Inversão completa dos polos terrestres está mais próxima do que imaginávamos

Inversão completa dos polos terrestres está mais próxima do que imaginávamos

Por Ares Saturno | 22 de Agosto de 2018 às 15h49
NASA

Uma equipe de pesquisadores do Instituto de Ciências Ambientais e da Terra em Postdam, leste da Alemanha, publicou na última terça-feira (21) um estudo que afirma que os polos magnéticos do nosso planeta poderão se inverter antes do que era esperado e também de forma mais abrupta.

Antes do estudo ser publicado, acreditava-se que algumas centenas de anos nos separariam de uma inversão total dos polos terrestres. Entretanto, com novas evidências, foi possível concluir que a última mudança geomagnética completa ocorreu no final da última era do gelo, levando apenas 144 anos para se concluir. O fenômeno aconteceu há 780 mil anos e o período é cerca de 30 vezes menor do que se estimava anteriormente.

Entretanto, o estudo publicado pelos cientistas de Potsdam defende que as reversões nos polos magnéticos ocorrem naturalmente a cada 200 mil ou 300 mil anos. Isso se dá porque os metais líquidos existentes no centro da Terra se movem em diferentes direções até o completo intercambiamento entre o norte e o sul magnéticos. Durante o fenômeno, é observado o declínio prolongado da intensidade do campo, mas uma rápida recuperação acontece após a estabilização da nova orientação. Esse é mais um argumento utilizado no estudo para defender que uma nova mudança deve estar próxima: o campo magnético da Terra já encontra-se 10% mais fraco do que estava há 175 anos. Os polos estão se movendo de forma acelerada também: atualmente, o Polo Norte se localiza no norte do Canadá, mas a cada ano ele se move cerca de 50 quilômetros em direção à Sibéria.

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Riscos à vida

Embora a opinião popular veja a inversão geomagnética do planeta como uma espécie de apocalipse iminente, ela é praticamente inofensiva para a vida dos seres que habitam o planeta. Entretanto, as conseqüências também não são simples a ponto de poderem ser reduzidas a um mero "o norte da bússola aponta agora para a Antártica ao invés de apontar para o Ártico", uma vez que o enfraquecimento do campo da Terra pode resultar em falhas no funcionamento de satélites, impactando nossas vidas corporativas e serviços que gostamos de usar.

Os maiores perigos para a saúde dos seres vivos é o aumento das ações prejudiciais de radiações solares, o que poderia impactar as colheitas. Entretanto, a Terra esteve invertendo seus pólos durante toda a história, inclusive na presença de diversas espécies humanas como os Homo erectus e os Homo neanderthalensis, que sobreviveram tranquilamente a inversões anteriores.

Então, a menos que você esteja preocupado com a qualidade de vida de animais que utilizam o campo magnético da Terra para locomoção, como aves e salmões, fique em paz. Mas se a confusão inicial dos salmões te preocupar, saiba que eles provavelmente vão se reorganizar rapidamente e continuar suas vidas, como todo mundo.

Fonte: Deutsche Welle

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