Assassin's Creed Origins retorna às origens com grande estilo [Análise]

Por Eduardo Hayashi | 06 de Novembro de 2017 às 13h17

Enquanto Assassin’s Creed e Assassin’s Creed II se configuraram como jogos que influenciaram uma grande leva de jogos de ação e furtividade da época, o mesmo não pode ser dito de suas sequências, que pecaram, de modo geral, pela ausência de novidades e melhorias que justificassem o lançamento de mais jogos da franquia.

Assassin's Creed Origins, tanto em enredo quanto em sua proposta de desenvolvimento, com um hiato incomum de dois anos, tenta deixar os erros do passado de lado e retornar às raízes, em uma espécie de redescoberta do que tornou a série tão única e surpreendente em suas origens. Mas será que a Ubisoft foi capaz de deixar toda a má impressão dos games anteriores e oferecer tudo aquilo que os fãs esperam? É exatamente isso que vamos descobrir nesta análise.

Um pouco sobre o enredo

Conforme o seu próprio título sugere, Assassin’s Creed Origins narra os acontecimentos que culminaram na criação da ordem secreta de assassinos, voltando no tempo para contar uma história ambientada no Antigo Egito, protagonizada por Bayek, um Medjai (antigo militar egípcio) de Siwa, cidade situada ao norte do Antigo Egito.

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A vida pacata do protagonista Bayek e de sua esposa, Aya, é ameaçada quando o casal se depara com uma guerra civil iminente. Para lidar com a situação, ambos começam a assumir o posto de liderança para proteger a liberdade e segurança do povo, e, com isso, se envolvem em uma trama muito maior com os principais líderes da antiga civilização egípcia.

De volta à essência, mas com novidades

Por abordar uma série de eventos que se passam antes de todos os outros jogos da franquia e em uma época na qual a tecnologia era pouco avançada, é esperado que alguns elementos tradicionais sejam deixados de lado, como, por exemplo, a icônica lâmina escondida (hidden blade), bem como muitas coisas que já foram estabelecidas sobre a ordem dos assassinos.

Porém, não são raras as vezes em que é possível perceber que toda a essência de Assassin’s Creed foi respeitada de forma muito competente em Origins. O novo título consegue manter quase tudo o que fez da franquia tão marcante e memorável nos primeiros games, e tudo isso sem deixar de apresentar novidades e mecânicas relevantes não só para os fãs da série, mas também para aqueles que nunca tiveram contato com nenhum dos títulos anteriores.

Uma das primeiras coisas que se pode notar em Assassin’s Creed: Origins é a imensidão do mapa, que consegue ser ainda mais ampla do que Black Flag. A ambientação continua a ser um dos pontos mais fortes da franquia, reproduzindo com fidelidade as inúmeras referências arquitetônicas do Antigo Egito.

Outra mudança significativa do game é que agora é possível explorar quase todas as áreas logo nas primeiras horas de jogatina, uma novidade na série que adiciona uma profundidade a mais para aqueles que curtem exploração.

De forma semelhante a um RPG de mundo aberto, cada região do mapa é delimitada por seções com inimigos de diferentes níveis, sendo esta característica uma ótima oportunidade para que os jogadores mais habilidosos arrisquem combates com exércitos mais poderosos para receber recompensas mais significativas e pontos de experiência adicionais.

E, por falar em pontos de experiência, Assassin’s Creed: Origins traz o sistema de perks com a árvore de habilidades. A partir desta seção, é possível distribuir as pontuações nas categorias guerreiro, vidente e caçador, sendo que cada uma delas se conecta de formas variadas às outras para ampliar ainda mais as possibilidades de movimentação e combate do protagonista.

Há também um novo esquema de loot de itens e equipamentos, em uma proposta muito semelhante a jogos como Destiny e Diablo, em que as armas, armaduras, lanças, arcos e outros tipos de aparatos são classificados por níveis de raridade.

Algo que também faz a diferença neste novo game são os diferentes materiais que podem ser coletados em inimigos mortos ou ao caçar animais pelo cenário. Tais componentes podem ser utilizados para criar suprimentos de combate e para desbloquear melhorias em suas armas e equipamentos.

