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Nintendo é acusada de coibir sindicalização e explorar terceirizados

Por| Editado por Bruna Penilhas | 22 de Abril de 2022 às 17h31

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Divulgação/Nintendo
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A Nintendo of America e a empresa de RH terceirizada Aston Carter estão sendo acusadas de dificultar a criação de um sindicato de funcionários. Ambas as empresas estariam tomando “ações coercitivas”, vigiando, retaliando e praticando ações trabalhistas injustas contra trabalhadores.

As informações foram divulgadas primeiramente pelo site Axios, que afirma que a ação foi registrada no National Labor Relations Board (NLBR, ou Conselho Nacional de Relações Trabalhistas em tradução livre), uma agência dos Estados Unidos que fiscaliza o cumprimento de leis trabalhistas.

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As informações sobre o caso são escassas. De acordo com quatro fontes que conversaram com o site Kotaku, um funcionário de meio período — cujo nome não foi divulgado — teria perguntado, em uma reunião de trabalho em fevereiro deste ano, qual a opinião da empresa sobre a sindicalização de funcionários. Ele teria sido demitido após comentar o caso nas redes sociais.

Segundo fontes, porém, o post nas redes sociais do funcionário foi “extremamente vago” e, com base em ações disciplinares que aconteceram no passado, ele deveria ter recebido um aviso, e não ser demitido. Por isso, funcionários acreditam que ele tenha sido “retaliado” por seus questionamentos na reunião de fevereiro.

Em comunicado oficial, a Nintendo declarou o seguinte:

"Estamos cientes da reclamação, apresentada ao Conselho Nacional de Relações Trabalhistas por um funcionário que foi demitido anteriormente pela divulgação de informações confidenciais e por nenhum outro motivo. A Nintendo não tem conhecimento de nenhuma tentativa de sindicalização ou atividade relacionada, e pretende cooperar com a investigação conduzida pelo NLRB.A Nintendo está totalmente comprometida em fornecer um ambiente de trabalho acolhedor e solidário para todos os nossos funcionários e contratados. Levamos as questões empregatícias muito a sério."
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Nintendo prefere contratar terceirizados para não pagar benefícios e salário justo, afirma reportagem

O Kotaku também revelou que a Nintendo costuma manter funcionários temporários em contratos de 11 meses sem qualquer benefício, como plano de saúde. Após o período, eles são obrigados a fazer intervalos de dois meses ou mais. Essa prática é chamada “permatemp”: quando funcionários temporários realizam o trabalho de um funcionário comum, mas sem benefícios ou salário justo. Os funcionários se submetem a esse tipo de contrato com a esperança de serem promovidos após mostrar trabalho.

O texto cita, por exemplo, testadores — pessoas responsáveis por encontrar bugs e glitches nos jogos —, que ganham US$ 16 por hora como temporários. O valor é menor que o salário mínimo pago em Seattle, cidade vizinha de Redmond, onde está localizada a Nintendo of America, e uma das mais caras (e populosas) dos Estados Unidos. Algumas pessoas ganham mais de US$ 20, mas isso é raro, disse um trabalhador em tempo integral. Outra fonte afirmou: “O pagamento em tempo integral é obviamente melhor, mas ainda não é ótimo para os padrões da indústria; é quase como se eles quisessem nos compensar com 'o privilégio de trabalhar para a Nintendo'”.

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Um desses testadores é Jelena Džamonja, funcionária temporária há mais de cinco anos pela agência Parker Staffing. “Há muitas pessoas talentosas que encontram os maiores e piores bugs, que fariam os jogadores surtarem. Eles os encontram e os denunciam, mas não são creditados”, afirmou ela ao Kotaku.

Džamonja cita um episódio de janeiro de 2020, em que ela escorregou e bateu a cabeça enquanto caminhava até o trabalho. Quando ela chegou no escritório da Nintendo, sentiu dificuldades para ler. Por medo de ter tido uma concussão cerebral, ela decidiu ir até à clínica médica do prédio. No entanto, a equipe se recusou a atendê-la porque ela era terceirizada e, portanto, não tinha acesso ao plano de saúde da Nintendo.

Ela pediu que um colega de trabalho, contratado em tempo integral, a levasse até um hospital. Porém, ela teria sido informada que seria contra à política da empresa que seu colega a levasse para fora do escritório. Ela precisou chamar um motorista via Ubere ir sozinha. “Nessa hora, eu estava chorando muito”, relembra. “Eles querem controlar você como se você trabalhasse em tempo integral, mas não querem tratá-lo como um trabalhador em tempo integral”, disse.

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Outros funcionários temporários também relataram que existe uma segregação entre funcionários com “crachá vermelho” (ou seja, contratados pela própria Nintendo) e terceirizados. Apesar de trabalharem em tempo integral, os temporários não têm acesso completo ao prédio, a fim de evitar vazamentos. “Você pode trabalhar ao lado de alguém lado a lado por 20 anos e não ser convidado para o churrasco [da empresa]”, disse um trabalhador.

Džamonja e outras fontes afirmaram à reportagem que amam seu trabalho, porém, não se sentem tratados como iguais. “Se eu trabalhasse em tempo integral, ficaria naquele emprego para sempre”, disse ela. “Sinto que atingi um teto de vidro onde minha opinião não importava mais”. Outra funcionária afirmou: “Eu amo jogos, e alguém precisa mudar essa indústria”.

A Nintendo não se pronunciou sobre a reportagem do Kotaku.

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Fonte: Axios, Kotaku, Polygon