Apple apresenta M5 Pro e M5 Max com arquitetura Fusion e desempenho absurdo
Por Jones Oliveira | •

A transição da Apple para seus próprios processadores provou ser um dos movimentos mais acertados da história da tecnologia. Nesta terça-feira (3), a companhia de Cupertino deu mais um passo para se consolidar nesse segmento com o anúncio dos novos chips M5 Pro e M5 Max.
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Projetados para equipar a nova geração do MacBook Pro, esses processadores marcam a estreia de uma abordagem inédita na construção de silício da Maçã, batizada de Fusion Architecture. A novidade afeta, principalmente, como os componentes se comunicam internamente, além de aumentar o desempenho para fluxos de trabalho profissionais pesados e de inteligência artificial.
Em um cenário onde a demanda por poder computacional cresce a cada dia, impulsionada principalmente pela execução de grandes modelos de linguagem (LLMs) e renderização 3D complexa, a Apple aposta em uma arquitetura que combina eficiência energética com força bruta.
"Os chips M5 Pro e M5 Max são um salto monumental para o Apple Silicon, aproveitando nossa nova Fusion Architecture para escalar as capacidades e preservar os princípios centrais de desempenho", destacou Johny Srouji, vice-presidente sênior de Tecnologias de Hardware da Apple.
Mas o que exatamente torna essa nova geração tão especial para quem busca atualizar seu antigo MacBook Pro para o trabalho pesado ou criação de conteúdo? A resposta está nos detalhes técnicos e na forma como a Apple decidiu enfrentar a concorrência direta na indústria de semicondutores.
O segredo da Fusion Architecture
Até a geração M4, a Apple adotava uma estratégia relativamente simples e linear para escalar seus processadores: a versão Pro continha essencialmente dois chips base, enquanto a versão Max abrigava quatro.
Com a família M5, a fabricante introduziu a Fusion Architecture com um design que conecta duas matrizes (dies) fabricadas em litografia de 3 nm de terceira geração em um único SoC, utilizando métodos de empacotamento avançados que garantem altíssima largura de banda e baixíssima latência na comunicação interna.
Para entendermos a importância disso, basta olharmos para o mercado atual de PCs. Por anos a Intel focou em uma abordagem desagregada dividida em tiles (como vimos nos recentes processadores Core Ultra 300), enquanto a AMD continua aprimorando seus chiplets nos processadores Ryzen. Embora eficientes em reduzir custos de produção, essas soluções frequentemente esbarram em pequenos gargalos de latência na comunicação entre os blocos do processador.
A Qualcomm, por sua vez, foca em SoCs monolíticos com o Snapdragon X Elite, mas ainda limitados em escalabilidade gráfica de altíssimo desempenho. A Fusion Architecture da Apple se diferencia ao unificar duas matrizes de alta densidade – contendo CPU, GPU escalável, Media Engine, Neural Engine e controladores Thunderbolt 5 – sob um mesmo controlador de memória unificada. Isso mitiga gargalos de comunicação e entrega um paralelismo inédito no mercado de notebooks.
O coração dessa inovação é a nova CPU de 18 núcleos presente em ambos os novos chips. A Apple abandonou as nomenclaturas convencionais e introduziu os chamados "super núcleos". São seis super núcleos projetados para entregar mais desempenho single-thread, apoiados por uma maior largura de banda de front-end e uma nova hierarquia de cache.
Trabalhando em harmonia com eles, temos 12 novos núcleos de desempenho, totalmente otimizados para cargas de trabalho multithread mais eficientes. Juntos, eles oferecem um desempenho até 2,5 vezes superior ao saudoso M1 Pro e M1 Max.
M5 Pro: Sob medida para fluxos de trabalho exigentes
O M5 Pro foi feito com foco em profissionais que precisam de muito poder de processamento e gráficos robustos, mas que não necessariamente operam no limite extremo da criação 3D em tempo real. Seu público-alvo são modeladores de dados, designers de som em pós-produção e estudantes ou pesquisadores de áreas STEM.
