Análise | West of Dead é o bang-bang para você pagar seus pecados

Por Felipe Ribeiro | 29 de Junho de 2020 às 09h09
Raw Fury

Os jogos classificados como indie estão evoluindo a passos largos. Seja em sua arte, seja em sua jogabilidade, muitos títulos disponíveis para os consoles e para o PC mostram uma qualidade absurdamente boa, fazendo com que ignoremos, por um momento, os grandes títulos AAA do mercado. É o caso de West of Dead, jogo de tiro com visão isométrica produzido pela Raw Fury.

Com uma premissa narrativa bem simples, West of Dead mescla universos bem distintos, mas que se unem em um único propósito: a morte e a sobrevivência. O clima de faroeste misturado com uma ambientação frígida e assombrada são plano de fundo para uma troca de tiros ferrenha, com uma pitada de estratégia, agilidade e pensamento lógico.

Na pele do pistoleiro William Mason, você deve passar por inúmeros inimigos, que vão ficando cada vez mais fortes, inteligentes e complicados de se lidar. A jogabilidade é bem punitiva, fazendo com que você retorne ao início da campanha sempre que morrer. Os mapas, por sua vez, são como se fossem labirintos, sempre se modificando a cada vez que você reinicia a jogatina.

Com muitos elementos interessantes, são poucos os defeitos de West of Dead, mas que merecem alerta para quem quiser se aventurar no purgatório de William Mason.

Tudo outra vez

O ex-pistoleiro William Mason acorda de seu sono de transição após a morte em um bar. Mal sabe ele que esse estabelecimento está localizado no purgatório e que os inimigos que ele terá de enfrentar nada mais são do que suas lembranças, pecados e malfeitorias de uma vida cheia de assassinatos e duelos.

Faça um upgrade em seu arsenal pagando pegados para a bruxa (Imagem: Captura de Tela/Felipe Ribeiro)

Com isso em mente, não se assuste se vir Mason e compará-lo com o Motoqueiro Fantasma. Eles são bem parecidos – mas apenas nisso. Com grande habilidade com armas de fogo, o caveirão terá de sentar o dedo em cachorros demoníacos, zumbis, soldados macabros e monstros enormes para se resolver com o pessoal do inferno.

Logo de cara, somos apresentados ao que vamos carregar daqui para frente. Temos a capacidade de levar duas armas, dois itens auxiliares e duas habilidades especiais, que podem ser melhoradas ao longo da campanha. Tudo fica bem localizado no teclado ou no controle, portanto a curva de aprendizado é bem tranquila – pelo menos no manejo do armamento.

Depois disso, aprendemos a nos movimentar pelo mapa. Ao entrarmos no purgatório, nos deparamos com um labirinto e devemos avançar em suas várias salas e corredores para alcançar o objetivo final: um portal de transferência para outros níveis do purgatório. Ao eliminar os inimigos, ganhamos dois tipos de recompensa: “ferro”, que pode ser utilizado nos negociadores presentes nos mapas, e “pecado’, que pode ser trocado com uma bruxa, sempre localizada nas transições de fase, para liberar diferentes tipo de armamento e habilidades.

Você pode se recuperar entre as fases enchendo a cara (Imagem: Captura de Tela/Felipe Ribeiro)

Quanto a isso, West of Dead não tem segredo. A jogabilidade foi pensada justamente para que tenhamos muita ação e utilizemos todo o nosso arsenal. Mas não se engane que é simples passar pelos inimigos. Isso acontece não apenas pela dificuldade de combatê-los, mas também pelas peculiaridades dos labirintos. A começar pela falta de luz, que deixa a tarefa de mirar nos adversários muito mais complicada. Para isso, sempre que possível utilize as velas e lampiões disponíveis. Além de iluminar os locais, eles atordoam os monstros.

