Confira detalhes da nova geração de processadores da AMD

Por Pedro Cipoli | 12 de Maio de 2014 às 17h00

A Advanced Micro Devices (AMD) tem excelentes notícias para entusiastas de performance, já que anunciou oficialmente que sua próxima geração de processadores de alto desempenho será construída "do zero". A geração atual nada mais é do que melhorias da arquitetura Bulldozer, que foi seguida pela Vishera e pela Steamroller e teria uma quarta geração chamada Exavator. Mas assim como a geração Richland de APUs é um "refresh" da segunda geração Trinity e o Haswell é um "Tac" da Intel em relação ao Ivy Bridge, estamos falando praticamente da mesma tecnologia.

Essa nova geração, que ainda não conta com um nome oficial, trará duas características que, se forem bem implementadas, resolverão o calcanhar de Aquiles dos processadores da AMD: sua baixa eficiência de processamento single-core. Grande parte dos modelos da empresa conta com mais núcleos pela mesma faixa de preços em relação aos modelos da Intel, o que não se traduz necessariamente em mais poder de processamento por uma série de motivos, entre eles a pouca otimização multicore dos programas atuais e o baixo desempenho single-core.

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Mesmo com 8 núcleos, o FX-9590, modelo que chega a 5 GHz em modo turbo, não consegue bater os modelos mais avançados da Intel, que contam com apenas 4 núcleos tanto em benchmarks quanto em games. A AMD irá trabalhar essa eficiência single-core, e para isso terá que abandonar o projeto atual de seus modelos e construir essa nova geração realmente do zero, criando uma arquitetura mais otimizada que trabalhe melhor em programas que não conseguem lidar com 2 ou 4 núcleos. Então, provavelmente veremos novas instruções de processador por aí, além de um processo de litografia menor e uma reorganização das caches L1, L2 e L3.

O segundo ponto é que finalmente a AMD irá implementar a capacidade de executar duas threads por vez, tecnologia bastante famosa nos processadores Intel conhecida como Hyperthreading. No caso da Intel, o Hyperthreading é conhecido oficialmente como Simultaneous Multi Threading (SMT), e é inspirado em um projeto da IBM dos anos 70. A AMD usará o mesmo projeto, mas chamará a sua implementação de Clustered Multi Threading (CMT), prometendo ser ainda mais modular do que a versão da Intel.

É importante lembrarmos que a Intel passou anos melhorando a eficiência do SMT até chegar na eficiência que ele tem hoje, que oferece um ganho entre 20-30% por core. As primeiras versões, implementadas na época do Pentium 4 HT, eram altamente ineficientes, muitas vezes diminuindo o desempenho final – quando não oferecia um ganho desprezível de 3-4%. Por isso, a ambição da AMD de implementar o CMT logo de primeira com o mesmo nível de otimização que a Intel oferece hoje deve ser vista com um pouco de ceticismo, mas é bom que ela implemente mesmo assim, tendo a oportunidade de melhorar sua eficiêcia com o tempo.

Segundo Jim Keller, arquiteto de chips da AMD, a empresa está construindo a nova geração do zero para não cometer os mesmos erros da geração Bulldozer. Mas a má notícia é que só teremos a oportunidade de ver essa geração em 2016 ou 2017, e detalhes de preço, nome e projeção de performance ainda são um mistério. Nesse meio tempo a AMD provavelmente focará na sua linha da APUs, que está fazendo um bom sucesso entre os consumidores e que será migrada para a linha de servidores.

Fonte: WCCF Tech

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