Escalando a partir do chip M5 base, o M5 Pro combina a nova CPU de 18 núcleos com uma GPU de até 20 núcleos. O grande salto aqui é a presença de um Acelerador Neural embutido em cada um dos núcleos da GPU. Na prática, isso, somado aos quatro núcleos de CPU a mais em relação à geração anterior, resulta em um salto de 30% em desempenho multithread frente ao M4 Pro e mais de quatro vezes o pico de computação de GPU para tarefas de inteligência artificial.
Além disso, o chip suporta até 64 GB de memória unificada operando com uma largura de banda impressionante de 307 GB/s.
Para os criadores de conteúdo que dependem de renderização visual, o M5 Pro traz um núcleo de sombreamento aprimorado com cache dinâmico de segunda geração e suporte a mesh shading acelerado por hardware. O resultado prático é um desempenho gráfico até 20% superior ao M4 Pro, além de uma melhoria substancial de 35% em aplicativos que utilizam ray-tracing, permitindo visualizar projetos 3D de maneira muito mais fluida.
M5 Max: Desempenho absurdo para o topo do mercado
Se o M5 Pro já é a ferramenta de trabalho definitiva para a grande maioria dos profissionais criativos, o M5 Max é o verdadeiro "monstro" da nova geração. Ele é destinado a animadores 3D, desenvolvedores de aplicativos de grande escala e pesquisadores de inteligência artificial que exigem o processamento local de inferências e treinamentos complexos.
O M5 Max mantém a mesma CPU avançada de 18 núcleos do seu irmão menor, mas dobra a capacidade gráfica, ostentando uma GPU massiva de até 40 núcleos. O suporte à memória unificada também escala agressivamente, alcançando o teto de 128 GB com uma largura de banda colossal de 614 GB/s.
É exatamente essa combinação de memória vasta e transferência de dados ultrarrápida que permite ao M5 Max entregar resultados absurdos na geração de tokens para grandes modelos de linguagem (LLMs) locais ou ao manipular cenários gigantescos em softwares de renderização.
Em termos de ganhos geracionais, a nova arquitetura de CPU do M5 Max oferece um desempenho multithread até 15% superior ao M4 Max. No departamento gráfico, ele entrega 20% mais performance bruta em relação ao seu antecessor direto e impressionantes 2,2 vezes mais desempenho quando comparado ao M1 Max. Tarefas de luz e sombra que dependem de ray-tracing ganham um impulso de 30% sobre o M4 Max, consolidando o novo SoC como a melhor escolha para quem não se contenta com nada além do melhor.
| Comparativo: Apple M5 Pro vs Apple M5 Max | ||
| Especificação | Apple M5 Pro | Apple M5 Max |
| Arquitetura | Fusion Architecture (3nm) | Fusion Architecture (3nm) |
| Núcleos de CPU | 18 (6 Super + 12 Desempenho) | 18 (6 Super + 12 Desempenho) |
| Núcleos de GPU | Até 20 núcleos | Até 40 núcleos |
| Acelerador neural | Sim, em cada núcleo da GPU | Sim, em cada núcleo da GPU |
| Memória unificada máxima | Até 64 GB | Até 128 GB |
| Largura de banda de memória | 307 GB/s | 614 GB/s |
| Conectividade | Thunderbolt 5 | Thunderbolt 5 |
| Público-alvo | Modeladores de dados, designers de som, engenheiros, estudantes STEM | Animadores 3D, desenvolvedores de apps pesados, pesquisadores de IA |
Disponibilidade dos novos chips Apple M5
A estreia dos chips M5 Pro e M5 Max com a da Fusion Architecture mostra como a Apple enxerga o futuro da computação profissional: intimamente ligado à inteligência artificial processada localmente e sem nenhum gargalo físico no hardware. Tudo isso, claro, sem abrir mão da eficiência energética e da bateria de longa duração.
Os novos MacBook Pro equipados com a família M5 entram em pré-venda já nesta quarta-feira (4), com disponibilidade global e chegada às prateleiras das lojas marcada para a próxima quarta-feira, dia 11 de março.
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