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Review WarioWare: Move It! | O dia que a Nintendo me fez imitar uma galinha

Por| 13 de Novembro de 2023 às 11h23

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Nintendo
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Fico imaginando o que passou pela cabeça do meu vizinho quando, no calor infernal dos últimos dias, olhou pela janela e me viu imitando uma galinha no meio da sala. Era uma pose ridícula com uma justificativa mais ridícula ainda: fingir que era um encanador italiano com roupa de guaxinim voando com sua cauda. E, por mais que agora eu tenha vergonha de andar pelo condomínio, é nisso que está a diversão do novo WarioWare: Move It!

A série de microjogos da Nintendo é uma das franquias mais bem-humoradas dos games, sem medo de rir de si mesmo e nem de apelar para situações vexatórias tanto na tela quanto para quem joga. Eu e meu vizinho que o digam.

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Só que, por trás do absurdo de desafios como ser uma galinha ou ajudar uma princesa a fazer cocô, há um dos títulos que melhor usa o hardware e o potencial do Switch. E não apenas por mostrar que o Joy-Con é um controle inquestionavelmente impressionante, mas por provar que a criatividade é mesmo o combustível do console.

Sem parar

Ser ridículo é a palavra de ordem da franquia WarioWare. Desde os seus primórdios, ainda no Game Boy Advance, a série sempre soube aproveitar a figura de seu protagonista para trazer pequenos desafios absurdos e bobos, como tirar catota do nariz ou depilar uma axila. E o que Move It! faz é aproveitar toda essa loucura para explorar todas as possibilidades que o controle do Switch oferece.

Toda a ideia do jogo é usar os sensores de movimento para dar vida a esses microgames. Ainda que você tenha que apertar um ou outro botão às vezes, o centro da experiência está naquilo que o título já antecipa: mexa-se! Então, a cada rodada, você assume uma pose mais zoada que a anterior e precisa adequá-la à proposta da fase — e tudo isso em questão de segundos.

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Essa não é a primeira vez que a Nintendo adota essa lógica para a série. No Wii, WarioWare: Smooth Moves já usava o Wiimote para levar levar o ridículo também para frente da TV e não apenas dentro do jogo. A diferença é que, apesar de revolucionário para a época, o controle ainda tinha várias limitações — algo que o Switch compensa com certa facilidade.

Caminhando para seu sétimo aniversário, é impressionante como o Nintendo Switch ainda é capaz de surpreender em termos de possibilidades. O jogo usa tanto o movimento quanto o próprio posicionamento do joystick de diferentes maneiras, de modo que você parece nunca estar repetindo uma prova — e com alguns recursos que surpreendem até quem é familiarizado com o console.

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A gente já tinha visto o potencial do Joy-Con e de seus recursos com 1-2 Switch, mas WarioWare: Move It! expande isso de várias maneiras ao trazer minigames que usam o controle de formas quase impensáveis e sempre divertidas.

O exemplo da galinha é uma prova clara disso. Embora tenha queimado minha reputação com a vizinhança, é impressionante ver o controle ser usado dessa forma e funcionando tão bem. Por mais que os microgames sejam todos bobinhos, eles extraem toda a complexidade existente no hardware em propostas bastante simples.

Outro caso que ilustra isso muito bem é o uso do sensor de infravermelho do Joy-Con, um recurso que praticamente ninguém usou ao longo de todo o ciclo de vida do Switch — nem mesmo a própria Nintendo —, mas que gera pequenos desafios muito criativos por aqui.

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E todos eles muito precisos. Com exceção de um ou outro estágio em que as coisas desandam, WarioWare: Move It! conta com uma precisão incrível em praticamente todos os 223 minigames oferecidos. Alguns são mais divertidos que outros, é verdade, mas é tudo tão rápido que mal dá tempo de você reclamar de problemas.

Melhor entre amigos

Como dito, a falta de senso de ridículo é a maior arma de WarioWare: Move It! A parte técnica impressiona e rende grandes momentos, mas isso só funciona de verdade quando você está rodeado de pessoas. No caso, de amigos, e não de vizinhos estranhando e tentando entender o que diabos você está fazendo no meio da sala.

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O trunfo do jogo é também um de seus principais problemas — se é que podemos chamar assim. Como ele é, em essência, um game para ser jogado com amigos e aproveitado coletivamente, ele acaba não sendo uma experiência para todos.

Jogar Move It! sozinho não é tão divertido quanto em uma festa, por exemplo. O uso criativo do Joy-Con e as brincadeiras de cada minigame chamam a atenção e impressionam à primeira vista, mas se tornam cansativas quando não tem ninguém para rir com você. É como ler aquela piada que é muito boa, mas que perde a graça quando você não tem mais para quem contar.

Claro que você pode questionar e dizer que isso não é um ponto negativo, já que faz parte da essência do jogo — e vai estar completamente certo. Mas estamos falando de um produto que não é barato e que, pior, exige que você tenha mais um par de Joy-Cons (que é ainda mais caro) para poder aproveitar de verdade essa sua vocação coletiva. E, bem, a gente está no Brasil.

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É algo complicado (e até injusto) de se pontuar, mas que faz todo o sentido em nosso contexto.

Sem medo de ser ridículo

Deixando de lado essa questão mais prática, não dá para negar que WarioWare: Move It! acerta naquilo que a Nintendo sabe fazer de melhor: criar experiências únicas e divertidas. Seja sozinho ou acompanhando — inclusive de espectadores não esperados, como seu vizinho da frente —, é impossível não rir das situações a que o jogo lhe submete.

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É algo tão ridículo que beira o genial, ainda mais quando somos surpreendidos constantemente com o uso inesperado do Joy-Con. A gente já sabia como os controlinhos do Switch eram impressionantes, mas é aqui que vemos como eles são capazes de irem muito além do óbvio e criar situações e momentos que são impossíveis de serem replicados em qualquer outra plataforma.

Mais do que um Mario ou um Zelda, Move It! é um jogo que só pode existir no Switch. Ainda que isso represente algumas limitações, é um lembrete poderoso do porquê a Nintendo é o que é. Sem medo de rir de si mesmo, o jogo nos lembra a real vocação dos videogames, que é divertir tanto quem joga quanto quem assiste.

A vizinhança que me perdoe, mas é bom demais ser ridículo assim.