Rússia comprou anúncios em serviços da Google para manipular eleições nos EUA

Por Redação | 09 de Outubro de 2017 às 11h26

Uma nova análise feita pela Google revelou que agentes ligados ao governo russo adquiriram anúncios em serviços como YouTube, Gmail e na própria ferramenta de buscas com o intuito de manipular a opinião pública durante as eleições presidenciais dos EUA de 2016. De acordo com as informações publicadas pela imprensa norte-americana, “dezenas de milhares” de dólares teriam sido gastos nas campanhas de publicidade.

As conclusões ainda não foram reveladas oficialmente pela empresa, mas seriam parte de uma análise posterior realizada por ela, com base em dados oferecidos pelo Twitter. Inicialmente, a Google havia cruzado os dados de compradores de anúncios compartilhados pelo Facebook, sem resultados, o que levou ao anúncio de que, pelo menos em um primeiro momento, agentes russos não teriam adquirido anúncios nas ferramentas da gigante.

Tudo mudou, entretanto, com os dados passados pela rede social do passarinho. A Google teria sido capaz de associar contas do Twitter a usuários que utilizaram seus serviços para veicularem anúncios, tanto por meio das ferramentas da própria companhia quanto por meio da DoubleClick, sua ferramenta de gerenciamento de campanhas em múltiplas plataformas.

Boa parte dos anúncios adquiridos pelo Kremlin nos serviços da Google teriam a ver com a divisão da opinião pública, contendo mensagens racistas, voltadas para criar animosidade contra militantes do movimento negro, e também de ódio aos imigrantes, de forma a fortalecer uma das plataformas da campanha de Donald Trump, além, é claro, de disseminar desinformação junto aos eleitores da rival, Hilary Clinton.

A investigação da Google é uma resposta ao pedido do Congresso norte-americano, que solicitou às empresas de tecnologia que revisem o histórico de anúncios realizados durante as eleições de 2016, de forma a encontrar indícios ou provas sobre o envolvimento de Moscou. O governo dos EUA também pediu que as empresas compartilhem informações sobre o assunto, de forma que se possa compreender o escopo das campanhas de publicidade.

Uma análise feita pelo Facebook, por exemplo, revelou uma estimativa de três mil anúncios comprados pelos russos durante o período de eleições presidenciais. Na rede social, a estimativa é que cerca de 10 milhões de pessoas tenham sido impactadas pelas propagandas. Já no Twitter, a campanha de manipulação teria contado com a participação de mais de 200 perfis e US$ 274 mil investidos em publicidade, em sua maioria pela agência estatal de notícias RT.

A Google não revelou números semelhantes nem confirmou se participará de uma audiência no Congresso dos Estados Unidos, marcada para o dia 1º de novembro. Na ocasião, executivos do Facebook e Twitter vão depor sobre o assunto. A gigante das buscas também não se pronunciou sobre as informações publicadas nesta semana na imprensa.

Fonte: The Washington Post

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