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Google testa IA que promete ajudar jornalistas a escrever notícias

Por| Editado por Douglas Ciriaco | 20 de Julho de 2023 às 12h18

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Mitchell Luo/Unsplash
Mitchell Luo/Unsplash
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Uma nova ferramenta de IA generativa com foco no trabalho de jornalistas está em desenvolvimento pelo Google. Segundo relatos, o “Genesis”, como está sendo chamada a iniciativa, poderia absorver informações com detalhes sobre acontecimentos recentes e gerar conteúdos noticiosos.

A informação foi revelada em uma reportagem do The New York Times, que relatou uma apresentação do Google sobre a ferramenta Genesis para executivos responsáveis por alguns dos maiores jornais dos Estados Unidos — como o próprio NYT, além do The Washington Post e a News Corp (dona do The Wall Street Journal).

IA para substituir os jornalistas? Ainda não

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De acordo com o relato de pessoas que acompanharam a apresentação, o Google acredita que a IA poderá ser usada como uma assistente para o trabalho de jornalistas, com a automação de alguns processos e a sugestão de títulos ou estilos de escrita.

No entanto, nem todos ficaram convencidos com o discurso do Google. Alguns executivos, que preferiram não serem identificados, disseram ao New York Times que a proposta da IA desmerece os esforços dos profissionais da área na apuração e produção de notícias.

A representante do Google Jean Crider declarou que “em parceria com os editores de notícias, estamos nos estágios iniciais de ideias para fornecer ferramentas de IA que ajudem os jornalistas em seus trabalhos”.

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Segundo a representante, “essas ferramentas não pretendem e não podem substituir o papel essencial que os jornalistas têm em reportar, criar e verificar os fatos de seus artigos.”

IA, Google e os veículos de comunicação

Apesar da declaração do Google, há certa apreensão no setor enquanto veículos de comunicação anunciam a substituição de mão de obra especializada por ferramentas de IA generativa — mesmo quando elas apresentam falhas e cometem erros crassos.

Ao mesmo tempo, há um debate crescente sobre a base de dados utilizada no treinamento das ferramentas de IA generativa. Se o Google sugere que o Genesis pode adequar um estilo de escrita de acordo com o padrão de determinado jornal, isso significa que a IA se apropriou do histórico de conteúdo de vários jornalistas que têm material publicado na web.

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A discussão vai na mesma linha do papel central — e um tanto problemático — que o Google tem na distribuição de informações e conteúdos pela internet. O buscador mais usado no mundonão produz as notícias, mas os canais são dependentes dos algoritmos da empresa para conseguir boa visibilidade e posicionamento no mecanismo de busca.

Além disso, o Google pode apresentar resumos, na forma de snippets, com o conteúdo dos sites na própria SERP (como é chamada a página de resultados de uma busca no Google). Isso significa que o usuário não precisa nem entrar no endereço da fonte para conseguir a informação que queria. Essa prática será potencializada com a integração de IA no novo buscador da companhia.

O chatbot de IA generativa do Google também entra nessa discussão. As informações que o Bard fornece aos usuários carecem, com frequência, de fontes e links de direcionamento — o que leva a uma queda de rendimento de quem de fato produz as informações.

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Esses exemplos mostram como as IAs utilizam os conteúdos existentes para gerar novos textos, enquanto o trabalho de jornalistas e demais criadores é apropriado pelas Big Techs.

Para saber mais sobre as questões éticas relacionadas à inteligência artificial, veja o alerta do "Padrinho da IA” sobre os perigos da tecnologia.

Fonte: The New York Times