Canais de games no YouTube recebem notificações de direitos autorais

Por Felipe Demartini | 11 de Dezembro de 2013 às 15h27
photo_camera Mashable

Desde o final da tarde desta terça-feira (10), uma série de canais de games no YouTube passou a receber alertas de conteúdo relacionado a direitos autorais. Na maioria dos casos, os autores perderam os direitos de monetização de seus vídeos, mas também existem relatos de alguns clipes ou até mesmo canais sendo retirados do ar.

As informações oficiais ainda são escassas, mas o que está sendo chamado de “Apocalipse do YouTube” teria relação com uma revisão nas regras e algoritmos relacionados à exibição de anúncios e monetização nos vídeos. A maioria dos flags, como são chamados esse tipo de alerta, estariam relacionados a uma distribuidora de música chamada IDOL, como afirma o VG24/7.

Os casos mais comuns de alertas de violação de direitos autorais estão relacionados às trilhas sonoras, mas também existem ocorrências de flags em vídeos com animações ou até mesmo simples postagens de trailers. Os alertas estariam sendo emitidos há cerca de dois dias, mas ganharam força na noite desta terça.

Brasileiros também são afetados

Em um primeiro momento, poucos YouTubers brasileiros teriam recebido notificações, uma indicação de que, talvez, o país não seria um dos grandes alvos das mudanças. Aos poucos, porém, os “flags” estão começando a chegar por aqui e atingem produtores de conteúdo com diferentes intensidades.

O tamanho do canal também parece não fazer diferença. Oberdan Rezende, o OberdanPC10, afirma ter recebido notificações em dois dos 21 vídeos de seu canal. Os clipes são dos games Call of Duty 4: Modern Warfare e Battlefield 1942, que não foram bloqueados pelo YouTube, mas foram retirados das listagens do canal pelo próprio autor.

Call of Duty 4: Modern Warfare

Já Jessica Pinheiro, do Girls of War, afirma que o canal do site já recebeu cinco flags, incluindo gameplays de demonstrações gratuitas disponíveis para os consoles. Ela também reclama da falta de opções para responder aos alertas nos clipes. “Em alguns casos você pode disputar, para provar legalmente que o conteúdo é seu. Em outros, isso não importa. Ou seja, é 8 ou 80, e acabou a moleza”, conta.

Por outro lado, Bruno Benetti, do canal Alterea Filmes, afirma ainda não ter sido alvo de notificações. O diretor cria curtas baseados em games como Resident Evil, além de usar trilha sonora licenciada em outros trabalhos. Ele não costuma monetizar seus vídeos e acredita que, por isso, ainda não recebeu flags.

Na mesma situação está o site Level+. Segundo um de seus editores, Andre Luiz Pinto, nenhuma flag havia sido recebida até o momento. Em seu canal, constam vídeos de gameplays de títulos como Mafia II, King of Fighters XIII e Awesomenauts.

Por meio do Twitter, PewDiePie, um dos maiores YouTubers suecos, lamentou a mudança. Em resposta a um seguidor, ele afirmou que os canais menores serão os principais afetados pelas mudanças, justamente por trabalharem de forma independente e não estarem afiliados a uma rede.

As networks, como o Machinima, concentram produtores de conteúdo no YouTube e possuem acordos com os detentores dos direitos autorais. Assim, seus afiliados podem utilizar imagens de gameplay e monetizarem os vídeos sem se preocuparem com problemas do tipo. É o caso, por exemplo, do Level+.

Desenvolvedoras se eximem de responsabilidade

Grandes empresas de jogos já afirmaram não estar por trás das mensagens sobre violação de direitos autorais. A Ubisoft, por exemplo, solicitou em comunicado oficial que os produtores de conteúdo disputem as notificações enviadas pela IDOL e entrem em contato diretamente com a empresa, enviando links dos vídeos afetados.

Comportamento semelhante foi exibido por outras companhias, como Deep Silver, Capcom, Codemasters e Naughty Dog. Todas afirmam não estar por trás das notificações e pedem calma aos produtores de conteúdo até que a situação seja resolvida junto ao YouTube.

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