Análise | Crucial MX500 SSD dá novo fôlego ao PC por um preço atraente

Até 20 anos atrás, o maior gargalo de desempenho nos computadores pessoais era a memória RAM. Apesar de na época o Windows 98 ter chegado enxuto aos PCs, rodar um joguinho mais pesado como Outcast, Quake Arena e Counter-Strike fazia os Pentium III e AMD K6-2 empacarem. A solução era comprar um novo pente de memória RAM e atualizar os 16 MB ou 32 MB para 64 MB ou 128 MB. Bastava isso para o computador parar de travar e começar a voar.

Esse cenário começou a mudar com a chegada do Windows XP ao mercado. Com novos recursos gráficos, o sistema exigia muito mais dos computadores e não demorou para que as fabricantes percebessem que deveriam montar máquinas com no mínimo 256 MB de RAM. Ao longo dos anos, essa e outras especificações técnicas ficaram cada vez mais robustas, a ponto de hoje um computador básico vir com pelo menos 8 GB de RAM de fábrica. Mas um componente em específico não acompanhou essa evolução tão bem quanto muita gente gostaria: os discos rígidos.

Obviamente que eles não são os mesmos de duas décadas atrás e muitas de suas características foram atualizadas nesse tempo, mas com o surgimento dos SSDs eles se tornaram um dos principais culpados dos gargalos de performance das máquinas atuais. Pude constatar isso ao substituir meu antigo HDD pelo Crucial MX500, alvo desta análise.

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Portanto, antes de seguir adiante quero alertá-lo que esta análise não é comparativa com outros modelos de SSD. Ao invés disso, este texto tem uma abordagem muito mais prática e voltada para você que quer ver seu desktop ou notebook voando baixo de novo sem gastar muito dinheiro montando uma máquina nova.

O produto

Quem não está familiarizado com o mercado de SSDs, ou de hardware em geral, pode nunca ter ouvido falar da Micron, dona da marca Crucial, e achar que ela é uma intrusa entre nomes mais conhecidos como Samsung, Kingston e até mesmo HyperX. A verdade, porém, é que a empresa já está na estrada e investindo no mercado brasileiro há algum tempo.

Sem firulas, o Crucial MX500 aposta na simplicidade e bom funcionamento para conquistar o usuário
Sem firulas, o Crucial MX500 aposta na simplicidade e bom funcionamento para conquistar o usuário

Inicialmente, a Micron fez seu nome por aqui com os módulos de memória da linha Ballistix, que têm um forte apelo junto ao público gamer e que busca por alto desempenho. Depois a empresa apostou no lançamento de SSDs da marca Crucial, que recebe atualizações todos os anos.

Em 2018, o principal lançamento da categoria é o MX500, cujas principais características são qualidade, desempenho e preço competitivo. Ao todo, o portfólio é composto por sete modelos diferentes, sendo quatro deles no padrão SATA (indo de 250 GB a 2 TB de armazenamento) e três no padrão M.2 (indo de 250 GB até 1 TB). No Canaltech, recebemos o modelo CT1000MX500SSD1 de 1 TB de capacidade e que utiliza a interface SATA 3.

Em questão de visual, a Crucial optou pela simplicidade. Nem na caixa nem no componente em si vemos a empresa esbanjar - tudo é básico e funcional, sem firulas. E isso é algo levado tão a sério que manuais e instruções de instalação detalhadas são todos encontrados online e não no pequeno folheto que vem dentro da caixinha. Também sentimos falta dos parafusos para instalação em gabinetes - e acabamos tendo de recorrer a um adaptador de terceiros para fazer isso da maneira adequada. Donos de notebook, entretanto, não terão dificuldades, já que basta abrir o computador e encaixar o drive.

Se não dá para esperar nada além do que um SSD realmente é em questão de design, o mesmo não pode ser dito da construção do Crucial MX500. Levinho, toda sua estrutura é revestida por uma carcaça de metal que confere mais resistência e durabilidade em relação à maioria dos componentes do tipo disponíveis no mercado.

E é dentro dessa estrutura que o SSD da Micron se destaca de verdade.

Mudanças bem-vindas

O Crucial MX500 apresenta uma evolução discreta em relação ao seu irmão mais velho, o MX300, lançado em 2017. O visual, dimensões e peso são praticamente os mesmos, mas por dentro há algumas diferenças interessantes.

  • Série: MX500
  • Modelo: CT1000MX500SSD1
  • Formato: 2,5 polegadas
  • Capacidade: 1 TB
  • Interface: SATA 3
  • Taxa máxima de transferência: 6 Gb/s
  • Controlador: Silicon Motion SM2258
  • DRAM: Micron LPDDR3
  • NAND: Micron TLC de 64 camadas
  • Escrita sequencial: até 510 MB/s
  • Leitura sequencial: até 560 MB/s
  • Escrita aleatória: 90.000 IOPS
  • Leitura aleatória: 95.000 IOPS

A principal delas diz respeito ao controlador. Componente mais importante quando falamos em SSDs, é ele quem determina quão bem o drive se sai em matéria de transferência de dados, fazendo o meio campo entre a interface SATA e os módulos de memória.

