Jack Ma: CEO do Alibaba renuncia ao conselho do Softbank

Por Rui Maciel | 18 de Maio de 2020 às 15h45
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Jack Ma, cofundador e CEO do grupo de tecnologia chinês Alibaba, renunciou a sua cadeira no conselho do Softbank Group. O anúncio foi feito por Masayoshi Son, CEO do conglomerado japonês, nesta segunda-feira (18), durante a divulgação dos seus (nada bons) resultados.

A saída de Ma - um importante aliado de Son - significa que ele se concentrará agora apenas em suas ações de filantropia. Em setembro do ano passado, ele já se afastara das funções de presidente executivo do Alibaba. A renúncia do executivo vai na sequência da saída de Tadashi Yanai, fundador e CEO da Fast Retailing, controladora da marca de roupas Uniqlo. Ele abriu mão do conselho no final do ano passado para se concentrar em seus negócios de moda.

Jack Ma: cofundador do Alibaba era um dos maiores aliados do CEO do Softbank

Com Ma fora do conselho, o SoftBank planeja propor três novas nomeações para o grupo. Um deles seria o diretor financeiro do grupo Yoshimoto Goto. Além disso, o plano é expandir o número de membros do conselho para 13 membros. A assembleia geral anual que definirá tais alterações acontecerá no próximo dia 25 de junho.

Entre os novos membros que podem compor o conselho do Softbank Group, estão nomes como o de Lip-Bu Tan, CEO da Cadence Design Systems, empresa especializada no desenvolvimento de software de design de chips. Bu Tan também é presidente da firma de capital de risco Walden International. Yuko Kawamoto, professora da Waseda Business School também pode ser convidada, mas no papel de diretora externa, se tornando a única mulher no conselho.


Diversidade e transparência

A entrada de novos nomes atendem à exigências de investidores do Softbank, como a Elliott Management, que pressionou o grupo para melhorar a diversidade do conselho. Eles também querem a criação de um novo subcomitê para supervisionar o processo de investimentos no Vision Fund, que administra um caixa de US $ 100 bilhões para aplicar, principalmente, em empresas de Tecnologia. Nesta segunda-feira, esse braço do Softbank apresentou perdas de US$ 13 bilhões - de um total de US$ 18 bilhões em prejuízos do Softbank como um todo.

Além disso, o estilo de gestão centralizador de Son está sob crescente escrutínio, com seus investidores exigindo maior transparência e diversidade. O conselho é amplamente composto por pessoas de alta confiança do CEO do conglomerado. Isso inclui Yasir al-Rumayyan, que dirige o fundo soberano da Arábia Saudita e que é o maior investidor externo do Vision Fund.

“Quem é a voz da razão que pode enfrentar Son? Você provavelmente precisa de mais de um ”, disse Nicholas Benes, do The Board Director Training Institute of Japan, uma organização sem fins lucrativos focada no treinamento de governança corporativa. "Duvido que esses quatro diretores externos, em uma diretoria de 13, tenham muito efeito em desacelerar Son antes do próximo acordo com a WeWork", acrescentou ele, referindo-se à desastrada aposta do SoftBank na startup de compartilhamento de escritórios.

Masayoshi Son: CEO é cobrado por transparência e diversidade depois de um ano repleto de prejuízos do Softbank

Dos US$ 100 bilhões administrados pelo Vision Fund, US$ 75 bilhões foram investidos em 88 startups. No final de março,o valor de mercado combinado dessas empresas é de US$ 69,6 bilhões. O próprio SoftBank Group registrou perdas de US $ 7,5 bilhões em outros investimentos em tecnologia que, segundo a companhia, foram atingidos pelo choque econômico causado pela pandemia do coronavírus. Mas o fato é que a crise apenas exacerbou os problemas subjacentes - e que já vinha de trimestres anteriores - em muitas das apostas do grupo em startups, cujo modelo de negócios nunca se sustentou. Unicórnios brasileiros como a Gympass, Loggi, Creditas e Banco Inter, entre outros, fazem parte do portfólio do grupo.

Durante o anúncio de seus resultados, o Softbank ainda prometeu a venda ou monetização de US$ 41 bilhões em ativos. Parte desse valor será usado, parcialmente, para financiar uma recompra de ações no valor de US$ 23 bilhões ao longo do ano fiscal, com o objetivo de aumentar o valor de seus papeis. No final de abril, o Softbank já havia gasto US$ 2,3 bilhões para esse processo.

Fonte: Reuters  

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