"Mapa da Vida" indica áreas do planeta que podem abrigar espécies desconhecidas

Por Wyllian Torres | 23 de Março de 2021 às 17h40
Reprodução/Map of Life

Estima- se que hoje existam cerca de 1,5 milhão de espécies conhecidas em todo o planeta, mas esse número não chega a 20% do total de formas de vida que podem habitar a Terra. Em recente estudo publicado no periódico científico Nature Ecology & Evolution, cientistas propõem um mapa que aponta os lugares com maior potencial de abrigar espécies desconhecidas de vertebrados terrestres — como mamíferos, pássaros, répteis e anfíbios.

O modelo, elaborado por ecologistas, é uma estimativa baseada em dados como fatores biológicos, ambientais e sociológicos relacionados aos mais de 32 mil vertebrados conhecidos. O estudo prevê que cerca de 60% das espécies que serão descobertas tem grandes chances de ocorrerem em florestas tropicais como a Amazônia e Mata Atlântica. A importância de um mapa como este é inquestionável, sobretudo quando o número de espécies ameaçadas de extinção não para de crescer — é uma tentativa de documentar, classificar e, quem sabe, salvar essas vidas antes que sejam extintas.

Na tentativa de entender a deficiência de biodiversidade, os ecologistas Mario Moura e Walter Jetz, da Universidade de Yale, nos EUA, criaram um mapa interativo que demonstra os números da ocorrência de novas espécies ao longo das últimas décadas e traça uma estimativa do que se espera para o futuro. Moura, que é coautor do artigo e professor da Universidade Federal da Paraíba, explica que estimativas conservadoras indicam que apenas cerca de 13% a 18% de todas as espécies vivas podem ser conhecidas no momento; em algumas análises, um número menor do que 1,5%. "Sem inclusão na tomada de decisões de conservação e compromissos internacionais, essas espécies [não descobertas] e suas funções podem ficar para sempre perdidas na ignorância", acrescenta o ecologista.

O mapa aponta as florestas tropicais como os lucais com maior potencial de abrigar espécies desconhecidas (Imagem: Reprodução/Map of Life/Mario Moura/Walter Jetz)

Em contrapartida, as chances de descobertas de novas espécies não são iguais. Animais de grandes tamanhos e ampla circulação não teriam muitos parentes que ainda não conhecemos, porque é mais “fácil” de descobri-los. Já os animais pequenos que habitam os lugares mais improváveis como pequenas fendas ou terrenos inalcançáveis para nós — de acordo com o modelo, anfíbios e répteis são os animais com o maior número de espécies desconhecidas. “Temos a tendência de descobrir primeiro o 'óbvio' e depois o 'obscuro'”, explica o professor.

O Mapa da Vida apresenta alguns parâmetros da biodiversidade, como a riqueza e raridade de espécies, facetas da biodiversidade e potencial de descoberta. Estima-se que Brasil, Indonésia, Madagascar e Colômbia sejam os países com o maior número de vertebrados desconhecidos — representando cerca de um quarto de todos os animais previstos no mapa.

Estima-se que mais de 1,8 milhões de espécies foram descobertas desde 1758 (Imagem: Reprodução/Map of Life/Mario Moura)

Hoje, a Terra passa por um período chamado antropoceno, o qual é marcado pelo forte impacto da ação humana no clima da Terra e no funcionamento dos seus ecossistemas — inclusive o que muitos pesquisadores já apontam com a 6ª extinção em massa. Muitas espécies correm o risco de jamais serem descobertas por serem extintas antes de qualquer chance. Os pesquisadores pretendem analisar essas estimativas sobre espécies vegetais, marinhas e invertebrados.

Nosso planeta apresenta uma biodiversidade gigante e para preservá-la precisamos, antes, conhecê-la. Estudos voltados para o mapeamento de tantos animais fora do catálogo da ciência precisam acelerar seus passos antes que seja tarde demais. “Após séculos de esforços por exploradores da biodiversidade e taxonomistas, o catálogo da vida ainda tem muitas páginas em branco”, apontam os autores do artigo.

Para conferir o mapa interativo basta acessar a página do Map of Life (MOL).  O artigo com maiores detalhes da pesquisa está disponível na Nature Ecology & Evolution.

Fonte: ScienceAlert!

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