Prévia | Há defeitos, mas Call of Duty: Modern Warfare é saborosamente tático

Por Rafael Arbulu | 16 de Setembro de 2019 às 11h51

Quando a Activision lançou, em meados de 2007, o icônico Call of Duty: Modern Warfare, ela quase que imediatamente foi alçada à posição de maior third party do mercado gamer — posição essa que ocupa até hoje, de acordo com avaliações de anos fiscais de várias empresas. A Activision é a quarta colocada em um ranking geral, perdendo apenas para Sony, Microsoft e Nintendo, mas essas também produzem consoles.

Desde então, uma das maiores franquias de FPS foi ganhando várias edições, ano após ano, e, infelizmente para a maioria, acabou perdendo-se em meio a tantos lançamentos e spin-offs. Foi em 2019 que a empresa, por meio de seu estúdio proprietário Infinity Ward, resolveu reiniciar a franquia, mas sem esquecer de certas inovações de gameplay que vieram em edições posteriores ao título original.

Eles finalmente (re)acertaram a mão. Ou, pelo menos, estão no caminho para isso. O novo Call of Duty: Modern Warfare remonta à jogabilidade empolgante de outrora, mas sem abandonar recursos inovadores que chegaram apenas muito tempo depois. O beta não é perfeito, obviamente, mas é para isso que testes assim existem, e os bugs — pequenos e raros — que o Canaltech encontrou durante esses últimos quatro dias de jogatina podem sumir facilmente com correções pré-lançamento ou atualizações posteriores.

Logo de início, é possível perceber que a Activision não ambicionava apenas um reboot da série, mas sim criar uma nova experiência de combate focada no multiplayer (recurso pelo qual “CoD” tornou-se um fenômeno global consideravelmente antes dos eSports virarem um mercado bilionário), mas sem aqueles picos desnivelados de dificuldade que zoneavam, em uma mesma partida, iniciantes e veteranos.

De certo, não sou lá muito fã do gênero FPS e, admito, há em mim um certo preconceito contra jogos de tiro online (muito mais pela comunidade em si do que pelo jogo, mas isso já é outro assunto). Mesmo assim, me diverti bastante: antecipava tomar surras atrás de surras, encaixando uma ou outra mortezinha aqui e acolá. Bom, adoro quando um jogo prova que estou errado: não só o nível da coisa é bem equiparado, como alguns recursos do jogo permitem que mesmo os mais inexperientes tenham chances reais de apresentarem um desempenho acima da média.

A movimentação em Modern Warfare é incrivelmente gostosa de acompanhar: não me refiro necessariamente ao combate em si, mas a transposição de obstáculos é fluída, sem nenhum engasgo. Atravessar áreas mais abertas é uma ação extremamente prazerosa. A forma como os dois mapas disponíveis no beta foram criados resulta em uma mistura quase perfeita de facilitador de navegação para jogadores menos iniciados, mas sem tratar como novato o combatente virtual mais experiente.

O resultado disso é uma ambientação mais aberta, em que todos os andares, níveis de terreno e cantos de cobertura, estruturas e edificações — tudo causa uma sensação de imersão e é tratado como parte essencial da progressão tática da sua equipe. É fácil para todos na partida identificar locais que podem ser, ao mesmo tempo, pontos de armadilha e foco de resistência fixa.

A variação tática também merece destaque aqui: o beta conta com os modos clássicos de “time contra time” (em formato 6v6 nos dois primeiros dias do teste, ampliando para 10v10 no terceiro e quarto dias — o modo Ground Wars deve ser aberto nesta semana, com partidas 32v32). Além disso, há modos de domínio total de combate e até um modo de resistência, no qual você e sua equipe devem tomar (e manter) o controle de pontos específicos do mapa. A novidade aqui é o Cyber Attack, com ambos os times lutando para obter um dispositivo eletromagnético que, uma vez reclamado, deve ser instalado e defendido em um servidor na base inimiga.

Captura de Imagem: Rafael Arbulu

Há uma boa variedade de armas e especializações de combate disponíveis para ambos os times, indo do clássico soldado de assalto, passando pelo especialista em demolições, o franco-atirador e o infiltrador. O bom é que, apesar das óbvias diferenças entre uma classe e outra, a mesma estratégia pode se aplicar a todos: é perfeitamente possível você jogar como camper sendo uma tropa de assalto (embora isso seja bem mais fácil como um franco-atirador).

A razão para isso é bem simples de se entender: não dá para escolher apenas uma zona do mapa para agir. Todos os locais de interesse possuem múltiplas entradas e saídas, então aquela janela onde você e seu rifle de longo alcance estão postados pode, rapidamente, ser invadida por dois soldados inimigos que fecham o cerco contra você ou, pior, uma granada errante que você só percebeu chegar quando era tarde demais. Em suma, você deve se manter em movimento o tempo inteiro. Isso ajuda na hora de ajustar estratégia em tempo real.

Captura de Imagem: Rafael Arbulu

Em todos os modos e mapas, porém, isso mostra uma falha perene: as partidas possuem um ritmo tão frenético que, desavisadamente, você acaba entrando na linha de fogo sem ter feito muita coisa. Em uma ocasião de nossas várias partidas, acabei abatido por um oponente, apenas para ser revivido no calor de outra batalha, no meio do mapa. Sem saber o que estava acontecendo, corri e atirei e morri de novo. Isso atrapalha um pouco a sua capacidade de compreender o que se desenrola na tela.

Outra coisa que não gostei foi a ausência de um minimapa padrão. Essa é uma função temporária, adquirida após perder um tempo em uma partida, mas era nessas horas em que o jogo se destacava mais e o conceito de estratégia poderia ser melhor aplicado, com jogadores buscando melhores posicionamentos e criando armadilhas. Quando isso estava ausente, os jogadores se valeriam mais da experiência de outros jogos para montar estratégias emergenciais que, querendo ou não, trocavam a fluidez e engenhosidade da guerrilha por uma cautelosa progressão a passos lentos. De repente, o jogo pode revelar seu brilho mais evidente se um recurso similar for disposto como padrão.

Captura de Imagem: Rafael Arbulu

Resumindo, o beta de Call of Duty: Modern Warfare possui errinhos. Nada que quebre muito o seu ritmo (embora muita gente possa ficar irritada em ver suas killstreaks interrompidas por causa de um deles) e, o que quer que aconteça de falha técnica, é facilmente corrigível e praticamente impossível de se repetir. Entretanto, o jogo está, sim, no caminho certo para retomar a glória de outrora e, mesmo para quem ativamente evita o gênero FPS como um todo — como é o meu caso, salvo pelas vezes em que o trabalho me pede por ele —, essa pode ser uma opção bastante viável para ingressar e se divertir à beça.

Ah, e o beta tem crossplay habilitado: no saguão, antes de começar a partida, um símbolo correspondente à plataforma em que o jogador estiver conectado mostrará se você estará na partida com alguém advindo do PC ou consoles. Como ficamos restritos a uma plataforma em nossos testes (PlayStation 4), não pudemos aferir, porém, se há alguma vantagem ou mesmo diferença de jogabilidade entre consoles e computadores. Esperamos que não: seria bizarro deixar uma experiência tão satisfatória ser minada por algo tão besta.

Call of Duty: Modern Warfare tem lançamento previsto para 25 de outubro de 2019 para PC (Windows), Xbox One e PlayStation 4.

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