Uma das principais novidades deste novo modelo é a adoção do controlador Silicon Motion SM2258 e a implementação da tecnologia 3D NAND de 64 camadas
Uma das principais novidades deste novo modelo é a adoção do controlador Silicon Motion SM2258 e a implementação da tecnologia 3D NAND de 64 camadas

Apesar de o MX300 ter se saído muito bem com o Marvel 88SS1074 (presente em outros SSD de renome, como o WD Blue, inclusive), a Micron decidiu que era hora de mudar e adotou o Silicon Motion SM2258. O motivo da mudança é a compatibilidade desse novo controlador com módulos de memória 3D NAND e maior suporte a tecnologias de correção de erros, criptografia AES e algoritmo de cache SLC, responsável por incrementar o desempenho do drive.
Falando em módulos de memória, a Micron adotou os chips Micron TLC, com tecnologia 3D NAND de 64 camadas, um novo padrão cujo principal diferencial em relação ao MLC é o menor custo por GB - algo de extrema importância para o usuário doméstico.

Prova de fogo

Ok, falamos de especificações técnicas, mas provavelmente o que você quer saber é como o Crucial MX500 se sai no uso diário. Pois bem, como falei no início desta análise, nosso objetivo não é comparar o produto da Micron com outros do tipo, mas sim mostrar a diferença de desempenho que sua adição a um desktop ou notebook causa em relação a um disco rígido.

Para tanto, não montamos nenhuma máquina parruda nem nada do tipo por aqui. Ao invés disso, optamos por um PC padrão, cujas especificações provavelmente são próximas às que você tem na sua casa. Com isso, a ideia é aproximar os resultados alcançados na análise com os que você pode obter ao fazer o upgrade da sua máquina - afinal de contas não é todo mundo que tem um PC gamer com todos os componentes de última geração, confere?

Dito isso, a máquina em que os testes foram executados possui as seguintes especificações:

  • Placa-mãe: Asus Z97M-Plus/BR
  • Processador: Intel Core i7-4770K
  • Memória: Kingston HyperX KHX1600C10D3/8G (4x4GB)
  • HDD: Toshiba DT01ACA050
  • Fonte: Corsair CX500 500W 80 Plus Bronze
  • SO: Windows 10 Pro 64 Bits com updates

A primeira bateria de testes envolveu a cópia de um arquivo de 12 GB do HDD da Toshiba para o MX500 e vice-versa. Além disso, também copiamos o mesmo arquivo do SSD para uma outra pasta dentro dele mesmo. O objetivo disso é bem simples — verificar como o componente se sai em três situações básicas a que é submetido diariamente: escrita de dados, leitura de dados e leitura e escrita de dados simultaneamente.

A cópia do arquivo do HDD Toshiba para o MX500 levou apenas 1 minuto e 13 segundos, atingindo velocidade média de transferência de 166 MB/s. O caminho inverso levou 1 minuto e 21 segundos e teve uma taxa média de transferência de 150 MB/s. Já a cópia do SSD para ele próprio levou 59 segundos e atingiu uma taxa média de transferência de 205 MB/s.

Perceba que a velocidade e tempo de transferência que envolvem o HDD acabam sendo afetados pelo disco rígido, que funciona a uma velocidade inferior ao SSD. Prova disso é que a cópia do MX500 para ele próprio foi bem mais rápida. Esse simples dado é suficiente para mostrar o gargalo de desempenho que um disco rígido pode causar em um sistema.

O segundo teste foi feito com o ATTO Benchmark para medir a transmissão de arquivos de vários tamanhos diferentes. O objetivo, aqui, é ter um panorama geral de desempenho tanto do SSD quanto do disco rígido, expondo suas diferenças e o impacto Positivo de um drive de estado sólido na máquina.

Por utilizar dados compreensíveis e sequenciais (até mesmo com controladores que usam compressão de dados, o caso do Silicon Motion usado no MX500), esse programa acaba mostrando a velocidade máxima teórica de leitura e escrita dos drives. Os resultados obtidos foram os seguintes:

  • Máximo de leitura: 563,15 MB/s
  • Máximo de escrita: 514,98 MB/s

Para efeito de comparação, os resultados do disco rígido que antes era utilizado como dispositivo de armazenamento principal na máquina foram os seguintes:

  • Máximo de leitura: 162,03 MB/s
  • Máximo de escrita: 163,43 MB/s

Numa continha simples de matemática, o SSD apresenta uma performance quase 3,5 vezes maior que o antigo disco rígido em condições ideais de uso (dados compreensíveis e sequenciais).

