Huawei é alvo de nova investigação federal sobre roubo de segredos comerciais

Por Rafael Arbulu | 17 de Janeiro de 2019 às 11h00
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A empresa chinesa e segunda maior fabricante de smartphones do mundo, Huawei, enfrenta uma nova investigação da promotoria federal dos Estados Unidos, sob acusação de roubo de segredos comerciais de parceiros mantidos em solo americano, como a T-Mobile. A investigação já estaria em fase final e uma intimação formal deve ser entregue a representantes legais da empresa ainda este mês. As informações são do Wall Street Journal.

A justiça norte-americana montou o caso com base em diversos pequenos processos sofridos pela Huawei por lá. Em um deles, no ano de 2017, a operadora T-Mobile acusou a chinesa de fazer mau uso da tecnologia por trás do robô de testes de smartphone “Tappy”. Um júri em Seattle declarou a Huawei culpada, mas a empresa declarou que “continua a acreditar nos méritos de sua defesa contra as alegações da T-Mobile” e rejeitou a decisão.

As ações da fabricante chinesa vêm sendo minuciosamente avaliadas pelo Departamento de Justiça dos EUA desde então, resultando, no último ano de 2018, no banimento de capacidades comerciais e atuação da empresa no país. Até o momento, o governo está proibido de fazer qualquer negócio com a Huawei, porém empresas privadas seguem parcerias previamente estabelecidas com ela. Ao final de dezembro, porém, o presidente Donald Trump disse que considera uma prerrogativa legal de “declaração de estado de emergência”, efetivamente proibindo qualquer ação ou negócio da Huawei nos EUA até mesmo com empresas privadas.

Ontem (16), um grupo do Partido Republicano dos EUA, liderado pelo senador Tom Cotton, submeteu um projeto de lei que visa punições à Huawei de caráter similar às sofridas por outra empresa chinesa, ZTE, a fim de impedir o roubo de informações proprietárias e segredos comerciais de companhias norte-americanas. Se sancionada, a nova lei baniria a exportação de componentes estadunidenses a empresas chinesas que violassem prerrogativas legais nos EUA.

“A Huawei age, efetivamente, como um braço de coleta de dados e inteligência do Partido Comunista chinês, já que seu fundador e CEO foi um engenheiro para o Exército Poular de Libertação”, disse Cotton, que co-autora o projeto de lei. “É imperativo que nós tomemos ações que protejam os interesses dos EUA e reforcem nossas leis. Se empresas de telecomunicações chinesas como a Huawei violam as nossas sanções ou leis de controle de exportação, elas não deveriam receber nada menos que uma ‘pena de morte’ — o que essa ordem de negação de serviços certamente proveria”.

Men Wanzhou, CFO e filha do co-fundador da Huawei, foi presa em dezembro de 2018 a pedido da polícia dos EUA, sob acusação de que a empresa violou sanções impostas ao fazer negócios com o Irã

A Huawei reforçou declarações anteriores em sua defesa, dizendo novamente que não está nem nunca esteve a serviço do governo chinês, não engaja em ações de espionagem corporativa e que a empresa não constitui uma ameaça aos Estados Unidos em nenhuma forma.

Vale citar que, no início de dezembro de 2018, a CFO e filha do co-fundador da Huawei, Meng Wanzhou, foi presa em um aeroporto no Canadá durante uma escala e transferência de voos, a pedido dos Estados Unidos. A acusação era a de que a Huawei havia violado sanções impostas pelo governo americano ao fazer negócios com o Irã. A executiva deixou a prisão após pagamento de fiança de aproximados US$ 7,5 milhões, sob condições de usar uma tornozeleira eletrônica com GPS, além de entregar seu passaporte e contar com uma equipe de segurança (custeada por ela) seguindo-a por onde quer que ela vá.

Fonte: Wall Street JournalThe Verge

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