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Funcionários da Google relatam retaliações após protestos de 2018

Por Rafael Arbulu | 23 de Abril de 2019 às 11h01
Tolga Akmen/AFP/Getty Images
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As coisas seguem estremecidas para o RH da Google: segundo informações da Wired, diversos participantes da passeata realizada em protesto no mês de novembro de 2018 estão, seis meses depois, enfrentando retaliações da gestão interna da empresa em Mountain View e sedes em diversos outros países. No relato, algumas pessoas informam estarem sendo transferidas, rebaixadas e ignoradas por gestores.

Segundo o relato de Meredith Whittaker e Claire Stapleton (respectivamente a chefe da divisão Google Open Research e uma gerente de marketing no YouTube), a Google lhes comunicou que “suas atribuições serão drasticamente alteradas”. Depois que a empresa desligou o seu conselho de ética em inteligência artificial, neste mês de abril, Whittaker disse que a Google estaria tentando forçá-la a desistir de seu trabalho no campo, bem como abandonar sua participação no Instituto AI Now da Universidade de Nova York — algo que ela ajudou a fundar.

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More photos are coming in from the 40+ offices walking out today! Check out Zurich. #GoogleWalkout Thanks to @TedOnPrivacy on Twitter for the photo.

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Stapleton relata que, dois meses após os protestos (ou seja, janeiro deste ano), ela foi informada que seria rebaixada de seu cargo e perderia metade de seus relatórios. Ao levar a questão à área de Recursos Humanos, ela encontrou ainda mais retaliação: “Meu gerente começou a me ignorar, meu trabalho foi passado para outras pessoas e eu fui ‘encorajada’ a sair de licença médica mesmo sem estar doente”.

Ela alega que conseguiu manter suas atribuições originais, mas somente após ter contratado um advogado que forçou a Google a uma investigação interna. Ainda assim, ela alega que o ambiente segue hostil a ponto de ela considerar, todo dia, pedir demissão.

Ambas as funcionárias disseram que vão promover uma espécie de “reunião aberta”, onde outros empregados poderão falar sobre retaliações que possam ou não ter recebido.

Já a Google nega qualquer ataque dizendo que as mudanças de posição refletem apenas uma de suas rotineiras mudanças de equipe. "Funcionários e equipes são regularmente e comumente dados novas atribuições, ou reorganizados, a fim de mantermos o ritmo alinhado com demandas de negócio em constante evolução", disse uma porta-voz da Google, via e-mail. “Não há qualquer retaliação em curso aqui”.

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Google employees and contractors will be leaving these flyers at their desks tomorrow. #googlewalkout

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Em novembro de 2018, Stapleton e Whittaker, junto de aproximadamente 20 mil outros funcionários da Google, organizaram uma passeata no campus da empresa. O movimento se espalhou por sedes em diversos países, onde todos deixaram suas estações de trabalho e protestaram contra a forma como a Google vinha lidando com acusações de assédio sexual. Houve até mesmo a criação do perfil "@googlewalkout" no Instagram.

"Não queremos mais sentir que somos desiguais ou que não somos mais respeitadas. A Google é famosa por sua cultura. Mas, na realidade, não estamos nem mesmo encontrando noções básicas de respeito e justiça para cada pessoa aqui", contou Claire Stapleton na ocasião.

A passeata exigiu cinco mudanças na política da Google: o fim da arbitragem forçada em casos de assédio e discriminação, o compromisso para acabar com a desigualdade salarial e de oportunidades, um relatório de transparência de assédio sexual divulgado de forma pública, o processo global inclusivo que seja claro e uniforme para os relatos de má conduta sexual de forma segura e anônima, bem como fazer com que o diretor de diversidade possa responder diretamente ao CEO e fazer recomendações ao conselho de administração, nomeando também um funcionário representante para cada conselho.

Entre os casos usados de exemplo na ocasião está o de Andy Rubin, criador do sistema operacional Android: relatos apontavam para o seu comportamento inadequado com funcionárias mulheres, chegando a tentativa de sexo com uma delas durante uma viagem de negócios. Rubin recebeu um “pacote de bonificações” de aproximadamente US$ 90 milhões e deixou a companhia.

À época, Ruth Porat, CFO da Alphabet, empresa que é dona da Google, mostrou apoio aos protestos: “Se nós fazemos carros andarem sozinhos, então temos que ter a capacidade de sermos mais diversos”.

Fonte: Wired

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