Steam dificulta alteração de país para impedir manipulação de preços

Por Felipe Demartini | 31 de Julho de 2020 às 12h13

O Steam introduziu novas regras para a mudança de país nos perfis dos usuários, como forma de evitar que eles manipulem os preços dos games por meio da alteração na região. Agora, além das regras usuais, a loja passa a exigir que os jogadores tenham feito pelo menos uma compra utilizando um meio de pagamento do novo país, como forma de garantir sua residência nele.

A nova norma se une a outras voltadas para o mesmo fim, que obriga uma espera de 14 dias após uma mudança para que outra seja realizada e dificulta o processo caso o usuário já tenha realizado uma compra em um país e deseje trocar para outro. Dados como endereços e meios de pagamentos também eram usados pelo Steam como forma de validar a moradia dos jogadores, assim como a geolocalização do acesso.

Tudo isso, claro, poderia ser burlado pelo cliente, apesar de fazer isso ter se tornado cada vez mais difícil. VPNs permitiam enganar o sistema indicando que o acesso acontece de uma nova localização, enquanto a troca por um país no qual os preços são mais baratos poderia até ser permanente para alguns jogadores, que não se importariam com a obrigação de esperar para retornar à região original.

Por isso, a exigência de um meio de pagamento local se tornou obrigatória para aqueles que já criaram suas contas a partir de uma localidade e desejarem alterar a região para outra. Novas contas, claro, poderão ser criadas normalmente a partir do país de residência do jogador, enquanto os servidores online, de responsabilidade das desenvolvedoras de cada jogo, também seguem suas próprias regras, alheias às do Steam.

Não se trata apenas de preços, já que a localização regional do Steam também modifica idiomas e, principalmente, o tipo de conteúdo disponível. Games não lançados em um determinado território, proibidos em alguns países ou com versões censuradas de acordo com leis locais não são exibidos para seus habitantes, de acordo com o que é determinado por cada distribuidora, com as restrições também obrigando os jogadores a respeitar tudo isso.

Mas a maior questão, sem dúvida nenhuma, é o preço, que inclusive, foi um assunto comentado bastante recentemente com o lançamento de Horizon: Zero Dawn para PCs. Devido a questões cambiais, a compra antecipada do game na versão argentina do Steam saía pelo equivalente a US$ 7 em pesos, o que levou muita gente a alterar sua região para fazer a compra e levou a um aumento generalizado no valor do game em países com moeda mais fraca.

No Brasil, por exemplo, ele deixou de custar R$ 94 para passar a sair por R$ 200, uma inflação de 200% que nem foi a maior alta internacional do título, já que a mesma Argentina se viu diante de um aumento de 389%. As péssimas notícias para os jogadores que moram nas regiões atingidas também foram dadas na Turquia, Rússia, África do Sul, Colômbia e China, entre outras nações.

O Steam não divulgou publicamente a mudança, que apareceu apenas em uma nova alteração de seus termos de uso, e por isso, não relacionou a nova norma aos problemas enfrentados no lançamento de Horizon: Zero Dawn. As novas regras, também, não são tão drásticas quanto as aplicadas pela concorrência — a Epic Games Store, por exemplo, permite a troca de região somente para contas que não tenham feito compras. Após a primeira aquisição, o perfil fica para sempre restrito ao país no qual o primeiro jogo foi adquirido.

Fonte: Steam Database

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