Declínio de CO2 atmosférico esfriou a Terra há mais de 30 milhões de anos

Declínio de CO2 atmosférico esfriou a Terra há mais de 30 milhões de anos

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 04 de Agosto de 2021 às 17h40
NASA

Há cerca de 34 milhões de anos, o clima global passou por uma transição que transformou a estufa quente da Terra em uma “casa de gelo”. Uma nova pesquisa conduzida pela Universidade de Bristol revela a ligação entre a queda de concentração de CO2 na atmosfera terrestre com esta mudança, que levou ao surgimento da Antártida.

Durante o Eoceno, por volta de 40 milhões de anos atrás, a Terra passou por uma grande mudança. No lugar da atual Antártida fria e congelada, havia florestas exuberantes, mas, há cerca de 34 milhões de anos, no Oligoceno, essa região foi substituída pela espessa camada de gelo continental que conhecemos hoje. No entanto, há poucas evidências do que provocou essa mudança em escala global.

Coleta de linhito, uma espécie de carvão (Imagem: Reprodução/Vittoria Lauretano)

Uma equipe internacional de cientistas, liderada por Vittoria Lauretano e David Naafs, ambos da Universidade de Bristol, no Reino Unido, utilizou fósseis moleculares preservados em carvões antigos para reconstruir a temperatura do planeta durante essa mudança. A pesquisa foi desenvolvida como parte do projeto The Greenhouse Earth System (TGRES), onde os pesquisadores usaram uma nova abordagem baseada na distribuição de lipídios bacterianos preservados em antigos depósitos de áreas úmidas.

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O co-autor do artigo, Rich Pancost, explica que esses compostos geralmente estavam presentes nas membranas celulares de bactérias que viviam em antigas terras úmidas. Segundo ele, essas estruturas sofriam ligeiras mudanças para ajudar estes microorganismos a se adaptarem às mudanças de temperatura e acidez no ambiente. “Esses compostos podem então ser preservados por dezenas de milhões de anos, permitindo-nos reconstruir essas antigas condições ambientais”, acrescenta Pancost.

Mina de linhito, ao sudeste da Austrália (Imagem: Reprodução/Vittoria Lauretano) 

Para reproduzir essa mudança de temperatura, a equipe utilizou a nova abordagem em materiais coletados na bacia de Gippsland, localizada ao sudeste da Austrália. Os depósitos dessa região são conhecidos por abrigarem mais de 10 milhões de anos de história da Terra, e foram amplamente analisados pela Universidade de Melbourne, através dos colaboradores da pesquisa Vera Korasidis e Malcolm. Os novos dados indicam que as temperaturas caíram em 3 °C, tanto em terra como no oceano.

De modo a explorar as causas desse declínio na temperatura, a equipe criou algumas simulações de modelos climáticos. Com isso, os pesquisadores perceberam que, apenas nas simulações em que a queda de concentração de CO2 na atmosfera era incluída, é que o resfriamento batia com os dados reconstruídos a partir dos carvões antigos.

As novas descobertas fornecem mais evidências sobre o importante papel que o CO2 atmosférico desempenha no clima global — seja para esquentar o planeta ou resfriá-lo. A pesquisa foi publicado no dia 2 de agosto deste ano na revista Nature.

Fonte: Terra Daily

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