Dominadas as técnicas, hora de começar a ver onde, de fato, o bicho pega em West of Dead: a progressão. O sistema escolhido pela Raw Fury é altamente punitivo, pois, ao morremos (de novo), somos obrigados a retornar lá no barzinho em que aparecemos no começo do jogo. A única “vantagem”, por assim dizer, é que tudo o que você desbloqueou em tentativas anteriores segue funcionando. Além disso, sempre que você iniciar sua campanha, a configuração do labirinto, bem como sua percepção de localização, mudará completamente, o que torna as coisas ainda mais interessantes, para dizer o mínimo.

Voltando para a jogabilidade, algo que chama a atenção em West of Dead é a movimentação do personagem e a maneira como podemos avançar. Como as armas possuem munição infinita, o que torna as coisas mais táticas, digamos assim, é o tempo para o carregamento. Cada pistola ou espingarda possui um nível de dano e de recarregamento, portanto faça bom uso dos caixões e muretas, pois apoiado nelas nenhum tiro vai te acertar.

Mas, como nem tudo são flores – ainda mais no purgatório -, você deve prestar atenção nos inimigos que te atacam fisicamente. Para isso, ao apertar qualquer botão de tiro, você irá desferir um chute no adversário. Em nossos testes, percebemos que essa mecânica, por vezes, falha e sempre que estamos, por exemplo, sem o pente das armas carregado. Talvez possa ser uma falha do game, pois não faz sentido estar carregado de munição para desferir um chute em um zumbi, não é mesmo?

Em West of Dead, muretar é preciso, mas tome cuidado (Imagem: Captura de Tela/Felipe Ribeiro)

Outro ponto que merece destaque é a falta de variedade nas armas e utensílios auxiliares. São poucas opções, sobretudo para momentos em que precisamos de agilidade nos tiros, já que, por vezes, os inimigos acumulam. Isso pode ser explicado, claro, pelo estilo do game: de fato, não tinham muitas armas diferentes no Velho Oeste.

Por mais que traga desafios ao jogador, ir e voltar sempre do mesmo ponto em West of Dead é muito cansativo. Mesmo que as opções de fortalecimento do morto-vivo sejam inúmeras, com altares espalhados pelo mapa que aumentam o nível do armamento e de sua resistência, isso, por vezes, se torna inútil justamente por uma melhor mecânica no combate corpo a corpo.

Visualmente incrível

Um ponto que merece muito destaque em West of Dead é sua parte técnica. Os gráficos em cell shading são impecáveis, tanto na versão de PC quanto de Xbox One, e o jogo roda de maneira muito fluída a 4K @ 60 FPS.

A trilha sonora é outra coisa que merece ser mencionada: além de deixar a ambientação ainda mais interessante, ela é uma grande aliada para nos avisar se eliminamos todos os inimigos de uma determinada região. Além disso, ela também se altera quando o perigo se aproxima. Os efeitos das armas também estão bem fieis, inclusive com detalhes que chamam atenção, como o barulho das balas sendo trocadas e dos gatilhos sendo pressionados.

O game, em si, não tem muitos diálogos, mas é notável a participação do ator Ron Perlman na dublagem do protagonista. Sua voz inconfundível torna o andamento da campanha muito mais interessante, sobretudo pelo estilo adotado nas falas de Mason, que misturam uma cerca melancolia com uma pequena dose de humor.

Pague seus pecados

Por mais divertido que West of Dead seja, ele pode não ser um game para você. Ele exige paciência, destreza e um nível de domínio das técnicas muito elevado para ser concluído. Afinal, sempre que você morrer, terá de retornar do início da campanha.

West of Dead é um bang-bang muito bem feito e que, se você gostar (como eu gostei), vai te cativar justamente por essa mecânica punitiva, sobretudo se você for muito competitivo e gostar de uma boa troca de tiros. Não espere, porém, por muita profundidade na narrativa ou na história, pois o foco aqui é apenas um: pagar os seus pecados.

West of Dead está disponível para PC (Steam e Game Pass) e Xbox One. O lançamento para Nintendo Switch e PlayStation 4 acontecerá em agosto. No Canaltech, o jogo foi analisado no PC com cópia gentilmente cedida pela Upstream Arcade.

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