A moda da realidade aumentada: como a tecnologia reconecta clientes e marcas

A moda da realidade aumentada: como a tecnologia reconecta clientes e marcas

Por Gustavo Minari | Editado por Douglas Ciriaco | 30 de Maio de 2021 às 17h00
Reprodução/Boticário

Os aplicativos de realidade aumentada (RA) estão, literalmente, na moda. A ferramenta tem se tornado uma opção interessante para comerciantes e clientes mais conectados, que preferem “provar” uma roupa ou um acessório sem ter que sair de casa.

Um estudo realizado pela consultoria Euromonitor International revela que o uso da realidade aumentada em produtos relacionados ao e-commerce deve movimentar cerca de U$ 83 bilhões (R$ 440 bilhões) até 2025. Só no ano passado, os valores globais gastos para a implantação desse tipo de tecnologia cresceram 78,5%.

“Consumidores indecisos tendem a solicitar vários itens antes de comprar e sempre acabam devolvendo aquilo que não gostam ou o que não serve. Isso é frustrante para o cliente e caro para o lojista. A realidade aumentada melhora essa experiência e garante maior eficiência para os negócios”, comenta a pesquisadora da Euromonitor Alison Angus.

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Para todos os gostos

No mundo da moda, exemplos da aplicação desse tipo de tecnologia são cada vez mais comuns. A Gucci usa um aplicativo de realidade aumentada em que os clientes podem experimentar um tênis de luxo da marca, o Ace, sem ter que ir até uma loja física. Basta apontar a câmera do smartphone para os pés e ver se eles ficam bem a ponto de valer a pena gastar quase R$ 4 mil em um par de calçados da uma das marcas mais conhecidas do mundo.

Se você não tem toda essa grana e prefere ficar em um segmento um pouco mais popular, a Zara também aposta na RA para atrair os clientes. Um aplicativo instalado no celular permite que o usuário interaja com as peças expostas nas vitrines e consiga comprar qualquer produto da loja com apenas um clique.

De olho nesse mercado, a empresa norte-americana Zugara criou um provador virtual de roupas masculinas e femininas, que funciona dentro da própria loja física. Em frente a um espelho inteligente, o cliente pode mudar digitalmente as cores das roupas para escolher qual tonalidade lhe cai melhor, como mostra o vídeo abaixo.

Uma comodidade e tanto para aqueles consumidores indecisos, que não conseguem escolher entre as várias opções de cores do mostruário e que agora não precisam mais lotar o provador com peças de roupas que depois vão ter que voltar para o cabide.

Aqui no Brasil, a WEBCORE desenvolveu uma solução de realidade aumentada para o lançamento de uma coleção de Jeans da C&A. No próprio aplicativo da marca, é só clicar na aba “experimente-se”, ativar a câmera e apontar o celular para a vitrine da loja. O pôster com a modelo ganha “vida” e ela traz todas as informações sobre a calça, a blusa ou o vestido, criando uma experiência muito mais interativa e divertida do que uma simples foto estática.

“Com a realidade aumentada, as lojas buscam uma forma de proporcionar aos clientes uma experiência inovadora, marcante e que reforce a marca. É também uma forma de expandir a visualização da câmera do celular, independente do local onde a pessoa está. Eu posso ver um quadro virtual na parede da minha casa, ver um móvel ou um eletrodoméstico em um dos meus cômodos ou mesmo ver um carro em tamanho real para saber mais sobre as suas cores e acessórios”, explica o CEO da WEBCORE, Fernando Chamis.

Realidade aumentada na pele

O setor de maquiagens e cosméticos também passou a adotar a RA para trazer novas experiências para o consumidor. Nos últimos meses, a Sephora contabilizou um aumento de 28% no número de downloads do aplicativo Virtual Artist, que permite escolher a cor do batom ou a sombra perfeita de acordo com o formato dos olhos ou a tonalidade da pele.

Por aqui, o Boticário se transformou na primeira empresa brasileira a utilizar a tecnologia de realidade aumentada do Youtube. A campanha de lançamento dos novos batons da linha Make B direcionava o usuário para uma página de ação onde ele podia testar 15 opções com tonalidades diferentes, como se estivesse presencialmente na loja.

Segundo a empresa, em dois meses de campanha, sete milhões de pessoas foram impactadas pela iniciativa, alcançando mais de 94 mil participações dentro do aplicativo — um resultado oito vezes maior do que o conquistado em ações digitais anteriores no Youtube. A taxa de cliques também foi duas vezes mais alta do que a média brasileira.

“O evento da pandemia pegou todo mundo de surpresa. Tínhamos que promover os lançamentos de acordo com as novas regras de biossegurança, com os clientes longe das lojas. O uso da tecnologia de realidade aumentada teve que ser ampliado em tempo recorde, não só para suprir a necessidade dos clientes, mas também para gerar receita em todos os canais de vendas”, explica o Head de Mídia e Performance do Boticário, Célio Guida.

A evolução da RA tem se mostrado uma peça chave no processo de reinvenção do relacionamento entre marcas e clientes. Além de ser um avanço tecnológico, a realidade aumentada favorece a inclusão de pessoas com deficiências físicas ou com problemas de mobilidade, por exemplo, criando produtos que se adaptam a qualquer usuário, independente de peso, cor ou classe social.

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