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O que é o Core Chiplet Die nos processadores?

Por  • Editado por Jones Oliveira | 

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Reprodução/AMD
Reprodução/AMD

Se você acompanha a evolução do hardware nos últimos anos, certamente notou que a corrida dos núcleos acelerou de forma impressionante. Mas você já parou para pensar como as fabricantes conseguiram empilhar tanta performance sem tornar os preços astronômicos ou os chips impossíveis de fabricar? A resposta está em uma mudança radical de filosofia que abandonou o design tradicional de peça única.

O segredo dessa revolução tem um nome e tem sido amplamente adota pela indústria: o Core Chiplet Die. Foi essa mudança na engenharia do silício que permitiu à indústria virar a mesa no mercado de CPUs, saindo da estagnação para saltos gigantescos de desempenho.

Neste artigo, vamos abrir o processador para entender o que é essa tecnologia, como ele superou as limitações do passado monolítico e por que essa estratégia modular, semelhante a um brinquedo de montar, é o presente e o futuro da computação de alto desempenho.

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Desafios do design monolítico

Para entender a revolução dos chiplets, primeiro precisamos olhar para o design monolítico. Tradicionalmente, processadores eram fabricados como uma única peça inteira de silício. Uma forma prática de entender isso é a seguinte: imagine isso como um grande condomínio onde todos os apartamentos, a portaria e as áreas comuns são construídos sob o mesmo teto, em uma única estrutura. Essas são representações das diferentes partes da CPU.

No design tradicional (monolítico), todos os componentes do processador (núcleos, controladora de memória e gráficos integrados) são fabricados em um único bloco de silício. O problema é que, se uma pequena parte crítica desse "super chip" falhar na linha de produção, a peça inteira muitas vezes precisa ser descartada. Isso torna a fabricação de chips com muitos núcleos extremamente cara e ineficiente.

A solução é o Core Chiplet Die. De forma generalista, esse termo refere-se a qualquer "die" (um pedaço individual de silício) especializado em uma função específica dentro do processador. Em vez de um bloco gigante, temos vários chiplets menores que, juntos, formam o cérebro do computador.

Chiplet Die vs. Core Complex Die: não confunda as siglas

Aqui é onde muitos entusiastas se perdem. É comum vermos a sigla CCD (Core Complex Die) ser usada para os dois conceitos que, embora parecidos, possuem hierarquias diferentes. O Core Chiplet Die é o termo amplo e generalista e define a unidade modular de silício. Podemos ter chiplets de entrada e saída (I/O), chiplets de memória ou chiplets de núcleos.

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Já o Core Complex Die é mais específico, popularizado pela AMD na arquitetura Ryzen. Ele se refere especificamente ao chiplet que carrega os núcleos de processamento e a memória cache L3. A regra para não errar mais é simples: todo Core Complex Die é um Core Chiplet Die, mas nem todo Core Chiplet Die é um Complex Die.

Um chiplet focado apenas em conectividade (como o I/O Die), por exemplo, é um Core Chiplet Die, mas nunca será um Core Complex Die, pois não possui os núcleos de processamento.

Vantagens do Core Chiplet Die

A adoção do design baseado em chiplets não foi apenas por estética de engenharia, mas por pura necessidade logística e econômica. Como tudo, existem as vantagens e as desvantagens.

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Começando pelos benefícios, temos o rendimento de fabricação. É muito mais fácil fabricar dez chips pequenos sem defeitos do que um chip grande. Se um Core Chiplet Die sai com defeito, você descarta apenas aquele pequeno pedaço de silício, e não o processador inteiro. Isso reduz drasticamente o desperdício.

A escalabilidade é outra grande vantagem. Quer um processador de 8 núcleos? Use um chiplet de núcleos. Quer um de 16? Basta "colar" dois (como a AMD tem feito desde a primeira geração de Ryzen). Isso permite que as empresas criem uma linha vasta de produtos usando as mesmas peças fundamentais, como um Lego.

Desvantagens do Core Chiplet Die

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Latência de comunicação é um desafio no design modular. Em um chip monolítico, a comunicação é instantânea. No design de chiplets, os dados precisam ir de um Core Chiplet Die para outro através de um barramento (como o Infinity Fabric da AMD). Esse caminho físico maior gera latência, o que pode impactar o desempenho em tarefas sensíveis, como jogos.

Transportar dados entre diferentes dies consome mais energia do que movê-los dentro de um único bloco de silício. Isso exige um gerenciamento energético muito mais refinado para manter a eficiência.

Fechando as desvantagens, existe a complexidade do interconector. A "cola" que une esses chiplets precisa ser extremamente sofisticada. Criar um barramento que consiga interligar vários Core Chiplet Dies sem criar um gargalo é um dos maiores desafios de engenharia da atualidade.

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Conclusão

A implementação da arquitetura de chiplets foi fundamental para a ascensão meteórica da AMD, permitindo que a empresa oferecesse processadores com contagens de núcleos mais altos a preços competitivos. Mais do que uma solução técnica para a família Ryzen, essa abordagem modular provou ser o caminho para o futuro.

Hoje, ela não é apenas um diferencial, mas uma tendência que está moldando todo o design de semicondutores de alta performance, influenciando como a indústria pensa a próxima geração de computação. Algo, inclusive, seguido pela rival Intel também.