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80% das árvores exclusivas da Mata Atlântica estão em risco de extinção

Por| Editado por Luciana Zaramela | 11 de Janeiro de 2024 às 16h43

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Vinicius Vdepizzol/Flickr/CC BY 2.0
Vinicius Vdepizzol/Flickr/CC BY 2.0

Localizada ao longo da maior parte da costa litorânea do Brasil, a Mata Atlântica é um dos biomas mais devastados no país. Mais de 75% da sua cobertura vegetal original já foi desmatada, segundo dados da SOS Mata Atlântica. Neste cenário, 82% das 2,5 mil espécies de árvores exclusivas do bioma estão em risco de extinção, conforme aponta estudo publicado na revista Science nesta quinta-feira (11).

A porcentagem de árvores exclusivas da Mata Atlântica em risco de extinção foi atualizada em estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e de instituições parceiras. Basicamente, o grupo organizou uma lista vermelha própria de espécies que correm perigo e estão ameaçadas. 

Veja imagens de uma das espécies mais ameaçadas, o jequitibá-rosa (Cariniana legalis):

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Segundo os cientistas, o declínio no número de árvores adultas devido ao desmatamento é a principal ameaça às espécies originais e exclusivas da Mata Atlântica.

Embora o número seja maior que 80% alto, ele pode aumentar nos próximos anos, já que a pesquisa desconsiderou ameaças emergentes, como as mudanças climáticas e a elevação das temperaturas médias. Isso pode acelerar o processo de extinção.

Árvores em risco de extinção

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Após revisar três milhões de registros de herbários e inventários florestais, os pesquisadores descobriram que muitas espécies emblemáticas da Mata Atlântica estão em risco. 

A seguir, confira as espécies mais conhecidas incluídas na lista vermelha:

  • Pau-brasil;
  • Araucária;
  • Palmito-juçara;
  • Jequitibá-rosa;
  • Jacarandá-da-Bahia;
  • Angico;
  • Peroba.

Espécies já extintas da Mata Atlântica?

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Durante a análise, o grupo considerou que 13 espécies de árvores exclusivas desse bioma brasileiro e que não ocorrem em mais nenhum lugar do globo já estão possivelmente extintas.

No sentido oposto, foi possível detectar que pelo menos cinco espécies que já eram consideradas extintas na natureza foram redescobertas na Mata Atlântica, como a Campomanesia Lundiana e a Myrcia neocambessedeana.

Mata Atlântica em perigo

“O quadro geral é muito preocupante” para a flora e a biodiversidade da Mata Atlântica, afirma Renato Lima, professor da USP e autor do artigo, para a Agência Bori

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No entanto, o risco não é exclusivo deste bioma brasileiro. Quando se observa o panorama das florestas tropicais em escala global, a situação é ainda mais crítica. As projeções atuais apontam que, entre 35% e 50% das espécies de árvores do planeta, podem estar ameaçadas por causa do desmatamento e, consequentemente, da falta de iniciativas para conter essas práticas.

Como preservar as árvores?

Para impedir que as previsões se confirmem, os autores do estudo propõem três grandes soluções complementares que podem ajudar na proteção das árvores da Mata Atlântica: 

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  • Uso dos Planos de Ação Nacionais (PANs), ou seja, dos instrumentos de promoção de políticas públicas aplicados para a conservação e a recuperação de espécies ameaçadas no Brasil;
  • De forma imediata, é necessário garantir a conservação das espécies em risco de extinção em jardins botânicos e/ou bancos de material genético,
  • Reverter as perdas de espécies de árvores na Mata Atlântica, através da restauração florestal.

Neste último caso, André de Gasper, professor da Universidade Regional de Blumenau (FURB) e coautor do estudo, explica que “projetos de restauração, em áreas abertas ou em fragmentos degradados, podem selecionar preferencialmente as espécies regionais mais ameaçadas da Mata Atlântica, visando estimular a produção de sementes e mudas destas espécies e a recuperação das suas populações de árvores na natureza”.

Fonte: Agência Bori e Flickr