Estúdio de Metroid Dread é acusado de ser "desorganizado e estressante"

Estúdio de Metroid Dread é acusado de ser "desorganizado e estressante"

Por Guilherme Sommadossi | Editado por Bruna Penilhas | 18 de Outubro de 2021 às 16h03
Captura: Durval Ramos/Canaltech

Depois de reclamações por não aparecerem nos créditos de Metroid Dread, os funcionários MercurySteam denunciaram as condições ruins de trabalho na desenvolvedora espanhola. A informação foi publicada pelo site de videogames local Anait Games, com falas anônimas de profissionais de diversos setores.

Programadores e artistas 3D disseram que enfrentam problemas desde 2020, quando o estúdio estava trabalhando em dois projetos enquanto lidava com a pandemia da covid-19. Enric Álvarez, co-criador da desenvolvedora, gravou um vídeo na época dizendo para os funcionários ficarem tranquilos, pois eles estavam crescendo e haveria espaço para todos. Porém, alguns meses depois, houve uma demissão em massa na área de controle de qualidade, animação e modelagem. Este já era o segundo corte sofrido no estúdio, com o primeiro feito entre maio e junho de 2019. 

(Imagem: Divulgação/Nintendo)

Redução de orçamento pela Nintendo

Entre abril e julho de 2020, a Big N decidiu revisitar o projeto e fez cortes no orçamento, o que gerou remanejamento interno para entregar 120 cenas cinematográficas, impactando os trabalhos de inteligência artificial. Mesmo com esses problemas, um ex-funcionário alega na reportagem que não houve crunch (horas extras abusivas): "A negociação do corte [de 2019] foi feita por um responsável de programação que argumentou com a Nintendo porque não conseguiríamos cumprir os prazos. Não houve tempo porque não fizemos crunch. Este homem foi a barragem de contenção entre nós e a Nintendo. Ele salvou as nossas vidas".

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Ainda nesse contexto, um ex-programador conta que falhas de comunicação e falas contraditórias entre chefes de área e os diretores do jogo deixavam o desenvolvimento de Metroid Dread ainda mais caótico. "Eles punem os trabalhadores que não fazem as coisas como o estúdio quer, é bastante comum e gera muita tensão", aponta.

O "castigo" por isso era uma mudança forçada de projeto, dita como uma espécie de promoção, mas com um aumento salarial menor do que quem entrava em seu lugar. Todos que discutiam e apontavam essas diferenças ainda eram considerados funcionários problemáticos por "tentarem discutir suas condições". Eles ainda destacam a diferença salarial entre funcionários júnior e sênior. O cargo mais baixo ganha anualmente cerca de € 25 mil e o mais alto € 28 mil, cerca de € 2.080 (aproximadamente R$13.320 na cotação atual) e € 2.300 (R$ 14.730) por mês.

Trabalho remoto

Com os desafios da pandemia e o isolamento social, os colaboradores tiveram que entrar em um sistema complexo. Outro ex-funcionário relata que eles receberam um e-mail no final do expediente em uma sexta-feira, 13 de março, sendo informados que haveria um rodízio para o home office e o trabalho presencial.

Neste formato, deveriam cumprir 6 horas no escritório, em Madri, e as demais horas ficariam em uma espécie de banco para serem pagas depois. No entanto, no domingo (15), os donos voltaram atrás e deixaram todos trabalhando de casa, alguns descobriram que isso foi descontado do salário.

Metroid Samus Returns também foi desenvolvido pela MercurySteam (Imagem: Divulgação/Nintendo)

Problemas com o RH

O setor de Recursos Humanos era responsável por lidar com a relação entre os donos e os empregados, mas na prática eles só orientavam que cada um falasse com seu líder. "Eles fizeram uma interpretação supercriativa e subjetiva da legislação. Não me ajudaram com o meu problema, pelo contrário, acabei perdendo um mês de salário, mas não quis insistir", relatou um ex-artista da companhia, dizendo também que outros colegas passaram pela mesma situação.

Outro problema foi durante as eleições estaduais de Madri. Segundo uma ordem publicada no BOE (Boletim Oficial do Estado da Espanha), no dia da votação todo o trabalhador com uma jornada com mais de 6 horas tinha direito a 4 horas para ir e voltar, algo que foi ignorado. "Eles [RH] sabiam, mas nos disseram que o estado de desenvolvimento [do jogo] já levava muito tempo e ninguém precisava tanto para um procedimento tão simples [quanto votar]", diz um ex-programador.

A MercurySteam não se pronunciou sobre as acusações até o momento. 

Fonte: Anait Games, Nintendo Life

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