Como a Inteligência Artificial já influencia na gestão de pessoas nas empresas

Por Rui Maciel | 25 de Fevereiro de 2021 às 19h50
HR Asia

Não é exatamente uma novidade que a Inteligência Artificial já está presente no nosso dia a dia pessoal e profissional. Seja no atendimento efetuado por um chatbot, em um game, na recomendação de um filme ou em um software que usamos para executar processos em nosso trabalho e muito mais. E agora, essa tecnologia começa a crescer em uma área onde, até pouco tempo, sua presença era um tabu: a de Recursos Humanos - incluindo a gestão de pessoas nas organizações.

Uma pesquisa recente conduzida pela Oracle e pelo Future Workplace descobriu que os profissionais de RH acreditam que a IA pode apresentar oportunidades para que eles dominem novas habilidades e ganhem mais tempo livre. Isso permitiria que os profissionais de RH - e líderes de equipes - expandam suas funções atuais para serem mais estratégicos em sua organização.

No entanto, entre os líderes de RH que participaram da pesquisa, 81% disseram que acham difícil acompanhar o ritmo das mudanças tecnológicas no trabalho. Como tal, é mais importante do que nunca para os profissionais de desse setor compreenderem as maneiras como a IA está remodelando o setor.

E de olho nessa mudança de cenário está a Robbyson, uma plataforma brasileira de People Management que utiliza ciência de dados, Machine Learning e gamificação para engajar, reconhecer e desafiar funcionários de indústrias dos mais diversos setores.

Ao longo de 2020, a companhia viu dobrar o número de clientes e de usuários ativos de sua plataforma. Com a atração de novas marcas em diversos setores da economia — como financeiro, varejo, seguros e telecomunicações — a companhia registrou um aumento de 20% em seu faturamento no passado.

Mas até onde a Inteligência Artificial pode ajudar na gestão de pessoas? Quando um olhar mais humano deve substituir a tecnologia? Para responder essas e outras questões, o Canaltech conversou com Laila Costa, Business Strategy da Robbyson, que explica como funciona a plataforma nesse gerenciamento e já adianta: "nada substitui o contato humano".

Laila Costa, da Robbyson: "A Tecnologia não substitui as pessoas, mas complementa" (Imagem: Divulgação / Robbynson) 


Confira como foi o papo:

Canaltech - De que forma a inteligência artificial pode impactar na gestão de pessoas e negócios?

Laila Costa: De muitas formas. Desde o mapeamento e mensuração de perfis de consumidores, até por meio de insights, a partir de grandes volumes de dados gerados, que podem auxiliar gestores no dia a dia de suas áreas e equipes.

Na Robbyson acreditamos que tudo que pode ser medido, pode ser melhorado. Então, sempre que coletamos dados, podemos usar essas informações para o bem, ajudando gestores a projetarem futuros, ou com insights para uma tomada de decisão com mais segurança.

CT - É possível utilizar a inteligência artificial para medir e acompanhar indicadores de performance individuais?

L.C.: É exatamente o que fazemos. Na Robbyson, o comportamento observado, por meio dos grandes volumes de dados coletados, permite com que mesmo empresas com milhares de funcionários, possam fazer uma gestão até o nível de cada indivíduo.

Nós conseguimos fazer recomendações personalizadas sobre como desempenhar uma função ou superar um desafio, dar dicas sob medida, recomendar treinamentos ou leituras para cada pessoa. Temos também uma aplicação de IA que são as predições, seja para comportamentos e atitudes, seja para performance de funcionários. A gestão individual por indicadores é peça fundamental na gestão de pessoas atualmente. Cada um deve se sentir reconhecido por aquilo que entrega e ter a possibilidade de melhorar em cada oportunidade identificada.

Isso é meritocracia e gera engajamento e satisfação dos colaboradores.

CT - Com a IA, os colaboradores poderão receber feedbacks automáticos ou virtuais?

L.C.: Sim. É claro que o contato humano nunca será ou deverá ser substituído, mas para questões do dia a dia que são processuais, a inteligência artificial se torna uma grande aliada do gestor de uma equipe.

A Robbyson, por exemplo, vai ainda mais além. A plataforma pergunta diariamente ao usuário sobre como ele está se sentindo. E entre as respostas “Top Demais, “Tô de boa” e “Tô pra baixo”, a ferramenta consegue identificar o clima de uma equipe e filtrar até aquele colaborador reincidente em um humor “Tô pra baixo” e orientar para que procure pelo gestor e compartilhe seus problemas, caso queira. A Robbyson também sinaliza ao gestor sobre o humor daquele colaborador e sugere uma aproximação individual.

