25% dos brasileiros não têm acesso à internet, aponta pesquisa

25% dos brasileiros não têm acesso à internet, aponta pesquisa

Por Rui Maciel | 29 de Abril de 2020 às 19h30

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quarta-feira (29) uma pesquisa que aponta que 25% (ou um em cada quatro) dos brasileiros não têm acesso à internet. Em números totais, isso representa 46 milhões de pessoas. Em áreas rurais, o índice de pessoas sem acesso é ainda maior que nas cidades, chegando a 53,5%. Em áreas urbanas é 20,6%.

O estudo leva o nome de Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua - Tecnologia da Informação e Comunicação (Pnad Contínua TIC) 2018. Ele apontou que quase a metade das pessoas que não têm acesso à rede (41,6%) afirmam que o motivo para não acessar é por não saber usá-la; uma a cada três (34,6%) diz não ter interesse; já para 11,8% delas, o serviço de acesso à internet é caro. E,finalmente, para 5,7% deste total, o equipamento necessário para navegar pela web, como celular, laptop e tablet, é caro.

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Em relação à renda, nas casas onde havia acesso à internet, o rendimento médio por pessoa era R$ 1.769, quase o dobro do rendimento nas casas daqueles que não acessavam a rede, que era R$ 940. O nível de instrução influencia, mas a disseminação do uso da Internet vem impulsionando também a sua utilização em segmentos de níveis de instrução mais baixos. Em 2018, o percentual de pessoas que utilizaram a Internet foi de 12,1%, no nível sem instrução, de 55,5% no fundamental incompleto e atingiu 98,3% no superior incompleto.

Regiões remotas

A pesquisa aponta também a dificuldade em fazer a internet chegar a certas regiões do país. Isso porque 4,5% das pessoas em todo o Brasil não acessam a web por falta de serviços disponíveis nos locais em que elas moram. Ou seja, elas não conseguem contratar um pacote de internet, mesmo que queiram. Como esperado, esse percentual é mais elevado na Região Norte, onde 13,8% daqueles que não acessam a internet não têm acesso ao serviço nos locais que frequentam. Na Região Sudeste, esse percentual é 1,9%.

A pesquisa aponta também desigualdades entre áreas rurais e urbanas. O percentual de moradores de áreas rurais que não utilizam a internet pela indisponibilidade do serviço é dez vezes maior é que a da área urbana, (12% contra 1,2%). Já 7,3% dos moradores de áreas rurais afirmam que equipamentos que tragam o acesso a web é um investimento dos mais caros; nas cidades, esse índice é de 5%.

Aumento

Mesmo com um alto número de pessoas que não usufurem dos benefícios da internet, a pesquisa aponta que o percentual de domicílios que utilizavam a Internet subiu de 74,9% para 79,1%, de 2017 para 2018. "O crescimento mais acelerado da utilização da internet nos domicílios da área rural contribuiu para reduzir a diferença em relação aos da área urbana”, diz o texto. De 2017 para 2018, o percentual de domicílios em que a internet era utilizada passou de 80,2% para 83,8% em área urbana e de 41% para 49,2% na área rural.

Celular segue como o principal meio de acesso

O equipamento mais usado para acessar a Internet foi o celular, encontrado em 99,2% dos domicílios com serviço. O segundo foram os PCs, que, no entanto, só eram usado em 48,1% desses lares.

Entre 2017 e 2018, o percentual de pessoas de 10 anos ou mais que acessou a internet pelo celular passou de 97% para 98,1%. O aparelho é usado tanto na área rural, por 97,9% daqueles que acessam a internet, quanto nas cidades, por 98,1%.

Outro dado curioso é o crescimento do acesso à rede por meio das TVs. A pesquisa mostra que o percentual das pessoas que acessaram a internet pela TV aumentou de 16,3%, em 2017, para 23,1%, no ano passado. "Uma das principais finalidades que as pessoas alegam, além de enviar e receber mensagens, é assistir a vídeos e séries”, diz Maria Lucia Vieira, gerente da Pnad Contínua.

