Preview Forspoken | Ainda falta muito para impressionar

Preview Forspoken | Ainda falta muito para impressionar

Por Felipe Goldenboy | Editado por Bruna Penilhas | 13 de Dezembro de 2021 às 11h00
Divulgação/Square Enix

Imagine uma pessoa solitária e sem perspectiva de futuro que, de repente, é transportada para um mundo misterioso e ganha super poderes. Seu objetivo agora é voltar para casa, mas, para isso, ela terá que enfrentar inimigos poderosos e descobrir mais sobre si mesma.

Soa clichê, não é? Eu tenho a impressão de que já assisti a inúmeros filmes, desenhos e animes com essa mesma pegada. Prepare-se para assistir tudo de novo, porque essa é a premissa de Forspoken, novo jogo do estúdio Luminous Productions (que produziu Final Fantasy XVI) e distribuído pela Square Enix que chega em 24 de maio de 2022 para PlayStation 5 e PC.

A Square Enix convidou o Canaltech para um evento online de prévia de Forspoken. Durante 30 minutos, pudemos assistir a um vídeo pré-gravado e editado com entrevistas com desenvolvedores e roteiristas, além de conferir alguns trechos inéditos de gameplay.

Como ainda não pudemos jogá-lo, nossas opiniões são baseadas apenas no que a empresa nos mostrou. Infelizmente, Forspoken ainda parece genérico e mediano por enquanto. A seguir, contaremos as nossas primeiras impressões do game.

Quem é Frey, a protagonista de Forspoken?

A pessoa que descrevemos acima se chama Frey Holland. Ela é nova-iorquina, prestes a fazer 21 anos e precisa lutar diariamente para sobreviver à solidão, à pobreza e à injustiça. Frey é órfã, tendo como única companhia o seu gato, Homer. Os escritores do jogo, Allison Rymer e Todd Stashwick, dizem que ela “está prestes a ir para a prisão quando a encontramos”. O sonho dela é sair de Nova York, “mas muitas coisas estão no caminho dela, e não é fácil”.

“Frey é muito raivosa”, contou o diretor de performance e captura de movimentos do jogo, Tom Keegan, que já trabalhou em Wolfenstein II: The New Colossus, Star Wars: Battlefront II e Battlefield 1. “O propósito de vida dela sempre foi descobrir quem ela é. Quando você vai fazer 21 anos, você quer descobrir sua própria identidade.” Até que Frey encontra um portal para uma terra misteriosa, chamada Athia. “Ela é confrontada pra saber ‘quem eu sou’”.

Frey é uma jovem negra que mora em Nova York (Foto: Divulgação/Square Enix)

Seu lado defensivo fica ainda mais evidente quando, por algum motivo pelo qual não sabemos ainda, ela vai parar em Athia. As pessoas não a conhecem e nem a entendem — alguns a chamam “demônio”. “Apesar das dificuldades, ela encontra pessoas que a acolhem, algo que ela nunca teve na vida — além do gato Homer, que não fala. É legal ter um amigo”, explica Allisson.

Todas as adversidades fazem com que Frey sempre aja na defensiva, e o único escape desse lado durão é o seu senso de humor. “Ela usa isso como um mecanismo de defesa e para se acalmar”, diz um dos roteiristas, Todd.

De fato, vimos uma Frey muito faladora e piadista: durante o gameplay, do qual falaremos mais adiante, ela está sempre interagindo com Cuff, uma espécie de pulseira falante que a guia durante a exploração. Por exemplo, durante uma batalha, ela fala coisas como “toma essa!”, “assim!” e “muito lento!”; após, ela pergunta ao artefato se ele “estava contando quantas bundas chutamos”. Particularmente, acho esse tipo de diálogo forçado e bestalhão: são coisas que você provavelmente nunca falaria se estivesse em uma batalha, correndo risco de vida.

Toma essa? Meteu essa? (Foto: Divulgação/Square Enix)

Como era um vídeo gravado, não pudemos fazer perguntas. Ainda restam muitas dúvidas, como: por que Frey é transportada para Athia? Ela é especial? Ela foi escolhida por alguém para salvar Athia? Por que Frey, e não qualquer outra pessoa dos mais de 7 bilhões de habitantes do planeta?

Uma curiosidade revelada por Keegan é que a equipe tentou trazer um pouco da personalidade de cada ator para os próprios personagens. “Quando entro em um projeto, eu sempre penso como os temas se relacionam com a minha própria vida, e eu peço para os atores fazerem o mesmo”, disse ele. “Para mim, a história de Forspoken é sobre tribo e família. Nós conversamos sobre as nossas famílias, nossos pais, quando eles estavam lá e quando não estavam…”

Isso ajudou, inclusive, na construção do estilo de caminhar de cada um: para a protagonista, por exemplo, interpretada pela atriz Ella Balinska (As Panteras, 2019), foi escolhido um andar mais leve e urbano.

Como são os cenários de Forspoken? O que é o Break?

