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Adeus, Mac Pro: relembre as 4 eras do desktop mais icônico da Apple

Por  • Editado por Jones Oliveira | 

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Gemini/Canaltech
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O fim de uma era no hardware de alto desempenho aconteceu da forma mais discreta possível, quase como uma nota de rodapé. A Apple confirmou que não produzirá novos modelos do Mac Pro e retirou a máquina de seu site oficial, encerrando uma linhagem que surgiu em 2006. Diferente de outros marcos da empresa, não houve keynote emocionante, vídeos em câmera lenta ou homenagens em redes sociais.

O computador que antes foi o símbolo máximo do poder computacional da Maçã saiu de cena em silêncio, deixando para trás duas décadas de experimentações, erros ousados e acertos memoráveis. Com o fim de uma linha tão importante como essa, vamos revisar como foi sua trajetória.

Era 1: A torre de alumínio sinônimo de “Mac profissional”

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Em 2006, a Apple precisava de um sucessor à altura para o Power Mac G5 na transição para os processadores Intel, e assim surgiu o Mac Pro clássico. O visual era imponente: uma torre robusta de alumínio escovado com alças integradas e um painel frontal perfurado que passa um ar de seriedade e ousadia ao mesmo tempo. Diferente da filosofia que a empresa adotaria anos depois, essa primeira era foi marcada por uma facilidade de expansão sem precedentes dentro do ecossistema Apple.

O case permitia upgrades simples de memória RAM, múltiplos HDDs em baias deslizantes e a troca de placas de vídeo PCIe sem grandes complicações. Essa máquina consolidou o Mac Pro como o ápice do setup para editores de vídeo, fotógrafos e engenheiros, criando uma reputação de longevidade e presença física que definiram o que o mercado esperava de um workstation profissional.

Era 2: Cilindro de 2013 tentou reinventar tudo

Após anos sem atualizações visuais, a Apple decidiu que era hora de chocar o mundo em 2013 com o apelido nada legal de "trash can", ou lata de lixo mesmo. O novo Mac Pro era um cilindro preto compacto, futurista e muito silencioso, construído em torno de um núcleo térmico triangular unificado. A proposta era ousada: abandonar a expansão interna em favor de conexões externas de alta velocidade via Thunderbolt 2.

Embora fosse uma peça de design incrível, a fase cilíndrica tornou-se a mais divisiva da história da linha. A falta de flexibilidade e os problemas térmicos com as GPUs duplas mostraram que a promessa de futuro da Apple envelheceu rápido demais. Os profissionais sentiram-se abandonados por um design que priorizava a estética sobre a utilidade, tornando essa era um lembrete de que, no mundo profissional, desempenho é mais importante do que aparência.

Era 3: “Ralador de queijo” em 2019

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Reconhecendo o erro estratégico da geração anterior, a Apple recuou e, em 2019, entregou exatamente o que o público profissional pedia. O retorno ao formato de torre trouxe de volta a modularidade e uma grade frontal (bastante) agressiva para maximizar o fluxo de ar, o que rapidamente rendeu o apelido de "ralador de queijo". Era um workstation capaz de abrigar placas PCIe gigantescas, módulos de expansão específicos e até 1,5 TB de memória RAM.

Entretanto, essa reconciliação veio acompanhada de controvérsias sobre o preço impeditivo, simbolizado por acessórios como as rodas de US$ 400. Foi o momento em que a Apple provou que ainda sabia fazer um hardware modular de ponta, mesmo que ele fosse acessível apenas para uma fração mínima de usuários.

Era 4: Mac Pro com chip Apple com fim determinado

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A fase final da linhagem chegou em 2023 com o chip M2 Ultra. Externamente, ele era idêntico ao modelo de 2019, mas internamente a filosofia havia mudado drasticamente. Com a transição para os chips da Apple, o conceito de integração total da arquitetura ARM colidiu com a necessidade de expansão. Embora mantivesse os slots PCIe, a impossibilidade de trocar a GPU ou expandir a memória, já que tudo estava soldado no chip, tirou o sentido prático da máquina para muitos entusiastas.

O Mac Pro de 2023 nasceu encurralado pelo próprio Mac Studio da empresa, que entregava a mesma performance em um formato muito menor e mais barato. Essa mudança de estratégia foi o que começou a jogar as últimas pás de areia sobre o caixão da icônica linha de máquinas entusiastas da Apple.

O que cada era dizia sobre a Apple

Olhando para a trajetória completa, percebemos que cada fase do Mac Pro foi um reflexo direto da estratégia da Apple naquele momento. Na primeira era, a empresa queria reconquistar a confiança dos profissionais através da potência bruta e da padronização de mercado com a Intel. Em seguida, houve uma tentativa quase arrogante de reinventar o que era um workstation, acreditando que o design minimalista poderia substituir a necessidade de hardware interno.

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Já na terceira fase, a Apple admitiu publicamente que o usuário profissional valorizava a expansão de verdade acima de tudo, fazendo um retorno às origens. Por fim, a escolha pela integração total em vez da modularidade deixou claro que a eficiência energética e o controle absoluto sobre o ecossistema de chips eram agora a prioridade máxima da empresa, mesmo que isso custasse a existência do Mac Pro.

Fim silencioso do Mac Pro

O capítulo final agora é oficial com a descontinuação definitiva do produto. Ao remover o Mac Pro do site e confirmar que não há planos para novos modelos com M3 Ultra ou sucessores, a Apple encerra uma história de 20 anos. Na prática, o Mac Studio assume o posto de desktop profissional de referência da marca.

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Ele representa o que a Apple é hoje: compacta, potente, mas completamente fechada a modificações por parte do usuário. O espaço que antes era ocupado por torres metálicas imensas agora é preenchido por pequenos blocos de alumínio que fazem mais com menos energia, tendência seguida também por notebooks premium com Windows.

Conclusão

O adeus ao Mac Pro não é apenas o fim de um computador caro da Apple, mas a conclusão de uma forma de ver computadores. Por muitos anos, ele materializou a ambição de oferecer poder bruto sem concessões e a liberdade de expansão que permitia a uma máquina evoluir com o passar dos anos.

Hoje, a Apple segue um caminho diferente, onde a otimização de software e hardware é tão profunda que a modularidade se tornou um obstáculo em vez de uma vantagem. O Mac Pro deixará saudades para usuários da Maçã que gostavam de abrir o gabinete e ver o coração da máquina, mas seu legado como ícone do design e da engenharia permanecerá guardado na história do hardware.