Lost in Random é um divertido jogo que mistura dados, fofura e bizarrices

Lost in Random é um divertido jogo que mistura dados, fofura e bizarrices

Por Guilherme Sommadossi | Editado por Bruna Penilhas | 01 de Setembro de 2021 às 12h00
Divulgação/EA

Imagine que você foi parar em um jogo de tabuleiro, quase como acontece nos filmes Jumanji (1995) e Zatura: Uma Aventura Espacial. Agora, pense que esse lugar é como o mundo de O Estranho Mundo de Jack, Noiva Cadáver e outros clássicos de Tim Burton. Parabéns, você está em Lost in Random, o novo jogo da Zoink Games em parceria com a Electronic Arts.

A convite da EA, o Canaltech teve a oportunidade de testar uma prévia de Lost in Random, no qual exploramos os dois primeiros capítulos do game. Conseguimos testar e descobrir muitos detalhes legais do jogo para compartilhar neste artigo.

Sobre o que se trata

No Reino de Random, o futuro das pessoas é decidido através do lançamento de um dado. Quando completam 12 anos, as crianças tiram a sorte para saber em qual cidade irão morar. Cada local tem seus próprios hábitos e costumes, assim como cidades e países do mundo real. São eles:

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  • Onecroft: a área é a mais decrépita e esquecida dos seis reinos, coberta de lixo descartado dos outros cinco setores. É aqui que a história começa e onde as protagonistas vivem;
  • Two-Town: um lugar de dualidades e personalidades divididas, em que mudam de comportamento com o lançamento dos dados da Rainha. Este reino mágico está em constante transformação e pode ser drasticamente diferente a cada nova manhã;
  • Threedom: esta região está em desordem desde que seu Rei foi assassinado anos atrás, com seus trigêmeos sobreviventes em uma guerra civil interminável de três vias diferentes de governo;
  • Fourburg: construída sobre as ruínas de Four-town, o reino sem lei vive a base de apostas para continuar em funcionamento;
  • Fivetropolis: antes uma terra mítica e poderosa cheia de maravilhas e grandeza, a cidade se transformou em uma sombra de si mesma após a Guerra Sem Dados, semelhante aos outros reinos.
  • Sixtopia: considerado o maior dos reinos, o lugar é conhecido como um paraíso mágico de luxo — é nele que vive a Rainha. No entanto, todos aqueles que entram, de alguma forma, nunca retornam ao seu reino de origem.
A Rainha decidindo o futuro de cada lugar (Imagem: Divulgação/EA)

Neste contexto, as irmãs Even e Odd estão brincando quando são surpreendidas pela chegada da Rainha. É o 12º aniversário de Odd e, mesmo com as duas tentando se esconder, são encontradas e a mais velha é obrigada a lançar seu futuro no dado.

O objeto cai com o seis para cima, definindo seu destino para Sixtopia. Muito abalada com a partida, a caçula Even sonha que a irmã precisa de ajuda e quando acorda, vê um fantasma que quer que ela o siga.

Andando por Onecroft, ela fica encurralada por uma das forças da Rainha, mas não consegue vencê-la com seu simples estilingue. Enquanto Even foge, o simpático dado Dicey desperta do meio dos entulhos e ajuda a protagonista a derrotar o inimigo. É a partir daí que a aventura começa.

Even e Dicey (Imagem: Divulgação/EA)

A relação entre Even e Dicey é divertida e promissora. O objeto vivo é muito carismático, mesmo que só fale em onomatopéias e grunhidos — dá pra dizer que ele é como R2-D2 e outros dróides de Star Wars. O parceiro é a chave para as lutas e desenvolvimento do enredo. Mesmo quadrado, ele faz tudo rolar muito bem.

Um grande jogo de tabuleiro

Para combater os inimigos e melhorar as habilidades, o jogador tem alguns caminhos para percorrer. Nas lutas, Even arremessa Dicey para ver quantos pontos de ataque ela terá. Você deve então escolher entre cartas que dão armas (uma espada, arco, lança e outros), escudos ou poções de cura, armadilhas e feitiços. Cada uma exige um número de ataque (de 1 a 6), então é preciso pensar com cautela qual usar primeiro. Algo bem similar aos RPGs de mesa.