Para ter uma noção maior de como isso afeta o dia a dia do usuário, o Crystal Disk Mark executa testes semelhantes, mas levando dados incompreensíveis, sequenciais e aleatórios de tamanhos diferentes utilizando diferentes modos de transmissão. Com isso, a expectativa é que o desempenho de ambos os componentes apresente queda, refletindo um resultado mais próximo da realidade.

Para o Crucial MX500 as marcas registradas foram as seguintes:

  • Máximo de leitura: 561,7 MB/s
  • Máximo de escrita: 510,8 MB/s

Já para o HDD da Toshiba a aferição marcou:

  • Máximo de leitura: 162 MB/s
  • Máximo de escrita: 160,3 MB/s

Os números apresentam diferenças sutis em relação ao segundo teste e mantêm a margem de vantagem do SSD em relação ao HDD mesmo em um cenário que simula o uso cotidiano.

Para encerrar de vez a bateria de testes, utilizamos o famoso PCMark. O aplicativo é conhecido por executar tarefas complexas que simulam a utilização de jogos e softwares famosos da Adobe e da Microsoft. Ao término, uma nota de desempenho é atribuída ao componente para podermos compará-lo com outro em uma situação de trabalho do dia a dia.

Em nossos testes, o SSD da Micron obteve nota 4941, enquanto a antiga unidade de armazenamento utilizada no computador marcou 2347 pontos - menos da metade. Os resultados, mais uma vez, mostram a superioridade do drive de estado sólido em relação ao disco rígido, mesmo em uma máquina de especificações medianas voltadas para o uso cotidiano em casa e pequenos escritórios.

Comparativo entre os testes realizados pelo PCMark Storage no SSD da Micron e no HDD da Toshia - discrepância é gigantesca e favorável ao SSD
Comparativo entre os testes realizados pelo PCMark Storage no SSD da Micron e no HDD da Toshia - discrepância é gigantesca e favorável ao SSD (Captura de tela: Sergio Oliveira)

Inclusive, essas especificações impactam diretamente a nota final atribuída pelo PCMark. Portanto, por levar em conta todo o conjunto do computador, e não apenas a unidade de armazenamento em si, o score pode mudar de computador para computador, mas sempre será superior quando a medição for feita com um SSD.

E o que tudo isso significa?

Falamos de especificações, de testes de desempenho e de números. Mas o que essa salada toda significa na prática? Quais os benefícios reais de trocar um disco rígido por um SSD numa máquina que já tá funcionando aí há algum tempo? Vamos lá!

A primeira diferença que qualquer pessoa sente ao fazer a transição de um HDD para um SSD é a velocidade. Seja no boot ou no carregamento de programas e jogos pesados, o ganho de desempenho é sensível e a sensação é de que o computador rejuvenesceu.

Esse ganho de performance é ainda maior quando utilizamos uma máquina que já tem um tempinho de uso e que, apesar de estar funcionando redondinha, apresenta alguma lentidão no carregamento de aplicativos e inicialização do sistema. Na máquina em que os testes foram realizados, por exemplo, o tempo de boot caiu de pouco mais de um minuto e 40 segundos para apenas 31,9 segundos.

Em máquinas com configurações mais robustas, essa sensação pode ser menor, mas certamente será perceptível, sobretudo se o usuário sentir que a performance está abaixo do ideal.

Vale a pena?

Confesso que fiquei muito surpreso com o desempenho do Crucial MX500. Embora meu computador não apresentasse sinais de lentidão extrema, há alguns meses percebi que ele precisava de um upgrade. A primeira coisa que veio à cabeça foi atualizar a memória RAM, claro, mas monitorando o uso diário notei que o sistema e os programas não consumiam nem 50% dela. A certeza do que realmente deveria fazer só veio ao instalar o SSD recebido para testes.

Hoje, o modelo de 1 TB que foi testado no Canaltech está saindo por cerca de R$ 1.400 no varejo nacional. Analisando esse valor isoladamente, a sensação é de que o upgrade sai caro demais. Mas levando em consideração o ganho de desempenho, até cerca de 3,5 vezes superior, e o preço de outros SSDs para o público doméstico, o MX500 leva vantagem. Topo de linha da categoria, o WD Blue, por exemplo, sai por cerca de R$ 1.700 e apresenta praticamente o mesmo desempenho.

Mesmo se o preço for um empecilho, é possível achar o mesmo MX500 com 250 GB de capacidade por a partir de R$ 480. Apesar de não apresentar muito espaço para um heavy user, sua combinação com um disco rígido padrão ainda assim apresentará melhorias significativas de performance.

Portanto, se as especificações do seu computador ou notebook lhe atendem bem no dia a dia e mesmo assim você percebe uma certa lentidão na execução de algumas tarefas, então, assim como foi pra mim, a solução pra você pode ser adquirir um SSD. E o Crucial MX500, da Micron, não decepciona em nenhum aspecto.

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