Pesquisadores conseguem deixar objeto invisível em laboratório

Por Ares Saturno | 03 de Julho de 2018 às 17h16

Quem nunca sonhou em ter a invisibilidade como superpoder? Se depender dos pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisa Científica (INRS, na sigla em francês) de Montreal, no Canadá, esse sonho não está tão longe de se tornar realidade. A equipe, liderada pelo Professor José Azaña, conseguiu a proeza de tornar um pequeno objeto invisível ao ser iluminado com luz de espectro completo.

Não é a primeira vez que objetos são tornados invisíveis em laboratório, pois já eram frequentes os estudos que, em certas frequências de luz, como por exemplo a vermelha, faziam com que objetos se tornassem completamente impossíveis de serem enxergados. Entretanto, é a primeira vez que alguém consegue fazer um objeto se tornar invisível não importando a qual frequência do espectro de cores ele é exposto. “O problema é que as diferentes cores ou frequências do espectro da luz requerem diferentes intervalos de tempo para atravessar o dispositivo de invisibilidade. Como resultado, a distorção temporal criada em torno do dispositivo revela sua presença, arruinando o efeito de invisibilidade”, explica o professor Azaña.

As vantagens de ser invisível

pesquisadores de Montreal conseguiram deixar um objeto completamente invisível (Foto: Vince Fleming / Unsplash)

O diferencial do estudo da equipe de Azaña é que as ondas se propagam através do objeto, e não ao redor dele. Desta forma, as tais distorções são indetectáveis ao olho humano.

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O segredo é deslocar, antes de tudo, as frequências de luz para regiões do espectro que não serão afetadas pelo reflexo ou absorção da luz pelo objeto a se tornar invisível. Desta forma, caso o objeto seja de cor verde, por exemplo, é porque ele reflete ondas de frequência condizentes com a cor verde. Os pesquisadores deslocam a luz dessas frequências para o azul de modo que, quando o objeto for iluminado, não restarão feixes de cor verde para serem refletidos. Quando não há luz de frequências verdes em direção ao objeto, o dispositivo de invisibilidade desfaz a alteração que causou o deslocamento das ondas. “Dessa forma, nem o objeto a ocultar nem o próprio dispositivo de invisibilidade são detectados”, observa Azaña.

Aplicações imediatas

Perito em comunicações e Professor da Universidade Miguel Hernández de Elche, Carlos Rodríguez Fernández-Pousa explica que a inovação tem aplicações imediatas no campo das telecomunicações: “Por exemplo, com a reorganização do espectro de energia do sinal haveria redução das interferências, do ruído e da dispersão do sinal, bem como de outros efeitos indesejados que afetam a transmissão de dados atualmente”.

Aparelho utilizado para deslocar as frequências dos objetos (Foto: L.R. Cortés e J. Azaña / INRS)

Mas a equipe de Montreal não se dá por satisfeita e está trabalhando na próxima fase da pesquisa: "Estamos trabalhando na generalização das equações para tornar um objeto invisível em duas dimensões. E, se possível, queremos chegar algum dia a objetos tridimensionais macroscópicos ", diz Azaña.

Ondas que não as eletromagnéticas também respondem às técnicas utilizadas pela equipe. Isso significa que, em fases posteriores do estudo, inovações podem ser aplicadas no isolamento térmico e acústico, ou mesmo tornar edifícios inteiros invisíveis à ação de terremotos, que nada mais são que ondas mecânicas.

Fonte: El País

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