Por outro lado, o gameplay e o mundo de Athia parece ser mais complexo e chamativo. No clipe ao qual assistimos, Frey caminha pela cidade de Cipal, um local pacato onde os líderes de Athia costumam se encontrar.

O problema é que a cidade está super populada por refugiados, que deixaram suas casas e cidades-natais por conta de um fenômeno chamado “Break”, que parece ser uma espécie de tempestade de areia que mata ou corrompe tudo o que toca. Por algum motivo, Frey é imune a essa força, e isso chama a atenção não apenas das criaturas inimigas, mas também das governantes de Athia, as Tantas, com visuais que remetem a figuras religiosas.

As Tantas prometem ser as principais vilãs de Forspoken (Foto: Divulgação/Square Enix)

Ao sairmos de Cipal, conhecemos os ambientes destruídos (e bonitos) de Forspoken. Os cenários são amplos, abertos, cheios de esqueletos de construções, rochas e vegetações secas. Tudo parece abandonado, destruído — mas ainda vivo e colorido.

Quando entramos no Break, os cenários ficam embaçados, empoeirados, como se estivéssemos em uma névoa. É difícil enxergar o que está na nossa frente. Ao sairmos dessa tempestade, nossa tela começa a escurecer, como um efeito de vinheta, e as únicas cores vibrantes vêm das vegetações corrompidas ou dos poderes mágicos de Frey.

Vegetação árida parece ser predominante em Forspoken (Foto: Divulgação/Square Enix)

Como é o combate e a exploração de Forspoken?

De modo geral, o combate me soou uma mistura de Final Fantasy XV, produzido pela Luminous, com inFamous. Frey encontra inimigos quando está explorando lugares tomados pelo Break. Eles podem ter tanto formas mais humanoides quanto mais animalescas — afinal, são pessoas ou seres vivos já corrompidos pela força. Os encontros parecem ser frenéticos, com muitos inimigos a serem enfrentados ao mesmo tempo.

Frey pode dominar vários elementos e combiná-los para atacar inimigos (Foto: Divulgação/Square Enix)

A personagem lança feitiços a média e a longa distância, e é possível combinar vários tipos de magia: alguns ficam “salvos” no HUD (elementos que aparecem na tela), mas outros podem ser escolhidos com um menu circular. Nesses momentos, o jogo não é pausado; apenas o tempo é desacelerado. Como de praxe em títulos RPG, os inimigos exibem logo acima de suas cabeças uma barra de vida e quantos pontos eles perdem ao serem atacados.

Os chefões podem fortalecer a tempestade de areia e mudar totalmente as cores do ambiente — embora o visual seja bonito, isso significa que você está em maus lençóis. O chefe que vimos foi o Jabberwock, uma criatura gigantesca que voa, é cheia de tentáculos e tem um olho que solta raios. Quando ele apareceu, o mundo ficou completamente azul, e vários inimigos menores começaram a surgir para atrapalhar a vida de Frey no chão.

Você sabe que a situação complicou quando o céu escurece de repente em Forspoken (Foto: Divulgação/Square Enix)

A exploração também parece ser bem ágil: a personagem pode se movimentar rapidamente com parkour para frente e para os lados, escalar paredes e se jogar a lugares distantes selecionando um ponto âncora (de novo, o tempo desacelera nesse momento). Frey dá piruetas, giros e saltos bem estilosos ao se mexer.

Após uma batalha, os jogadores podem encontrar abrigos para descansar e se preparar. É possível aprimorar habilidades, construir itens, ou simplesmente dormir em camas para recuperar vida.

Por falar em mapa, o jogador pode abri-lo a qualquer momento para visualizar a cidade em 3D e marcar pontos de interesse. O jogo também dispõe de um mapa de feitiços, em que você pode gastar pontos para adquirir novas habilidades, além de mantos e colares que lhe oferecem vantagens únicas. Frey ainda pode fortalecer seus feitiços com as unhas: cada cor e pintura fortalece um tipo de ataque.

Frey pode melhorar ataques utilizando mantos, colares e até as próprias unhas (Foto: Divulgação/Square Enix)

O que achamos de Forspoken até agora?

É difícil responder essa pergunta apenas assistindo a um vídeo de 30 minutos, 15 deles de gameplay. No entanto, Forspoken ainda não impressionou: a personagem não é interessante, a trama parece simplória e o combate parece se basear em um apertar frenético de botões contra hordas de inimigos.

Os cenários estão bonitos, mas basta chegar um pouquinho mais perto em alguns personagens para notar algumas estranhezas nos modelos e nas animações faciais — entretanto, este é um jogo em desenvolvimento, que ainda tem tempo para ajustar detalhes como estes. Estou apostando minhas fichas na trama política de Athia: parece haver algo complexo e macabro por trás das Tantas, as governantes do local.

No entanto, ainda vimos pouco para bater o martelo. Vamos descobrir tudo o que Forspoken tem a oferecer no lançamento, previsto para 24 de maio de 2022, para PlayStation 5 e PC.

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