Publicidade

Como os brasileiros estão usando IA no trabalho, nos estudos e na vida pessoal

Por  • Editado por Jones Oliveira | 

Compartilhe:
João Melo/Canaltech
João Melo/Canaltech

Se a popularização da inteligência artificial (IA) passou muito por solicitações para gerar textos simples, receitas e obter algumas dicas sobre filmes, o cenário atual já é diferente. Ao analisar o comportamento dos brasileiros diante dessa tecnologia, é possível observar que a integração dessas ferramentas já abrange uma ampla gama de atividades.

Do trabalho aos estudos, com destaque também para aplicações na vida pessoal, a população brasileira parece cada vez mais entender como esses recursos podem ser úteis no dia a dia. Dados divulgados por diversas pesquisas corroboram essa análise.

Um dos exemplos é o estudo TIC Domicílios 2025, desenvolvido pelo Cetic.br, que aponta que cerca de 50,2 milhões de brasileiros já incorporaram a IA à sua rotina. Esse número representa quase um terço (32%) de todos os internautas do país.

Canaltech
O Canaltech está no WhatsApp!Entre no canal e acompanhe notícias e dicas de tecnologia
Continua após a publicidade

Alerta para um avanço desigual

Mas, ainda que esses dados apontem para um cenário animador de uso desses recursos, a mesma pesquisa alerta para como a desigualdade socioeconômica influencia a adoção da IA no Brasil.

Um dos dados que levam a essa conclusão é o fato de que, enquanto 69% das pessoas da classe A já utilizam plataformas de IA, o índice cai para apenas 16% entre as classes D e E.

A TIC Domicílios também lança luz sobre como a educação formal impacta o uso dessa tecnologia. Se 59% dos brasileiros com ensino superior já aderiram à IA, apenas 17% das pessoas que concluíram somente o ensino fundamental utilizam essas funcionalidades.

O estudo indica ainda que a principal barreira relatada pela parcela menos escolarizada da população para não utilizar a inteligência artificial é a falta de habilidade. Essas informações devem servir como alerta para que os avanços da IA não sejam catalisadores de desigualdades sociais.

“A expansão da IA generativa evidencia os desafios da inclusão digital no Brasil. O acesso à tecnologia não basta se a conectividade for limitada ou faltarem habilidades digitais. Esse cenário indica que os benefícios da IA, como ganhos de produtividade e novas formas de aprendizado, podem continuar concentrados nos grupos que, historicamente, já possuem mais oportunidades”, enfatiza Fabio Storino, coordenador da pesquisa TIC Domicílios.

Como o Claude é explorado pelos brasileiros?

Continua após a publicidade

Para além de pesquisas que analisam o ritmo de adoção da IA no cotidiano dos brasileiros, outros levantamentos mostram os hábitos da população dentro de cada plataforma. Um exemplo é uma pesquisa divulgada pela Anthropic no início de 2026, que mostra o perfil de uso do país no Claude.

O relatório Anthropic Economic Index destaca que a redação, revisão e análise de documentos jurídicos e petições judiciais somam 8,2% de todo o uso da ferramenta de IA no país. Esse dado reforça outra informação do estudo, que aponta o Brasil como um dos expoentes do uso da IA para atividades relacionadas ao trabalho.

Outros tipos de solicitações que apareceram em destaque na pesquisa da Anthropic foram a escrita de obras de ficção (4,7%), tarefas relacionadas a código de programação (4,5%) e criação de roteiros (3,9%).

Continua após a publicidade

A empresa também revelou um ranking que coloca o setor de Computação e Matemática como o que mais utiliza o Claude no país, representando 29% das interações. Esse é mais um indicativo de como programadores e desenvolvedores estão compreendendo o potencial da IA para suas atividades.

Outros grupos que também figuram entre os que mais utilizam a plataforma são:

  • Artes, Design, Entretenimento e Mídia (15,2%);
  • Educação e Biblioteconomia (9,3%);
  • Jurídico (5,8%);
  • Apoio Administrativo (4,7%).

Escrita, aprendizagem e programação no ChatGPT

Continua após a publicidade

O ChatGPT é outra ferramenta de inteligência artificial muito popular entre os brasileiros e que oferece um panorama do seu uso no país. Um estudo publicado pela OpenAI (empresa responsável pelo chatbot) informa que, dos 2,5 bilhões de prompts recebidos por dia no mundo, 140 milhões vêm de dispositivos do Brasil.

