Relatório sobre acidente com 737 Max 8 culpa software da Boeing e até tripulação

Por Fidel Forato | 26 de Outubro de 2019 às 17h15
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Quase um ano após a queda do Boeing 737 MAX 8, da Lion Air, que levou ao óbito todos os 189 passageiros e tripulantes a bordo, o relatório final foi divulgado hoje (25) pelo Comitê Nacional de Segurança de Transportes da Indonésia (KNKT).

O voo 610, da Lion Air, caiu no mar de Java, no Sul do Oceano Pacífico, logo após decolar de Jacarta, na Indonésia, em 29 de outubro de 2018. Um acidente semelhante, tambem envolvendo o 737 Max 8, ocorreu na Etiópia, em março, e matou 154 pessoas.

No relatório, o KNKT aponta que a Boeing, sem a supervisão adequada dos órgãos reguladores dos EUA, não soube prever os riscos no design do software da cabine de pilotagem do avião. Os problemas ligados a isso deram início ao acidente da Lion Air, que também envolveu erros de funcionários e tripulantes da companhia aérea.

O acidente foi causado por uma complexa cadeia de eventos, disse o investigador indonésio Nurcahyo Utomo a repórteres, durante entrevista coletiva. O investigador se recusou repetidas vezes a fornecer uma única causa dominante para a tragédia. "Pelo que sabemos, há nove pontos que contribuíram para esse acidente", disse ele.

Os investigadores culparam o acidente do Boeing 737 Max 8 por vários fatores

No relatório, o KNKT aponta para as falhas no projeto da aeronave e o sistema de controle de voo, projetado pela Boeing, conhecido como MCAS. Esses problemas foram responsáveis por empurrar o nariz do avião para baixo, devido à falhas no sensor do ângulo de ataque (AoA).

Nesse cenário, “o projeto e a certificação do MCAS não consideraram adequadamente a probabilidade de perda de controle da aeronave”, afirma o texto. Assim, a falha se agravou pela falta de informação dos pilotos sobre o funcionamento do MCAS, que não operam a aeronave da maneira mais correta.

O relatória ainda alega ter encontrado evidências de que os sensores não haviam sido calibrados adequadamente e nem haviam sido testados pela equipe de manutenção da aeronave.

Custos da Boeing só aumentam

No início desta semana, a Boeing disse que os custos de construção do 737 Max haviam aumentado em US$ 900 milhões, no terceiro trimestre. Além disso, há os US$ 2,7 bilhões em custos extras de produção, anunciados no início deste ano.

Por enquanto, o custo total da reconstrução do 737 Max ainda é desconhecido, até que haja um consenso geral sobre a segurança do avião. Diante das séries de acidentes e da divulgação, as ações da Boeing estavam em queda de cerca de 1%, na última sexta-feira (26).

Fonte: Reuters

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