Criadora do Humble Bundle processa Valve e acusa Steam de monopólio

Criadora do Humble Bundle processa Valve e acusa Steam de monopólio

Por Felipe Gugelmin | Editado por Claudio Yuge | 05 de Maio de 2021 às 22h20
Divulgação/Valve

Uma das companhias envolvidas na criação do Humble Bundle em 2010, a Wolfire Games iniciou um processo antitruste contra a Valve, empresa responsável pelo Steam. Segundo a acusação, a plataforma exerce seu poder sobre o mercado de jogos para PC para extrair uma “porcentagem extraordinariamente alta” da maioria das vendas que ajuda a realizar.

Segundo o processo, a maioria dos jogadores de PC está presa nos “efeitos de rede imensos” criados pelo serviço, que tornam bastante difícil fazer a migração para concorrentes como a Epic Games Store, o GOG e o Origin, entre outros. Com isso, o Steam se tornaria um lugar obrigatório para publicadoras e desenvolvedores, que dependeriam de suas estruturas para conseguir ter sucesso.

Imagem: Captura de Tela/Canaltech

O argumento da Wolfire Games é de que o Steam constitui um monopólio e que a taxa de 30% por venda que cobra de cada desenvolvedor torna os preços de operação de um estúdio maiores do que eles seriam em um mercado realmente competitivo. O processo cita a existência de competidores, mas afirma que o domínio do sistema da Valve garante que nenhum deles é capaz de realmente ameaçar os negócios da empresa.

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“A falha dessas companhias em competir significativamente contra a plataforma de jogos Steam mostra que é virtualmente impossível competir em sentido econômico”, afirma o processo. A Wolfire Games também argumenta que, embora seja possível adquirir chaves de games para vendê-las em outras lojas, não somente a Valve estipula limites quanto a isso, mas também cobra taxas para oferecer essa opção aos desenvolvedores.

Valve é acusada de impedir a competição

Outro mecanismo criticado pela Wolfire é a “Regra de Paridade de Preço”, que proíbe que chaves de games acionados na plataforma sejam vendidos por preços diferentes em outros lugares. Segundo a desenvolvedora, isso diminui as chances de que outras lojas consigam trabalhar com valores competitivos o suficiente para atrair novos consumidores.

A empresa também argumenta que a única maneira de evitar essas questões é vender jogos fora do Steam, o que se torna inviável devido ao monopólio exercido pelo serviço. O processo surge em um momento no qual a Microsoft revelou que vai revisar as políticas de suas lojas para ficar com somente 12% do faturamento gerado por jogos publicados nelas, igualando suas políticas às da Epic Game Store.

Embora a plataforma da Valve tenha revisado suas políticas de participação nas receitas em novembro de 2018, na prática a maioria dos desenvolvedores ainda tem que lidar com os 30% tradicionais. Segundo as determinações da empresa, é preciso atingir vendas totais de US$ 10 milhões a US$ 50 milhões para diminuir a taxa para 25%, que chega a 20% quando um game ultrapassa os US$ 50 milhões em vendas, valor restrito a somente uma fatia pequena dos títulos que chegam ao serviço.

Fonte: Ars Technica, Scribd

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