Além dessa análise quantitativa, que coloca o país como o terceiro que mais utiliza a ferramenta, atrás apenas de Estados Unidos e Índia, a pesquisa divulgada em 2025 também mostrou que tarefas relacionadas à escrita e comunicação dominam o uso da plataforma em território nacional, concentrando 20% dos pedidos.

A empresa também revelou que o ChatGPT é um grande aliado da população brasileira no estudo e aprendizado. Isso porque os dados indicam que 15% dos prompts enviados referem-se a processos de aprendizagem e aperfeiçoamento.

Por fim, mais um dado demonstra como os recursos de IA já estão difundidos entre a comunidade de programadores e desenvolvedores. Mensagens relacionadas à análise de dados e ao desenvolvimento de aplicativos e sites representam 6% de todas as solicitações feitas ao chatbot no Brasil.

Continua após a publicidade

IA como auxílio para compreender temas complexos

Dados divulgados em 2026 pela pesquisa Our Life with AI, desenvolvida pelo Google em parceria com a Ipsos, também ajudam a compreender como os adultos brasileiros exploram os recursos da inteligência artificial no dia a dia.

O estudo aponta que o principal objetivo dos brasileiros ao utilizar ferramentas de IA é aprender coisas novas ou buscar auxílio para entender temas complexos. Essas atividades foram citadas por 79% dos entrevistados.

Continua após a publicidade

Também há quem utilize chatbots para obter ajuda em atividades relacionadas ao trabalho, já que essa ação foi mencionada por 75% dos usuários. Destaca-se ainda o uso de recursos de IA para entretenimento (74%) e geração de mídias (72%).

A adoção da inteligência artificial em rotinas de produção e edição de fotos, vídeos e até mesmo músicas mostra como o perfil de comportamento dos usuários está alinhado ao ritmo de lançamento de novos recursos por parte das empresas responsáveis por IAs generativas.

O levantamento aponta ainda que mais de 80% dos entrevistados desejam aprender mais sobre como explorar as funcionalidades dessa tecnologia. Esse comportamento mostra como a população brasileira enxerga cada vez mais a IA como uma parceira prática para as tarefas diárias.

Continua após a publicidade

Jovens brasileiros também já utilizam IA

Mas a inteligência artificial não parece ter chegado apenas ao cotidiano dos adultos. Cerca de 65% das crianças e adolescentes brasileiros com idades entre 9 e 17 anos já incorporaram a IA às suas rotinas.

Esse dado foi divulgado pela pesquisa TIC Kids Online Brasil, desenvolvida pelo Cetic.br e publicada em 2025. O levantamento revela que a interação com essas ferramentas cresce com o avanço da idade, sendo mais intensa no grupo de 15 a 17 anos em comparação com o de 9 a 10 anos.

A pesquisa também mostra como o público infantojuvenil integrou a IA no dia a dia — e revela um recorte interessante. O estudo constatou que 59% dessa parcela da população utiliza a IA generativa principalmente para realizar pesquisas escolares ou estudar.

Continua após a publicidade

Também foi identificado que os jovens recorrem à IA na busca por informações (42%) e na criação de conteúdos em formatos como texto e imagem (21%). Outro dado que chama atenção é que 10% das crianças e adolescentes usam a IA para conversar sobre problemas pessoais ou emoções.

Assim como as demais informações trazidas pela TIC Kids, esse último indicativo requer um acompanhamento mais próximo por parte de pais e responsáveis. Com isso, é possível mitigar riscos de dependência emocional e intelectual dessas ferramentas logo nos primeiros estágios da vida.

Adoção prática da IA e desafios estruturais

Continua após a publicidade

Os dados revelados por essas pesquisas ajudam a compreender o cenário atual da adoção da IA pelos brasileiros, bem como o comportamento da população em diferentes contextos. E há tanto resultados positivos quanto conclusões que exigem maior atenção.

Por um lado, as informações indicam uma adoção prática da IA em diferentes áreas, como trabalho e aprendizado. Por outro, desigualdades estruturais entre classes econômicas e níveis de educação acendem um alerta sobre como essa tecnologia pode ampliar distâncias sociais no país.

Mais do que discutir se os brasileiros vão aderir à IA, a questão central passa a ser se seus impactos positivos serão distribuídos de forma equilibrada entre toda a população.