Além disso, os dados mostram que 79,3% dos brasileiros com 10 anos ou mais têm aparelhos celulares para uso pessoal, com ou sem internet (82,9% nas áreas urbanas e a 57,3% nas rurais). Esse percentual era 78,2% em 2017. No mesmo ano, mais 84% das pessoas com dispositivos móveis tinham também acesso à rede por meio dos mesmos. Esse índice aumentou para 88,5% em 2018.

Entre aqueles que não têm celular no Brasil, 28% alegam que o dispositivo em questão é caro; 24,2%, que falta interesse em ter o equipamento, 19,8%, que não sabem usar e 16,6%,que costumam usar o celular de outra pessoa.

Além disso, enquanto o celular ganha espaço, outros equipamentos têm o seu uso diminuído. A utilização de computadores caiu de 56,6% para 50,7% e de tablets, de 14,3% para 12%, no período de 2017 para 2018.

O tipo de conexão

Quanto ao tipo de conexão utilizada, tanto a banda larga móvel (3G/4G), quanto a fixa mostraram crescimento gradual. Nos domicílios em que havia utilização da Internet, o percentual dos que usavam a móvel passou de 77,3% em 2016 para 78,6% em 2017 e atingiu 80,2% em 2018. Já o percentual dos que usavam banda larga fixa evoluiu de 71,4% em 2016 para 73,5% em 2017 e chegou a 75,9% em 2018.

Por outro lado, a conexão discada torna-se cada vez mais irrelevante, tendo passado de 0,6% em 2016 para 0,4% em 2017, e caído para 0,2% em 2018. Na região Norte, o percentual de domicílios com banda larga fixa era de apenas 53,4%, enquanto nas demais regiões, essa proporção variava entre 74,7% e 78,5%. Na região, a rede móvel tem percentual de uso de 89,7%.

Outro comportamento atípico foi o do Nordeste, onde, ao contrário das outras regiões do país, a banda larga fixa tem mais adeptos do que a móvel: em 2018, 64,1% dos domicílios nordestinos com Internet usavam a conexão móvel, contra 77,9% de uso da fixa. Nas outras regiões, esses percentuais variaram entre de 82,3% a 89,7%.

Já o percentual de domicílios em que havia conexão por banda larga fixa e móvel subiu de 52,3% em 2017 para 56,3% em 2018. A proporção dos domicílios onde somente era usada a conexão por banda larga móvel caiu de 25,2% para 23,3%, enquanto o percentual dos que usavam somente a fixa recuou de 20,2% para 19,0%.

Multimídia

A pesquisa do IBGE aponta também que quase 96% dos brasileiros com acesso à internet a utilizam para enviar ou receber mensagens de texto, voz ou imagens, lançando mão de aplicativos de mensagens, como o Whatsapp, Telegram, Facebook Messenger, entre outros. O percentual se manteve praticamente o mesmo desde 2017, quando o indice era 95,5%. A maioria, 88,1%, também disse usar a internet para fazer ligações de voz ou vídeo. Esse índice é pouco mais de 4% maior em relação a 2017 (83,8%).

Vídeos em geral também ganharam espaço. Cerca de 86% dos brasileiros afirmaram acessar a internet para assistir a filmes, séries e outros formatos, seja via streaming ou o download desse tipo de conteúdo. Em 2017, esse número era de 81,8%. Por outro lado, o percentual de pessoas que acessaram a internet com a finalidade de enviar e receber e-mails apresentou queda, passando de 66,2% para 63,2%. O crescimento no uso de apps de mensagens pode explicar essa diminuição.

Esta é a terceira vez que a (Pnad) compila dados sobre Tecnologia da Informação e Comunicação. Os dados referem-se ao quarto trimestre de 2018. A pesquisa trata do acesso à internet e à televisão nos domicílios particulares permanentes e do acesso à internet e à posse de telefone móvel celular para as pessoas de 10 anos ou mais de idade, o que equivale a um total de cerca de 181,9 milhões de pessoas.

Fonte: Agência IBGE 

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