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Como um projeto de ciência cidadã de 1874 inspirou a criação dos fusos horários

Por| Editado por Patricia Gnipper | 14 de Março de 2022 às 20h00

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Thomas Pesquet/Flick
Thomas Pesquet/Flick

Na década de 1870, o astrônomo e meteorologista Cleveland Abbe empreendeu um projeto de ciência cidadã para mapear a compreender as auroras observadas no Polo Norte. Os voluntários, espalhados pelos EUA, registravam o fenômeno a partir de seus horários locais, tornando o trabalho algo quase impossível, mas foram essas dificuldades que inspiraram a criação dos modernos fusos horários.

Por milhares de anos, a humanidade observou as luzes coloridos brilhando sobre os céus dos polos Norte e Sul. Hoje, compreendemos como esse fenômeno é produzido e seu comportamento, mas, em 1800, esse show de luzes era um grande mistério da natureza.

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Em 1870, Cleveland Abbe se dedicou a entender a aurora boreal. Ele é considerado o “pai” do Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA, pois ele forneceu os primeiros relatórios confiáveis da história do país. Em abril de 1874, ela teria a chance de estudar essas luzes do norte após uma tempestade solar.

As auroras são o resultado da ação dos ventos solares com as partículas carregadas do campo magnético da Terra. Quando essas partículas alcançam a alta atmosfera, elas passam a emitir as luzes coloridas em formas que caracterizam o fenômeno. Abbe queria descobrir a qual altitude as auroras ocorriam e, assim, comparar essa informação com outros fenômenos climáticos — mas, para isso, ela precisava coletar essas observações a partir de vários pontos do país.

Ciência cidadã e fuso horário

Então Abbe montou uma equipe de 80 voluntários cidadãos e 20 especialistas, tornando seu projeto um dos primeiros exemplos da colaboração de cidadãos comuns em pesquisas científicas — a conhecida ciência cidadã, hoje amplamente utilizada em diversos trabalhos.

Apesar da grande contribuição dos voluntários, e uma equipe de 100 pessoas, o projeto encontrou dificuldades. Cada uma das observações era marcada de acordo com o horário local, tornando quasse impossível tirar conclusões úteis das observações das auroras.

Abbe então trabalhou com a American Metrological Society (AMS) para encontrar uma solução, até que o matemático Benjamin Peirce sugeriu dividir o país em uma série de fusos horários. Anos depois, Abbe recebeu uma carta do engenheiro ferroviário Sandford Fleming, que também buscava uma padronização do tempo.

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Juntos, Abbe e Fleming apresentaram suas ideias ao Congresso dos EUA, pedindo que os fusos horários fossem oficialmente estabelecidos em território nacional. Primeiro, foram as ferrovias, em novembro de 1883. Um ano depois, uma conferência internacional definiu o Meridiano de Greenwich.

Nas décadas seguintes, outros países passaram a adotar os fusos horários com base no meridiano. Além de ter contribuído para sincronizar o tempo em diferentes pontos do mundo, Abbe descobriu que as auroras ocorriam a uma altitude de 100 km a 300 km.

Fonte: Via Universe Today