as piranhas quanto os pacus. O interessante é que, diferente do imaginário popular, o peixe se alimenta majoritariamente de plantas encontradas na bacia do Rio Xingu.

A descoberta de outras duas espécies, com características semelhantes, também foram anunciadas, após a análise da expedição que buscou compreender melhor a biodiversidade dos peixes nos rios da região, como o Rios Amazonass

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A força-tarefa que rastreou a diversidade da fauna brasileira contou com a participação de pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), da Universidade Estadual Paulista (Unesp), do Museu de História Natural de Londres e de outras instituições.

"Piranha vegetariana" da Amazônia

Os biólogos têm usado novas ferramentas para estudar as espécies, como análises de DNA e dados genômicos, o que cria uma “multiplicação” de espécies. Se antes se pensava ser uma única espécie, as novas tecnologias, às vezes, mostram que são várias.

Essa nova catalogação já aconteceu com as sucuris da Amazônia e, agora, ocorre com esses peixes do gênero Myloplus. Eles foram descritos pela primeira vez em 1841, como uma única espécie e receberam o nome de Myloplus schomburgkii.

Na nova análise recém-divulgada, percebeu-se que são realmente três espécies diferentes:

  • Myloplus sauron;
  • Myloplus aylan;
  • Myloplus schomburgkii

Sem os exames de DNA, os pesquisadores já tinham identificado sutis diferenças entre os peixes da “mesma espécie”, como pequenas alterações na coloração, proporções corporais diferentes, número de escamas e algumas manchas. 

Outro fator de distinção é a localização geográfica em que são encontradas. No entanto, acreditava-se que eram variações previstas dentro do que se considerava um Myloplus schomburgkii “perfeito”. 

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A seguir, veja onde cada uma das espécies é mais comum, sendo que a espécie M. schomburgkii é representada por círculos azuis. Já os quadros rosas indicam a M. sauron, enquanto os triângulos roxos fazem referência à M. aylan:

É curioso notar que, segundo Rupert Collins, curador do Museu de História Natural e um dos autores do estudo, ainda não se sabe “se as três espécies descendem todas de um ancestral comum ou se evoluíram de forma convergente”.

De forma provisória, as três novas da Amazônia foram alocadas no guarda-chuva do gênero Myloplus, mas “elas podem ser renomeadas no futuro”, destaca Collins.

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Ligação com Sauron e Senhor dos Anéis

Diferente do que se poderia imaginar, a nomeação das novas espécies não valoriza a cultura local da Amazônia e nem envolve nomes usados pelos locais para a descrição científica. A homenagem da vez é em referência a uma figura do universo pop e da cultura britânica, que pertence a Senhor dos Anéis.

Essa licença poética se deve a uma característica bastante marcante da espécie Myloplus sauron, que é sua grande faixa preta na lateral, como uma fenda. Essa característica fez com que os biólogos a associassem imediatamente com o Olho de Sauron, ou seja, o olho que tudo vê. 

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“O padrão [da mancha lateral] se parece muito com o Olho de Sauron, especialmente com as manchas laranja em seu corpo”, reforça Collins sobre o porquê da escolha do nome improvável. 

Para quem não se lembra do que estamos falando, esse olho é o símbolo de Sauron, também chamado de Dark Lord de Mordor, e é conhecido por observar os passos daqueles que colocam em risco os planos de seu criador. Tanto é que ele persegue o Frodo Bolseiro, enquanto carrega o anel.

Fonte: Neotropical Ichthyology e Museu de HIstória Natural de Londres