Google diz que jogadores poderão acessar para sempre jogos comprados no Stadia

Por Rafael Rodrigues da Silva | 28 de Junho de 2019 às 21h00
Renato Mota/Canaltech
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Um dos mais intrigantes lançamentos dos próximos meses, o Google Stadia promete revolucionar o mercado de games ao utilizar a nuvem para acabar com a necessidade de um console ou PC potente para se jogar, permitindo que qualquer pessoa consiga rodar os últimos lançamentos a partir de qualquer smartphone, navegador de internet ou aparelho de TV.

É um modelo de negócios que mistura assinatura com compras — os usuários poderão pagar US$ 10 por mês para ter acesso ao servidor em nuvem do Stadia, que irá rodar os jogos, mas, para realmente jogá-los, cada título deverá ser comprado em separado, assim como já acontece em qualquer loja virtual. O grande problema do sistema do Stadia é que ele não permite o download dos jogos; eles só podem ser acessados através da nuvem, o que pode gerar alguns inconvenientes.

O principal problema causado por esse tipo de modelo de negócio é: como ficarão os jogadores caso os jogos, por algum motivo ou outro, saiam do serviço? Isso acontece o tempo todo em qualquer loja virtual (de jogos comprados depois não estarem mais disponíveis no catálogo), seja pelo fim da empresa publicadora (como foi o caso da TellTale) ou por brigas pessoais entre o criador e a empresa (como o famoso caso da briga entre a KONAMI e Hideo Kojima, que resultou na retirada de P.T. da loja virtual da PlayStation). Assim, essa é uma preocupação real e válida dos jogadores.

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Em uma entrevista recente para a IGN, Phil Harrison, chefe do Stadia, confirmou que os jogadores não precisam ficar preocupados: mesmo que os jogos sejam retirados do catálogo, aqueles jogadores que já tinham comprado os games continuarão podendo acessá-los para jogar a qualquer momento — algo parecido com o que já é implementado pela Sony e pela Microsoft nas lojas de seus consoles, onde mesmo que um jogo não esteja mais disponível para compra ele ainda constará na biblioteca dos jogadores.

O problema é que, apesar de parecer uma solução fácil, há exceções para essa regra. Isso porque muitas vezes os jogos são retirados das lojas por problemas de direitos autorais, e isso faz com que eles sejam não apenas retirados das lojas, mas sim completamente removidos – inclusive das bibliotecas de quem já comprou o jogo. Um desses casos é o do jogo Demons Age, que por conta de um problema de copyright (uma outra empresa acusou a desenvolvedora do jogo de ter utilizado elementos desenvolvidos por ela sem permissão), foi completamente removido de todas as lojas em que existia, e mesmo os jogadores que haviam pagado pelo jogo o viram sumir de suas bibliotecas.

Outro caso é o de P.T., o playable teaser desenvolvido por Hideo Kojima para anunciar um novo jogo da série Silent Hill, e que foi abandonado após o desenvolvedor se desentender com a Konami e decidir abandonar a empresa. Após a saída de Kojima, a Konami retirou todas as cópias do jogo — então exclusivo para o PlayStation 4 — de circulação, não apenas impedindo novos jogadores de baixar o título como ainda removendo-o das bibliotecas daqueles que o possuíam. O único jeito de continuar acessando o game depois da remoção seria em consoles onde ele já estava instalado, e se o jogo fosse excluído para liberar espaço no HD ele nunca mais poderia ser acessado. Isso acabou criando todo um comércio paralelo, com pessoas vendendo seus PS4 usados pelo dobro do preço de um novo apenas porque tinham P.T. instalado.

Mesmo que Harrison garanta que os jogos comprados sempre poderão ser acessados pelos jogadores, sabemos que a história não é bem assim, e a única forma de ter certeza que se terá acesso a um jogo para sempre, independente do que aconteça com a publicadora dele, é comprá-lo de forma física ou ter o arquivo baixado em algum dispositivo de armazenamento físico.

Assim, é bom os futuros usuários do Stadia ficarem bem atentos a isso, para no futuro não se espantarem se algum jogo simplesmente sumir de sua biblioteca.

Fonte: Android Central

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