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6 obras baseadas em games que superam de lavada adaptações de Hollywood

Por  • Editado por Jones Oliveira | 

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Montagem/Canaltech
Montagem/Canaltech

Por décadas, Hollywood tentou (e muitas vezes falhou miseravelmente) traduzir a magia dos joysticks para as telonas. O resultado costumava ser um combo de roteiros genéricos e descaracterização de personagens que deixava qualquer fã com vontade de dar um rage quit. No entanto, longe dos holofotes dos grandes estúdios de cinema, outras mídias provaram que é possível, sim, respeitar o material original e entregar uma narrativa de primeira.

Seja em animes, livros ou séries para a internet, a qualidade muitas vezes reside na liberdade criativa e no tempo para desenvolver o que realmente importa: a história.

Conheça 6 obras que mostram como se faz uma adaptação de respeito sem precisar de um tapete vermelho em Los Angeles.

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1. Mortal Kombat: Legacy (Websérie)

Antes de os grandes orçamentos voltarem para a franquia, o diretor Kevin Tancharoen mostrou que o segredo estava no realismo sujo e em uma narrativa episódica.

A websérie, que nasceu de um curta independente no YouTube, reimagina a mitologia de Mortal Kombat sob uma lente mais crua e urbana. Em vez de focar apenas em torneios místicos logo de cara, a trama mergulha nas origens de ícones como Scorpion, Sub-Zero e Jax, tratando suas habilidades quase como anomalias em um mundo policial e militarizado.

A recepção foi um fenômeno de visualizações, justamente por entender que o público queria ver a humanidade (ou a falta dela) por trás das Fatalities. O maior trunfo aqui é a coreografia de luta e o tom sombrio que, curiosamente, Hollywood demorou anos para tentar replicar. É o exemplo perfeito de que uma boa ideia e o entendimento do lore valem muito mais do que efeitos especiais caríssimos e mal-acabados.

2. Street Fighter II Victory (Anime)

Enquanto o filme de 1994 com Jean-Claude Van Damme se perdia em uma trama de exército genérica, este anime japonês entregou a jornada de amadurecimento que Ryu e Ken mereciam. A história acompanha os dois amigos viajando pelo mundo para aprimorar suas técnicas de luta após serem derrotados por Guile.

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A série foge da estrutura de "luta da semana" para focar no crescimento psicológico e físico dos protagonistas, culminando no confronto contra a organização Shadaloo.

O público recebeu a obra como um clássico instantâneo, elogiando a forma como personagens secundários, como Chun-Li e até o vilão Bison, ganharam camadas de profundidade.

A animação de Street Fighter consegue equilibrar momentos de contemplação e treinamento com combates viscerais, mantendo o espírito de aventura que o jogo original sugeria, mas que os filmes de cinema raramente conseguiram capturar com a mesma dignidade.

3. Sonic X (Anime)

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Muitos conhecem o ouriço azul pelas recentes investidas cinematográficas, mas foi em Sonic X que a transição do herói para um mundo habitado por humanos foi explorada com uma estética que remetia diretamente à era de ouro dos jogos Sonic Adventure.

A trama transporta Sonic e seus amigos para a Terra após um acidente com o Controle do Caos, onde precisam recuperar as Esmeraldas antes que o Dr. Eggman as use para seus planos de dominação.

Embora o personagem humano Chris Thorndyke seja um ponto de discórdia entre alguns fãs, a série foi amplamente elogiada por adaptar arcos inteiros dos jogos com fidelidade visual e narrativa.

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Para quem cresceu nos anos 2000, o anime é a tradução definitiva da personalidade audaciosa de Sonic, oferecendo um ritmo acelerado e batalhas épicas que fazem as versões de Hollywood parecerem, às vezes, seguras demais.

4. Assassin’s Creed: Renegado (Livro)

Se o filme estrelado por Michael Fassbender deixou um gosto amargo pela falta de conexão emocional, o livro Renegado (ou Forsaken) fez o caminho inverso ao dar voz a um dos personagens mais complexos da franquia.

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Baseado em Assassin’s Creed III, o livro não é apenas uma novelização do jogo, mas o diário de Haytham Kenway. Ele revela a trajetória de um homem dividido entre a Ordem dos Templários e sua herança pessoal, preenchendo lacunas que o game e o cinema sequer ousaram tocar.

A recepção pelos leitores foi extremamente positiva, destacando como a literatura permite um mergulho psicológico que a ação desenfreada das telas ignora. Ao explorar a tragédia familiar dos Kenway sob uma perspectiva introspectiva, a obra prova que a guerra entre Assassinos e Templários funciona muito melhor quando compreendemos os dilemas morais dos envolvidos, em vez de apenas focar em saltos de fé coreografados.

5. Arcane (Animação)

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É difícil falar de adaptações sem citar o padrão de ouro estabelecido pela Riot Games e o estúdio Fortiche. Ambientada no universo de League of Legends, a série de animação Arcane foca na relação conflituosa entre as irmãs Vi e Jinx, enquanto as cidades de Piltover e Zaun entram em colapso devido a desigualdades sociais e avanços mágicos.

A trama é densa, adulta e não exige que o espectador tenha jogado um único minuto do MOBA para se sentir investido nos personagens. O impacto foi global, vencendo Emmys e conquistando 100% de aprovação em diversas plataformas de crítica.

A animação foge do estilo "limpinho" de muitos blockbusters, apostando em uma estética que mistura pintura manual com 3D de forma revolucionária. É uma obra que não apenas supera as adaptações de Hollywood, mas que elevou o patamar do que se espera de uma narrativa audiovisual inspirada em videogames.

6. Cyberpunk: Mercenários (Animação)

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Se o lançamento do jogo Cyberpunk 2077 foi conturbado, a série da Netflix produzida pelo Studio Trigger foi o que salvou a reputação da franquia.

A história de David Martinez, um jovem de rua que decide se tornar um "edgerunner" em Night City, é uma jornada frenética sobre sobrevivência, perda e o custo da humanidade em um mundo hiper-tecnológico. A animação é explosiva, colorida e absolutamente implacável com o coração do espectador.

O público abraçou a série pela sua fidelidade estética à cidade do jogo e pela trilha sonora marcante, mas o que realmente ressoou foi a história de amor e tragédia. Sem as amarras de censura que muitas vezes limitam o cinema comercial, Cyberpunk: Mercenários entregou uma experiência visceral que expandiu o universo de Mike Pondsmith e provou que, no formato certo, Night City é um dos cenários mais fascinantes da ficção moderna.