CEO da Intel renuncia a cargo em conselho de Trump devido a conflito nos EUA

Por Redação | 15 de Agosto de 2017 às 10h21

O CEO da Intel, Brian Krzanich, tornou-se o terceiro diretor executivo de uma grande empresa a renunciar à cadeira no Conselho de Manufatura dos Estados Unidos. A renúncia aconteceu em meio ao aumento da tensão racial no país, funcionando como uma resposta ao presidente norte-americano Donald Trump. No final de semana, um conflito violento entre manifestantes em Charlottesville, na Virgínia, desencadeou uma série de críticas à liberdade de manifestação e aos conflitos étnicos e raciais no país.

"Devemos honrar - não atacar - aqueles que defenderam a igualdade e outros apreciados valores americanos", explicou Krzanich. "Espero que isso mude, e continuo disposto a servir quando isso acontecer". Além disso, o CEO da Intel explicou que renunciou "porque deseja progredir, enquanto muitos em Washington parecem mais preocupados em atacar qualquer um que discorda deles", sem citar diretamente Trump.

O conflito no final de semana envolveu supremacistas brancos e minorias em Charlottesville, deixando uma pessoa morta e ao menos 34 feridas. Em resposta ao ocorrido, o CEO da Merk, Kenneth Frazier, e o CEO da Under Armour, Kevin Plank, também decidiram sair do conselho nesta segunda-feira (14). Logo após a saída dos dois executivos, Trump criticou em seu perfil no Twitter a decisão de Frazier. O presidente também afirmou que estava insatisfeito com a não condenação de supremacistas brancos após a manifestação em Charlottesville e, diante de forte pressão, Trump chamou a KKK, os neonazistas e os supremacistas de repugnantes.

Krzanich comentou ainda que sua demissão foi uma tentativa de "chamar a atenção para o grave prejuízo que o nosso clima político dividido está causando". As palavras e a decisão de renúncia do CEO da Intel é um grande ponto negativo na administração de Trump. A Intel é uma das maiores fabricantes de processadores do mundo e um ícone de inovação na indústria norte-americana. A empresa foi várias vezes elogiada pelo próprio presidente, com quem Krzanich sempre procurou manter um equilíbrio nas relações. Em fevereiro, por exemplo, o executivo apoiou Trump na Casa Branca no projeto de criação de uma nova fábrica nos Estados Unidos, em um investimento de cerca de US$ 7 bilhões.

No passado, Krzanich defendia a importância no envolvimento com a política. "Quando discordamos, não nos afastamos. Acreditamos que devemos fazer parte da conversa para expressar nossas opiniões sobre questões-chave como a imigração, os vistos e outras políticas essenciais para a inovação", escreveu na época o executivo. Agora, porém, Krzanich demonstrou parte de seu descontentamento com a experiência diante da política americana. "Quase todas as questões estão agora politizadas até o ponto em que um progresso significativo é impossível. Promover a fabricação americana não deve ser uma questão política", acrescentou.

Fonte: CNN

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