Este jovem sonha em ser o próximo Steve Jobs, só que da indústria pornô

Por Sérgio Oliveira | 05 de Agosto de 2014 às 14h57
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Aos 19 anos de idade, o norte-americano Trevor Zablocki decidiu transformar o fetiche por vídeos pornôs em negócio. A ideia atraiu seu irmão mais velho de 23 anos, Justin, e o amigo Harry Manno, de 22.

Segundo Justin, os planos de Trevor são tão bem arquitetados que até seu pai se empolgou com eles. "Nossa mãe ficou chocada quando contamos a ela", disse Justin ao site da Forbes. "Mas conseguimos explicar para ela que se trata de um negócio e não um fetiche erótico. Nosso pai adorou e de vez em quando vem com um monte de ideias para nós". A preocupação da mãe foi diluída após os jovens explicarem que a última coisa que eles querem fazer é aparecer em um filme do tipo ou frequentar os sets de filmagem para lidar diretamente com o pessoal do ramo.

Para eles, a indústria pornográfica carece de "cérebros" capazes de adaptar o negócio à realidade das interações online dos tempos de hoje. Segundo eles, aqueles que lideram a indústria não só estão cansados de lidar com ela, como também não conseguiram acompanhar a evolução das coisas. Contudo, a ideia por trás da suposta revolução que eles estão dispostos a realizar é controversa e se baseia na polêmica tecnologia de reconhecimento facial.

"Essa é uma tendência no mercado norte-americano e cada vez mais as pessoas vêm procurando por vídeos pornôs de pessoas que se parecem com aquelas que elas gostam ou conhecem", diz Manno, que ainda não teve coragem de contar aos seus familiares sobre seus planos de ganhar a vida com a indústria pornográfica. "Nós queremos cobrir esta lacuna e ajudar essas pessoas. Já é possível vasculhar a Internet em busca de pessoas que se parecem com a pessoa que você tem em mente, mas nós queremos dar o passo adiante neste quesito", revela.

Para alcançar o objetivo, o trio vem testando e incrementando um sistema chamado ReKognition que analisa fotos enviadas pelos usuários e busca por pornografia com pessoas que lembrem a da imagem. O segredo do novo sistema, ao que aparenta, está na capacidade dele analisar características-chave do rosto da pessoa da imagem, buscando por correspondentes que tenham cor do cabelo, biotipo e até etnia semelhantes.

A ideia é interessante, mas pode despertar o alerta de privacidade em alguns especialistas no assunto. Apesar disso, os jovens acreditam que há um mercado a ser explorado com estas tecnologias e se dizem dispostos a alcançar o feito. A aposta deles é tão grande que Trevor até mesmo abandonou a faculdade para se dedicar ao projeto em tempo integral. A dedicação do rapaz é tão grande que os que trabalham com ele dizem que ele é o "Steve Jobs da pornografia".

Para o mais velho dos irmãos, os sites pornôs estão estagnados há anos e nenhum deles tem algo inovador que atraia mais usuários. "Apesar disso, sites grandes como o Pornhub têm uma audiência gigantesca e nós queremos nos aproveitar disso", disse Justin.

Procurado pela Forbes, Alec Helmy, presidente e diretor do portal de conteúdo erótico XBiz, confessou que os garotos estão no caminho certo e que o ramo do entretenimento adulto é uma boa opção para jovens que procuram seu próprio negócio sem a necessidade de investimentos astronômicos. Helmy até disse que as portas estão abertas para os irmãos Zablocki e para Manno, que responderam dizendo que "atualmente não procuram por nenhum emprego" e querem conquistar o sucesso com seus "próprios esforços".

Sobre a ideia do trio, Helmy destaca que todos que têm uma boa ideia podem se dar bem na indústria adulta, mas uma vez que eles atingem o topo, é difícil se manter lá. "O entretenimento adulto online é uma das poucas indústrias que reconhecem empreendedores com conhecimento técnico da maneira que eles merecem, oferecendo-lhes oportunidades para construir seu próprio império", discursa o executivo. "Porém, com o tempo, o desafio passa a ser se manter no topo e conseguir inovar com a mesma agressividade do começo. Quando alcançam este patamar, os negócios começam a se segmentar para dar a impressão de 'inovação' aos seus usuários", revelou Helmy.

Apesar da visão um tanto pessimista (ou realista) de Helmy, o trio de jovens norte-americanos diz já ter alcançado bons níveis de tráfego em sua recém-lançada plataforma pornô, o Great Fap. De acordo com eles, em poucos meses o site já registra mais de 10 mil acessos diários de pessoas que vão até lá principalmente para usar o novo sistema empregado por eles.

Se você curte o cinco contra um e quer comprovar a eficiência do sistema, a dica está dada. Agora resta esperar para ver se realmente sob o comando do "Steve Jobs do pornô" nós estamos diante de uma maçã erotizada ou não.

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