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De 100 mil a 600 jogadores: entenda o fracasso colossal do shooter Highguard

Por  • Editado por Jones Oliveira | 

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Divulgação/Wildlight Entertainment
Divulgação/Wildlight Entertainment

Em sua coluna na Bloomberg, o jornalista de games Jason Schreier compilou entrevistas e levantamentos sobre a ascensão e queda de Highguard, o hero shooter que deu o que falar em seu anúncio no último The Game Awards e acabou flopando após um aparente sucesso inicial.

Lançado no final de janeiro deste ano, o game juntou até 100.000 jogadores de início em cada plataforma, para, apenas três semanas depois, cair abaixo das centenas. Schreier conversou com 10 ex-funcionários da desenvolvedora responsável, Wildlight, para desvendar a história desse multiplayer, que começa em 2021.

O desenvolvimento de Highguard

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Em um papo com o cofundador e CEO da Wildlight, Dusty Welch, Schreier descobriu que um dos motivos dos ex-funcionários da Respawn, subsidiária da Electronic Arts, se juntarem na nova companhia foi uma nostalgia dos tempos pré-EA, onde havia mais liberdade criativa.

Outra razão não comentada pelo CEO, no entanto, foi uma prometida divisão dos lucros entre os desenvolvedores, que se sentiam excluídos do grande sucesso de Apex Legends, por exemplo.

Com financiamento da Tencent, os programadores da nova companhia queriam fazer um shooter multiplayer, evitando, no entanto, o abarrotado mercado de battle royales. Inspirados em Rust, o plano era criar um game com construção e ataque de bases, o que acabou ficando grande demais para as ambições.

Highguard acabou sendo reduzido em escala e virou um “raid shooter” ainda em 2024, com testes nos anos seguintes levando a equipe a escolher o escopo de 3v3 jogadores.

O plano seria de trabalhar no jogo como serviço, expandindo (inclusive história e lore) e ouvindo feedbacks ao longo do caminho. Apesar de testes iniciais apontando para uma resposta positiva, alguns aspectos ainda precisavam de polimento.

Um exemplo é o fato de que o game era relatado como muito mais divertido com chat de voz e comunicação entre os jogadores: sem isso, a experiência piorava muito. Sem testes de open beta, que funcionaram bem para Arc Raiders e Battlefield 6, o jogo foi mantido em segredo assim como Apex Legends.

A derrocada de Highguard

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A resposta negativa ao anúncio de mais um hero shooter no The Game Awards não desanimou a Wildlight, que esperava que o game “falaria por si mesmo” no lançamento. Apesar de um pico inicial de jogadores, problemas como a jogatina com estranhos sem microfone e mapas enormes, criticados nas resenhas do jogo, deixaram a retenção do público bastante baixa.

Perdendo quase 90% dos jogadores, a equipe ainda tentou lançar um modo 5v5 na correria, que não trouxe os números de volta. A Tencent, que esperava métricas boas, não foi clemente e retirou o financiamento do estúdio, que se viu obrigado a demitir a maior parte dos 100 funcionários em 11 de fevereiro: hoje, menos de 20 desenvolvedores integram a equipe, que faz o que pode para manter o game funcionando.

A verdade, segundo Schreier, é que o mundo dos videogames mudou, e o sucesso de Apex Legends não se repetiria assim tão fácil. Atualmente, na Steam, os jogadores simultâneos do título ficam abaixo de 600, e ex-funcionários afirmam que o problema da Wildlight foi a arrogância de achar que um raio cairia duas vezes no mesmo lugar.

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Highguard não foi exatamente um segundo Concord, mas, ao que tudo indica, não sobreviverá por muito tempo.

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Fonte: Bloomberg