Greve de funcionários dos Correios está marcada para a próxima terça-feira (4)

Por Ramon de Souza | 31 de Julho de 2020 às 15h55
Divulgação

Os funcionários dos Correios confirmaram nesta sexta-feira (31) a greve que vinha se desenhando durante a semana. Sindicatos representantes dos empregados pela estatal estão insatisfeitos com um pacote de medidas propostas para reduzir gastos e que, se aprovado, vai alterar uma série de benefícios existentes para a categoria, além de eliminar o reajuste salarial anual. Lideranças dos trabalhadores marcaram o início da paralisação na próxima terça-feira (4).

Criadas pela diretoria da estatal, as sugestões incluem reduzir o bônus de férias (de 2/3 para 1/3 do salário), diminuir o adicional noturno (de 60% para 20% a hora), extinguir o popular “Vale Peru” (tíquete de alimentação no valor de R$ 1 mil oferecidos em dezembro) e alterações na licença maternidade (de 180 dias para 120 dias). Também estão previstas as exclusões de alguns benefícios como o Vale-Cultura e o pagamento de multas dos funcionários. Nesta quinta-feira (30), os funcionários dos Correios encaminharam um comunicado ao presidente da estatal, Floriano Peixoto, adiantando que a paralisação será por tempo indeterminado "por não terem suas reivindicações atendidas pela empresa na mesa de negociação".

Segundo os Correios, as alterações propostas visam nivelar a categoria para se aproximar mais das regras da CLT; o pacote teria a capacidade de gerar uma economia de mais de R$ 600 milhões ao ano. Além disso, uma paralisação neste momento terá grande impacto no segmento de comércio eletrônico, que está em alta histórica desde o início da pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV2). Muitos empreendimentos tiveram que se digitalizar e comercializar produtos pela internet; o envio de mercadorias e itens pessoais entre familiares distantes também virou algo recorrente durante a quarentena.

Durante a semana, Peixoto destacou que “qualquer tipo de paralisação ou embaraço do serviço postal, mesmo que breve, prejudicará ainda mais os pequenos e médios empresários que dependem dos Correios para conduzir seus negócios”. Já ciente da data paralisação, o governo admite que o caso deva parar no Tribunal Superior do Trabalho (TST). 

Correios defendem proposta

Em contato com o Canaltech, os Correios defenderam o acordo coletivo como parte de "ações de fortalecimento de suas finanças e consequente preservação de sua sustentabilidade", adequando "os benefícios dos empregados à realidade do país e da estatal". A companhia ressalta que, há tempos, a Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST) recomenda que seja feito um nivelamento dos benefícios com aqueles previstos na CLT.

Reprodução/Revide

"Tendo em vista a realidade financeira da empresa, com um cenário de dificuldades que tem se agravado a cada ano que passa, os Correios precisam se adequar não só ao que o mercado está praticando, mas, também, ao que está previsto na legislação", afirma a estatal. "Com a pandemia, surgiram ainda novos desafios de adaptação para a empresa continuar prestando serviços com qualidade e segurança para todos, além de mudanças na característica de obtenção de receita".

Um comunicado oficial dos Correios afirma ainda que as entidades sindicais se recusam a entender a situação, o que teria resultado em "reações impróprias". O texto afirma: "Em resposta à proposta apresentada pelos Correios, representantes sindicais iniciaram a veiculação de diversas comunicações inverídicas, provocando confusão nos empregados acerca dos termos da proposta [...] A empresa reafirma que é dever de todos, empregados e dirigentes, prezar pela manutenção das finanças dos Correios e, consequentemente, dos empregos dos trabalhadores".

Fonte: UOL, Labs EBANX, CNN

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