Iceberg gigante da Antártida já liberou 152 bilhões de toneladas de água doce

Iceberg gigante da Antártida já liberou 152 bilhões de toneladas de água doce

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 20 de Janeiro de 2022 às 11h40
British Antarctic Survey/ESA

O enorme iceberg A-68A se desprendeu da plataforma de gelo Larsen-C, na Antártida, em 2017 e, desde então, viajou em direção a águas cada vez mais quentes. Agora, um estudo baseado em dados de satélites estimou que o bloco de gelo liberou 152 bilhões de toneladas de água doce no mar local — e isso pode oferecer profundas consequências para a vida marinha.

Quando o A-68A se soltou da plataforma de gelo, sua área de superfície era duas vezes o tamanho de Luxemburgo — o sexto maior bloco de gelo já registrado. Mas, ao avançar em direção às águas mais quentes, ele se partiu em outros pedaços.

Trajetória do iceberg A-68A desde sua liberação em 2017 até sua atual localização, na Geórgia do Sul (Imagem: Reprodução/ESA)

Em seus primeiros dois anos, o A-68A quase não derreteu, pois permaneceu nas águas frias do Mar de Weddell, próximo à Antártida. No entanto, empurrado pelas correntes oceânicas e ventos, o iceberg começou a se deslocar para o norte, atravessando a Passagem de Drake, onde as águas são ainda mais quentes.

O novo estudo, conduzido pelo Centro de Observação e Modelagem Polar do Reino Unido e do British Antarctic Survey, combinou os dados de observação terrestre de cinco satélites diferentes. Assim, os pesquisadores mapearam a mudança na área total e na espessura do iceberg.

Medindo o iceberg com satélites

As imagens do satélite Sentinel-3, da missão europeia Copernicus, e do instrumento MODIS, da NASA, forneceram os dados sobre a área do iceberg. Para refinar a análise, a equipe utilizou as imagens de radar do Sentinel-1 devido à sua maior resolução.

Posição do iceberg em 17 de dezembro de 2020 (Imagem: Reprodução/British Antarctic Survey/ESA)

Para calcular a espessura, foram usados dados da missão CryoSat, da Agência Espacial Europeia (ESA) e da missão ICESat-2, da NASA. Todas essas informações combinadas forneceram o volume total de água liberada pelo iceberg durante os três anos desde sua liberação.

De acordo com a análise, assim que o iceberg chegou às águas rasas da Geórgia do Sul, sua espessura inicial de 235 metros havia reduzido para 141 metros, o suficiente para que o bloco de gelo não encalhasse no fundo do mar local, o qual tem uma profundidade de apenas 150 metros.

O cubo, que representa a quantidade de água doce liberada pelo iceberg, tem dimensões de 5,3 km por 5,3 km, posicionado ao lado de Manhattan (Imagem: Reprodução/CPOM/ESA)

O maior efeito colateral é a enorme quantidade de água doce liberada, estimada em 152 bilhões de toneladas. O processo pode impactar profundamente a vida marinha local, pois, além de lançar mais água fria, o derretimento libera nutrientes que podem aumentar a produção biológica ao redor do iceberg.

Ao estudar o comportamento do iceberg e seu desenvolvimento em mar livre, a equipe espera aprender sobre os efeitos positivos e negativos ao ecossistema marinho da Geórgia do Sul, além de como esses grandes blocos de gelo podem influenciar os oceanos polares.

A pesquisa foi apresentada no periódico científico Remote Sensing of Environment.

Fonte: Remote Sensing of EnvironmentESA

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.