Pesquisadores se candidatam nas eleições 2018 para formar "bancada científica"

Por Ares Saturno | 02 de Agosto de 2018 às 16h48

De 2016 para cá, os orçamentos para o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) têm minguado. Se em 2010 o investimento total com o financiamento tecnológico no Brasil foi de R$ 10 bilhões, atualizados pela inflação, o valor aprovado em lei orçamentária pra 2018 não passou dos R$ 3,4 bilhões, causando preocupação nos cientistas e pesquisadores brasileiros e chegando a chamar atenção da mídia internacional. 

Em 2016, quando Michel Temer assumiu o governo, o MCTIC foi fundido ao Ministério das Comunicações, o que fez com que a comunidade científica entendesse que não era uma prioridade para o presidente investir em tecnologia e pesquisa.

Com a pesquisa científica sendo cada vez mais empurrada para o financiamento de empresas privadas durante a ausência do Estado, um projeto político surgiu com intuito de dar voz aos próprios pesquisadores no sistema governamental: o projeto Cientistas Engajados pretende se tornar a primeira bancada científica do país. Reunindo mais de 110 profissionais de universidades brasileiras e estrangeiras, o grupo pretende defender os interesses dos cientistas diretamente nos plenários e fomentar ações para que a população entenda a importância dos orçamentos voltados para o avanço da ciência no país.

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Há dois pré-candidatos do grupo já prontos para concorrer nas eleições de 2018: Mariana Moura, doutoranda da USP no Instituto de Energia e Ambiente (IEE), que é candidata a deputada estadual por São Paulo pelo Partido Pátria Livre (PPL), legenda da qual é membro fundadora; e Walter Neves, geneticista e professor titular do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva da USP, candidato a deputado federal em 2018 também pelo Partido Pátria Livre (PPL).

Walter Neves foi um dos responsáveis pelo estudo de Luzia, o esqueleto humano mais antigo encontrado nas Américas, e tem forte atuação na comunidade acadêmica que integra. Questionado sobre o que o levou a desejar a candidatura ao governo, Neves afirmou: "Por uma razão muito simples: não consigo mais conviver, entre outras coisas, com as gritantes desigualdades sociais do país". Além da desigualdade, as principais propostas de Neves são o aumento orçamentário para o avanço científico no Brasil e proteção aos pesquisadores e instituições públicas de ensino.

Fonte: Vice

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