Contratação de Ninja foi um dois pivôs do fim do Mixer, dizem ex-funcionários

Por Wagner Wakka | 30 de Junho de 2020 às 22h45
Tudo sobre

Microsoft

Saiba tudo sobre Microsoft

Ver mais

No último dia 23, a Microsoft anunciou o encerramento do Mixer, sua plataforma na qual influenciadores e jogadores podiam transmitir suas partidas. O fim se deu em acordo com o Facebook Gaming e com a migração de todos os produtores de conteúdo para a rede social de Mark Zuckerberg. Apesar de ser menor no setor de streaming, o encerramento prematuro do Mixer foi inesperado. Afinal, o que levou ao fim do serviço?

O site Business Insider conversou com ex-funcionários e até um dos fundadores da plataforma. Segundo eles, os problemas foram uma mistura de investimento alto em influenciadores, falta de melhoras de infraestrutura e uma cultura tóxica de trabalho.

O Mixer já saiu atrás de seus concorrentes Twitch e YouTube Gaming, os quais começaram muito antes no setor de lives para jogos. “Sabíamos que as nossas chances eram pequenas. A Twitch tinha uma enorme vantagem por sair na frente, e o YouTube, a segunda neste quesito. Eles estavam tentando lançar um ‘minha vez’ em um mercado que já tinha dois grandes players”, informou Matt Salsamendi, um dos fundadores do Mixer.

Com isso, ele aponta que a plataforma teria de enfrentar o que chamou de “problema do ovo e da galinha”. Para conseguir fazer a base de usuários crescer, era preciso influenciadores que movimentassem mais pessoas. Contudo, para que eles fossem influentes dentro do Mixer, era preciso ter uma audiência.

Assim, os funcionários começaram a advogar para investimentos em influenciadores próprios do Mixer, criando um catálogo de streamers atraentes que nascessem do serviço.

Por outro lado, a chefia da empresa acreditava que valia o investimento em contratação de grandes nomes do setor. Eles chegaram a ter até uma palestra em que discutiam contratar Felix Kjellberg, conhecido como PewDiePie e o influenciador com maior número de seguidores do YouTube.

Embora os funcionários fossem contra a movimentação, o Mixer fechou contrato com yler "Ninja" Blevins e Michael "Shroud" Grzesiek, em um investimento de US$ 40 milhões somados.

Segundo dados da própria empresa, contudo, o investimento não trouxe o retorno esperado. Um ano depois da contratação, a audiência total aumento em apenas 2%. De acordo com ex-funcionários, havia pico de audiência quando eles estavam fazendo as lives, mas as pessoas não ficavam na plataforma quando eles estavam offline.

Pane no sistema

Por outro lado, os funcionários também viam pouco investimento em infraestrutura, o que resultada em problemas constantes de queda de servidor. O teime técnico, segundo os entrevistados, estava focado em criar ferramentas de interação do que arrumar os problemas de infraestrutura. Ainda, a companhia não tinha o mesmo investimento nesta parte como os US$ 40 milhões injetados em Ninja e Shroud.

Outro fator que levou ao fim, segundo os entrevistados, foi o gerenciamento por pessoas que não tinham conhecimento da área de games. A Microsoft chegou a demitir Salsamendi, quem criou a plataforma, o que também baixou o moral do grupo.

Os ex-funcionários apontam que chegaram a receber um vídeo do gerente geral do setor, Shilpa Yadla, falando que “não admitira” postura negativa no time. Ele voltou depois que a produção vazou na mídia.

O Mixer deixará de existir no dia 22 de julho e os streamers serão migrados automaticamente para o Facebook Gaming. A Microsoft disse que vai derrubar o app para Xbox One e ainda não informou se o programa será substituído pela plataforma da rede social.

Fonte: Business Insider

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.