Final Fantasy IX faz 20 anos: veja algumas curiosidades sobre o jogo

Por Rafael Arbulu | 07 de Julho de 2020 às 20h30
Tudo sobre

Saiba tudo sobre Playstation

Ficha técnica

Embora não pareça, um jogo ser amplamente lembrado duas décadas depois de seu lançamento original é algo relativamente raro de se ver na indústria. Final Fantasy IX é um feliz exemplo deste caso, completando 20 anos em 2020 em meio a inúmeros outros que, apostamos, você só lembrou depois de ler estas linhas: The Sims, Paper Mario, Perfect Dark. Todos eles são títulos vitoriosos em suas próprias linhas, mas foi a nona produção cronológica da Square Enix quem se destacou naquele ano, se muito porque ela podia dar muito errado.

O contexto era simples, porém dificultoso. Final Fantasy IX foi originalmente anunciado junto de seus sucessores diretos: Final Fantasy X e o online Final Fantasy XI. Não ajudava ainda o fato de que o jogo viria a ser lançado quatro meses depois da chegada do PlayStation 2, mas contemplando apenas o primeiro Playstation. Você seria perdoado se, na ocasião, pensasse que não compensaria pegá-lo já que a geração seguinte estaria praticamente na mesma esquina.

Também pesava contra o fato de que o jogo foi parcialmente - e paralelamente - desenvolvido pelo estúdio que a Square mantinha em Honolulu, no Havaí. Esse mesmo estúdio nos concebeu o detestável longa metragem Final Fantasy: The Spirits Within. Finalmente, desde as primeiras divulgações, a Square Enix deixava claro tratar-se de um jogo de visual cartunesco, efetivamente abandonando o tom obscuro e o protagonismo “meio emo/meio com raiva do mundo” de Cloud Strife e Squall Leonhart por uma pegada jovial, colorida e um personagem canastrão e engenhoso como Zidane Tribal.

Ainda bem que eles seguiram nessa direção.

“O diretor [Hironobu] Sakaguchi queria algo completamente diferente de Final Fantasy VII e Final Fantasy VIII, com uma história e sabor distintos para si próprio. Isso me deixou uma impressão duradoura”, comentou em um post de 2019, no blog oficial da Square Enix, o produtor Shinji Hashimoto. “Tínhamos FF7, que era um mix de steampunk com ficção científica; e FF8, que é uma história que aborda escolas, amor e humanismo em cidades verdadeiramente realistas”.

“Para Final Fantasy IX”, ele continua, “o Sr. Sakaguchi queria voltar à fantasia aventureira de filmes de ação dos seis primeiros títulos da franquia, e são esses os elementos que estão abundantes no jogo”.

Vivi Orunitia, um dos personagens mais criativos e cativantes de Final Fantasy IX (Imagem: Divulgação/Square Enix)

Poucos se deram conta, mas Final Fantasy IX tem inspiração derivada de um filme bem antigo, intitulado The Dark Crystal (O Cristal Encantado, no Brasil), lançado em 1982. Uma das características marcantes do filme é que ele foi divulgado como algo para se assistir em família, mas trazia um tom narrativo mais adulto, pincelando temas de genocídio e conflito de raças.

“Com essa inspiração, nós criamos esse mundo meio literário, imaginário... algo que você veria em um conto de fadas. Queríamos criar um mundo que pudesse ser sonhado por uma criança”, contou no mesmo post o designer Toshiyuki Itahana. “Por isso, fomos capazes de inventar alguns personagens bem interessantes e originais, com formatos atraentes - de toda forma e tamanho. Eu mantive isso em mente a todo tempo enquanto os desenhava”.

A diversidade de personagens trouxe uma série de nomes memoráveis para os fãs da franquia, como Zidane, Garnet, Adelbert e Vivi. No jogo, ainda havia Kuja, o vilão andrógino que queria destruir o mundo (Imagem: Divulgação/Square Enix)

Um outro ponto a favor de Final Fantasy IX foi a sua perspectiva multicultural. Hoje, essa é uma prática comum no mercado, mas, no ano 2000, a Square Enix se posicionou à frente de seu tempo, dividindo o desenvolvimento com a liderança japonesa, a condução ocidental e inserindo na equipe americanos, alemães, franceses e muitas outras pessoas. Isso permitiu que o jogo trouxesse uma ótica mais globalizada, e o que comumente era referido como um título voltado à homenagem gratuita de seus predecessores, acabou ganhando sustento pelas próprias pernas, tornando-se um jogo memorável até hoje.

Não por menos, o jogo figura em posição de destaque em dois rankings distintos elaborados pela equipe do Canaltech, bem como ter ganho um remake com uma repaginada visual em alta definição que também fez muito sucesso nos consoles atuais.

Feliz 20 anos, Final Fantasy IX! E que venham outros 20!

Com informações: The Making of Final Fantasy IX

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.