Algumas das cartas existentes no game (Imagem: Divulgação/EA)

Como essa parte depende de uma mecânica de sorte, é preciso ser estrategista também. Isso adiciona mais emoção aos combates, porque você pode, por exemplo, estar em uma situação em que a única opção é partir para cima dos adversários.

Conforme o jogo avança, novos e mais poderosos inimigos vão surgindo (Imagem: Divulgação/EA)

As jogadas não são infinitas. Os inimigos possuem cristais em seus corpos, que devem ser atingidos com o estilingue. Eles derrubam esferas de energia que preparam o jogador para mais uma rodada. A cada arremesso do Dicey, o tempo congela. O jogador pode levar o tempo que precisar, algo que pode tirar um pouco do ritmo dos combates. Esse intervalo poderia ser limitado para instigar um pouco mais a agilidade para tomar decisões.

Voltando a falar das cartas, é possível adquirir outras em um vendedor, com moedas coletadas pelos cenários e após as batalhas. Com isso, o jogador personaliza o deck de cartas conforme desejar, dependendo do seu estilo de jogo. Vale destacar que ele segue a lógica de jogos de cartas, do Truco ao Yu-Gi-Oh!, então a ordem que elas aparecem a cada rodada são aleatórias.

"Eu nasci como um armário e virei vendedor ou quis virar um vendedor e me transformei em um armário?" nem o próprio personagem sabe o que o levou a carreira dos negócios (Imagem: Divulgação/EA)

Um live-action, por favor

Nos capítulos do game, todos os personagens tem muita personalidade e são únicos. Os habitantes de Onecroft, onde o jogo começa, são completamente deprimidos e sem perspectiva. Por viverem cercados de entulho e no local mais desprezado de Random, claramente eles não esbanjam felicidade por aí.

Já em Two-Town, a pluralidade constante de cada um também é um show à parte. Com a simples jogada de dados, os tristes ficam felizes, os amigáveis viram estúpidos e muitos mais. O prefeito do local é o maior exemplo (literalmente). Ele é pacato e cansado, mas sua outra versão, que é maldosa e tem planos terríveis para o reino, lembra bastante o Prefeito da Cidade do Halloween de O Estranho Mundo de Jack (mas sem a cabeça giratória).

Bonitinho, mas ordinário (Imagem: Divulgação/EA)

Pelas vielas, praças e ruas do jogo você encontra os habitantes e pode interagir com eles para saber mais sobre Random, suas histórias e até sobre o lugar onde vivem. Vê-los em uma série ou um filme seria algo estupendo e com um tremendo potencial narrativo.

A ambientação, como é possível perceber nas imagens e no trailer, é mais obscura. Juntando isso com as criaturas peixes, ratos, lobos e afins, o game é quase uma grande aventura de Dia das Bruxas, em que você vai se admirando cada vez mais por tudo que acontece. É um visual que oscila entre o bizarro e nojento, gerando uma união espetacular.

O que esperar de Lost in Random

Como o título do game já sugere, você irá se perder na aleatoriedade dos seis reinos brincando com dados e cartas, enquanto enfrenta criatauras e busca por Odd. A história toma um caminho bem legal, que pode ter um desfecho interessante para a trama das duas irmãs.

Em um evento digital organizado pela EA e acompanhado pelo Canaltech, Klaus Lyngeled e Olov Redmal, desenvolvedores da Zoink Games, disseram que o jogo tem cerca de 12 horas. Esse tempo varia se o jogador prefere explorar e falar com todos os NPCs ou se vai direto para os objetivos. Eles ainda comentaram que foram necessários três anos para desenvolver o game, o que inclui desde as primeiras ideias até a finalização do universo.

Algo sobre o passado de Random pode envolver a trama de Even e Odd (Imagem: Divulgação/EA)

Um fator um pouco decepcionante é que, mesmo que o game conte com diferentes interações e possibilidades de respostas em diálogos importantes, há apenas uma opção de final. No fim, as ações do jogador não importam tanto assim.

Outro ponto é que, infelizmente, o jogo chegará coom localização de textos apenas em inglês (dublagem também), francês, italiano e alemão. Segundo os devs, não há planos de disponibilizar outros idiomas.

Lost in Random será lançado em 10 de setembro para PC (via Origin e Steam), Nintendo Switch, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series X e Series S.

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