Combate, furtividade e exploração

Quem conhece Assassin’s Creed provavelmente sabe que os pilares que sustentam a jogabilidade da franquia são o combate e a furtividade. Portanto, para avaliar um título que marca o retorno de tudo o que foi e é fundamental neste gênero é importante levar em conta esses dois elementos.

Nos momentos de combate, o game mostra uma evolução clara em aspectos técnicos, oferecendo uma maior variedade de armas, movimentos ofensivos e defensivos e de características peculiares de cada tipo de inimigo que proporcionam uma gama mais ampla de possibilidades. No entanto, ainda há muitos aspectos que poderiam ser melhorados para melhorar a dinâmica das batalhas e oferecer um feedback mais impactante ao acertar os inimigos em cheio.

Já nos trechos de furtividade, Assassin’s Creed: Origins implementa algumas soluções discretas, porém significativas, fazendo com que o jogador sempre tenha diversas possibilidades de infiltração e de assassinato. Não podemos deixar de mencionar as novas animações de eliminações silenciosas, que não acrescentam muito na jogabilidade, mas certamente agradarão a qualquer fã da série.

O vasto Antigo Egito

No que diz respeito à exploração, o game cumpre muito bem o seu papel, oferecendo as tradicionais montarias e veículos para viajar para pontos muito distantes do mapa, seja optando por carroças, cavalos ou camelos.

Ao entrar em um terreno desconhecido, Bayek precisa cumprir uma quantidade de missões específicas e coletar informações dos habitantes para desbloquear todos os indicadores do mapa, em um sistema bem tradicional entre os games de mundo aberto.

A movimentação do protagonista é um dos pontos que foram refinados em relação aos games anteriores, oferecendo controles fluidos e movimentações mais naturais no melhor estilo parkour, com raros momentos em que as escaladas e saltos não correspondem necessariamente ao que o jogador pretendia executar.

Para melhorar a dinâmica de exploração no mapa gigantesco, a Ubisoft não poupou criatividade ao implementar o esquema de reconhecimento dos locais por meio de uma visão aérea, que, no game, é representado pela águia adestrada Senu. Quando Bayek convoca Senu, a ave é capaz de visualizar todos os arredores, sinalizando todos os pontos de interesse.

Essencialmente, a série Assassin’s Creed é conhecida por apresentar personalidades marcantes e por retratar um contexto histórico de todas as épocas em que cada jogo é ambientado, e, obviamente, em Origins isso também é colocado em destaque. Durante as missões principais você vai interagir com Cleópatra, Júlio César e Ptolemeu XIII, além de conhecer coadjuvantes variados que representam algumas das castas sociais do Antigo Egito.

Por fim, há diversos locais e momentos em que você pode simplesmente deixar as missões cruciais da campanha para curtir a vastidão do Antigo Egito. Tarefas que surgem ocasionalmente, corridas de bigas, arenas de combate e aventuras envolvendo a localização de tesouros valiosos são só alguns exemplos de atividades que estendem consideravelmente o tempo de jogo para aqueles que querem desbravar Assassin’s Creed: Origins em toda a sua totalidade.

Vale a pena?

Assassin’s Creed: Origins é o jogo que certamente vai agradar a todos que esperam ver toda a rica ambientação da série em uma estrutura de jogabilidade que dá muito mais liberdade para a exploração, seja pelos elementos de RPG ou pelo fato de que agora não há limitações de regiões que podem ser visitadas desde os primeiros momentos do game.

A proposta ambiciosa da Ubisoft em utilizar mecânicas novas sem abandonar o que Assassin’s Creed construiu ao longo dos anos é admirável, e isso provavelmente é tudo aquilo que os fãs estavam esperando desde o segundo e aclamado jogo da franquia. Todavia, nada vem sem um custo. Bugs ocasionais, falta de profundidade em algumas missões opcionais e a sensação de que o combate poderia ter um pouco mais de polimento são bons exemplos disso.

Todavia, Assassin’s Creed: Origins é a evidência mais concreta de que a franquia continua mais viva do que nunca, e também de que a Ubisoft está mais do que disposta a corrigir os erros do passado e extrair conceitos e mecânicas de outros jogos influentes desta geração para aproveitar todo o potencial que a série Assassin’s Creed possui.

Assassin's Creed Origins foi analisado no PlayStation 4 com cópia digital gentilmente cedida ao Canaltech pela Ubisoft.

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