Nas questões da rotina do trabalho, a Robbyson consegue predizer se a performance de um colaborador não alcançará resultados em um determinado período e o orienta sobre o que fazer. Esses feedbacks chegam até o usuário em forma de notificações, mensagens do nosso chatbot e também pela nossa funcionalidade de ensino à distância (EAD) que consegue, por exemplo, sugerir um treinamento específico a um colaborador que precise de uma capacitação identificada pela própria plataforma.


CT - Usar a IA para tais feedbacks não elimina uma parte importante da avaliação, que é o olhar humanizado? Ou o olhar de quem conhece o negócio mais a fundo e que a tecnologia não consegue perceber?

L.C.: Não elimina porque não substitui. Ela agrega. Se torna mais uma parte do processo e mais: torna o processo mais justo, pois se baseia em dados e não em opiniões ou preferências.

Como dito anteriormente, nada substitui o que o humano pode fazer. E o que ele pode fazer de melhor é criar e sentir. Isso não está em jogo na aplicação da Inteligência Artificial na gestão de pessoas. O que a I.A adiciona ao processo é uma leitura analítica e objetiva de cenários que oferece ao gestor ainda mais insumos para uma gestão mais inteligente, produtiva e assertiva.


CT - Qual é o impacto da IA na gestão de grandes equipes?

L.C.: A capacidade exponencial de alcançar muito mais pessoas do que normalmente. O impacto está principalmente na satisfação dos colaboradores e isso resulta diretamente no aumento da produtividade.

O objetivo deve ser sempre o engajamento e o reconhecimento dos colaboradores de forma justa. Uma gestão otimizada, produtiva e a excelência nos serviços prestados são consequências naturais deste processo.

Um ambiente corporativo onde pilares como comunicação, transparência, reconhecimento e autogestão são praticados de forma correta, é um ambiente com excelente clima organizacional, pessoas felizes e que trabalham para a melhor performance da empresa.

Este é o grande impacto da IA na gestão de grandes equipes. Não é somente a aplicação da tecnologia pura. Isso é automação e pode até funcionar para áreas específicas de trabalhos robotizados.

Onde há pessoas, há a necessidade de uma gestão inteligente. Com análise, com planejamento, com ideias, inovação e gestão individualizada. A boa aplicação da IA é fundamental em todos estes aspectos.


CT - Como a Robbyson avalia o futuro do uso da IA pelas empresas no Brasil?

L.C.: A avaliação é de que o uso tende a crescer. Atualmente, o uso está centralizado para traçar perfis de consumo e muito relacionado ao comportamento do consumidor e não a gestão de pessoas, equipes e indicadores. A tendência é de que a IA comece a ser utilizada como inteligência de negócio, de forma mais democrática, ampla e integrada.

CT - Com a IA, é possível criar ambientes de trabalho mais justos ou meritocráticos? Que parâmetros ela leva em conta para definir condições justas nesse sentido?

L.C.: A IA é parte fundamental na criação deste ambiente. Com a medição de indicadores individualizados, um gestor consegue ter conhecimento sobre os talentos e oportunidades de cada colaborador. Isso o ajuda a direcionar os colaboradores a funções de acordo com seu perfil e acordar metas justas para cada pessoa.

É possível saber quem merece ser reconhecido. Na Robbyson, existe a funcionalidade da Central de Trocas e um método de reconhecimento gamificado por meio de uma moeda virtual, os Coins. À medida que o usuário alcança suas metas, ele acumula Coins, que podem ser trocados por itens ou experiências em uma Central de Trocas personalizada por níveis que também são medidos com base na conquista da moeda.

Esta é uma forma de trazer reconhecimento de forma mais ágil e justa aos colaboradores que veem seus esforços sendo recompensados em um curto prazo.

A médio e longo prazo, o gestor consegue avaliar por meios dos indicadores, a performance de um colaborador e indica-lo a uma promoção, troca de área ou função baseado em seu comportamento nos indicadores.

CT - O que a IA ainda não consegue fazer pela gestão de pessoas hoje, mas será capaz de fazer em um futuro próximo?

L.C.: Do ponto de vista de viabilidade, não existe nada que não possa ser executado.

Porém, é preciso que exista um uso cada vez maior para que o dado seja mais aperfeiçoado e mais preciso (o que chamamos de acurácia). Assim, a I.A. consegue ser cada vez mais assertiva.

CT - Como não perder a dimensão humana da gestão com o uso de IA?

L.C.: Antes de mais nada, é preciso lembrar que nenhuma máquina é capaz de substituir pessoas. Elas existirão sempre para melhorar outras pessoas e negócios.

É preciso fazer um uso inteligente e equilibrado da IA. É necessário que haja bom senso e que nunca se perca o interesse pessoal por suas equipes e indivíduos.

Só o humano é capaz de sentir. As emoções serão sempre de grande importância em um ambiente de relações que são humanas. A tecnologia deve existir para ser uma grande aliada e não uma encurtadora ou substituta de relações.

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