Nova técnica promete deixar objetos sólidos "invisíveis"

Nova técnica promete deixar objetos sólidos "invisíveis"

Por Gustavo Minari | Editado por Douglas Ciriaco | 19 de Abril de 2021 às 17h05

Muita gente já sonhou em ficar invisível, pelo menos por alguns instantes, como fazia o bruxinho Harry Potter enquanto bisbilhotava pelos corredores da Grifinória. Agora, cientistas da Universidade TU Wien, na Áustria, e da Universidade Utrecht, na Holanda, acreditam ter descoberto uma fórmula não mágica para tornar objetos sólidos “invisíveis”.

Os pesquisadores conseguiram calcular uma variedade específica de ondas de luz que têm a capacidade de penetrar em um objeto e sair do outro lado como se esse item não estivesse lá.

"Cada um desses padrões de onda de luz é alterado e desviado de uma maneira muito específica quando você o envia através de um meio desordenado", explicou o professor Stefan Rotter.

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Sem varinha mágica

Todos os objetos que conseguimos enxergar se tornam visíveis por causa da dispersão das ondas de luz, que refletem de uma determinada fonte direto para os processadores ópticos do olho humano.

Para contornar obstáculos físicos, os cientistas usaram uma camada de pó de óxido de zinco opaco com nanopartículas dispostas aleatoriamente. A partir daí, eles conseguiram calcular como a luz é espelhada pelo pó e descobriram um certo tipo de onda que foi detectado do outro lado da barreira de óxido de zinco com o mesmo padrão, apenas um pouco mais fraco.

A luz atravessa objetos como se eles não estivessem lá (Imagem: Reprodução/TU Wien University)

“Existe um número teoricamente ilimitado de ondas de luz. Isso significa que, embora sejam difíceis de calcular, eles podem ser encontrados”, completa o professor Allard Mosk.

Ao tentar deixar um item invisível, os cientistas geralmente procuram soluções para dobrar um tipo específico de luz ao redor desse objeto. Já essa nova técnica permite penetrar diretamente no objeto como se ele não oferecesse resistência física ou visual.

Medicina do futuro

Uma das aplicações mais promissoras para a “invisibilidade” desenvolvida pelos cientistas está na biomedicina, como nos exames de imagem usados para “enxergar” através das várias camadas do nosso corpo.

“A característica desses campos de atravessar barreiras pode ser muito útil para olhar profundamente dentro de materiais altamente dispersos que são normalmente muito difíceis de trabalhar, como células e tecidos”, disse o professor Rotter.

Invisibilidade, por enquanto, só nos filmes (Imagem: Reprodução/Warner Bros.)

A tecnologia ainda não está totalmente pronta, já que a complexidade e a movimentação do fluxo sanguíneo, por exemplo, dificultam os cálculos necessários para que a luz passe pelo objeto. Para que isso acontecesse, as medições teriam que ser feitas numa escala muito mais rápida que as mudanças de posição.

Segundo os pesquisadores, por enquanto, a descoberta pode ajudar nos exames de estruturas menores, como células isoladas, mas nada impede que em um futuro próximo ela seja aplicada em projetos maiores, como no escaneamento do corpo humano, como se ele fosse transparente.

Você acredita que a ciência vai conseguir algo parecido com a invisibilidade longe dos livros de magia? Comente.

Fonte: Nature Photonics

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