10 jogos inesquecíveis do Master System

Por Rafael Rodrigues da Silva | 09 de Outubro de 2019 às 13h16
WarpZone

Neste ano, comemoramos os 30 anos do lançamento do Master System aqui no Brasil, o console que foi um dos primeiros lançados de forma oficial no país. Quem tem mais de 30 anos certamente deve se lembrar do Master System como “aquele videogame que a sua mãe comprou porque dava para pagar no crediário e que você gostou na hora que ganhou, mas que na verdade o que você queria mesmo era um NES e essa pequena decepção é algo que você carrega para toda a vida”, mas essa é uma lembrança um tanto injusta do console, que teve alguns jogos realmente bons — e, diria mais, até melhores do que os do console mais famosinho da Nintendo.

Por isso, juntamos aqui 10 jogos inesquecíveis do Master System para mexer com a sua nostalgia e te lembrar porque o console da SEGA (e da TecToy) foi tão importante na infância de muita gente.

1. California Games

Mais de uma década antes de 2Xtreme e Tony Hawk’s Pro Skater levar toda uma cultura de “esportes radicais para adolescentes descolados” aos videogames, California Games já havia nos mostrado como um jogo baseado em esportes não-coletivos pode ser extremamente divertido.

Com quatro modalidades de “esportes radicais que sua mãe te deixaria tentar antes de completar 18 anos” (skate, surfe, BMX e patins) e mais duas modalidades de “coisas que pessoas em crise de meia idade fazem no parque aos domingos para provar a si mesmo que ainda são jovens" (no caso, embaixadinhas e arremesso de frisbee), California Games foi o jogo que nos deu o primeiro gostinho de toda uma cultura de rebeldia adolescente baseada em esportes que explodiu nos anos 90 — além de nos ensinar os perigos de se jogar lixo no chão.

2. After Burner

Com o enorme sucesso do filme Top Gun, a única coisa que todo mundo queria fazer na vida no fim da década de 80 era vestir um Ray-Ban aviador, colocar um Best Of da banda Berlin para tocar no rádio e pilotar um F-14 Tomcat. E, ainda que After Burner só permitisse uma dessas coisas, ao menos era a única delas que você não iria achar no bazar beneficente da igreja do seu bairro, então tudo certo.

Seu objetivo no jogo era pilotar um F-14 Tomcat e atirar em tudo o que se movia até passar todas as fases. Os gráficos eram incrivelmente bem feitos para o padrão da época, e a ideia de você começar e terminar as fases em um porta-aviões fazia com que muita gente achasse que se tratava mesmo de um jogo baseado em Top Gun — e, se já existisse internet naquela época, com certeza teríamos petições online pedindo por uma fase bônus de vôlei de praia.

3. Alex Kidd in Miracle World

Antes da criação do Sonic, o personagem-símbolo da Sega era Alex Kidd. Criado para competir diretamente com o Mario da Nintendo, os jogos de Alex Kidd apresentavam diversos elementos de gameplay que eram parecidos com os de Mario Bros, mas muitas vezes de forma ainda mais criativa.

E isso pode ser visto claramente em Alex Kidd in Miracle World, o jogo mais conhecido do personagem e que, para diversos críticos, é até melhor do que Mario Bros. Mas, como o Master System não era um console muito popular, Miracle World acabou se tornando um título meio “cult”, daqueles que eram extremamente elogiados pela crítica, mas que quase ninguém jogou.

4. Sonic the Hedgehog

Depois de tentar (e falhar) em competir com a Nintendo usando Alex Kidd, a Sega percebeu que não derrotaria a Big N lutando no mesmo ringue que ela. Seria preciso criar algo novo, que apelasse para uma nova juventude que estava surgindo na virada da década de 80 para 90.

E foi assim que surgiu o Sonic. O personagem era tudo aquilo que o Mario não era: rápido, descolado, radical. Enquanto o Mario te lembrava do seu tio que cuida da churrasqueira e te pergunta das namoradinhas, o Sonic era o cara legal da escola que iria te levar na festa dos adultos, te oferecer um copo de cerveja, começar o canto de “vira! vira!” enquanto você tentava segurar a respiração e cedia à pressão social para beber a garrafa toda, e o primeiro a dar risada quando você corresse para o banheiro pensando em todas as escolhas erradas que fez na sua vida, pronto para passar as próximas duas horas vomitando e prometendo que nunca mais faria aquilo de novo. E o fato do jogo dele ser bom de verdade também foi de alguma ajuda.

5. Sapo Xulé o Mestre do Kung Fu

Existem algumas coisas no mundo dos videogames que são típicas do Brasil, como a modificação de jogos que os tornam algo diferente — e, muitas vezes, melhor. Nesse quesito, podemos dizer que o Master System e a TecToy são os pais do Bomba Patch e do GTA Dragon Ball Z.

Sapo Xulé o Mestre do Kung Fu é apenas um dos vários jogos modificados do Master System que só existem aqui no Brasil. A base é a mesma de Kung Fu Kid, mas, ao invés do carateca genérico, você controla o Sapo Xulé — um famoso personagem infantil brasileiro da década de 80 que usa um quimono e precisa derrotar uma invasão de demônios com seus chutes. Porque, como todo mundo sabe, o pior pesadelo de qualquer demônio é um sapo que não lava o pé.

6. Chapolin vs Drácula

Outro exemplo de jogo que mostra como o Master System brasileiro era muito mais genial do que o do resto do mundo é Chapolin x Drácula. Enquanto o mundo todo jogava Ghost House, onde um molecote genérico precisava resgatar a família do Conde Drácula, só no Brasil pudemos curtir a versão melhorada do jogo — como sempre, o mundo não contava com a nossa astúcia.

Em Chapolin x Drácula você assume o comando do Chapolin Colorado e, com a ajuda de sua Marreta Biônica, precisa derrotar o maior vampiro de todos os tempos… tá, tudo bem, o jogo continua tão repetitivo e chato quanto o original, mas um jogo que tem o Chapolin enfrentando o Conde Drácula não precisa nem ser bom por si só, pois só a existência desse conceito já é o suficiente para torná-lo inesquecível.

7. Mônica no Castelo do Dragão

E, finalmente, chegamos ao auge do Master System, com a melhor modificação de um jogo gringo já feita em território nacional. Ainda que Wonder Boy in Monster Land seja criticamente considerado como um dos melhores jogos do console 8 bits da SEGA, a versão brasileira o torna ainda melhor ao inserir os personagens da Turma da Mônica.

Armada de seu fiel coelho Sansão, a Mônica precisará enfrentar os perigos de um mundo de fantasia medieval para salvar seus amigos de — você não vai acreditar! — um dragão. Aposto que por essa você não esperava!

8. Phantasy Star

E chegamos ao RPG obrigatório desta lista, para a surpresa de absolutamente ninguém. Phantasy Star não está aqui apenas por ser um dos pouquíssimos RPGs “raiz” existentes no Master System (ainda que isso ajude), mas também porque o primeiro título da franquia é um dos jogos mais inovadores do gênero.

O game não apenas tinha gráficos e som muito superiores a outros RPGs da época (como os primeiros Dragon Quest e Final Fantasy), como também foi o primeiro a criar uma história futurista que se passa no espaço (ao invés da fantasia medieval comum ao gênero), o primeiro a apresentar personagens que não fossem humanos (nos outros jogos do gênero, todos aqueles que não eram humanos eram monstros) e o primeiro a utilizar uma protagonista feminina. Phantasy Star também foi o primeiro RPG a ser lançado no Brasil totalmente traduzido em português e contribuiu diretamente para a criação de toda uma geração de fãs do gênero no país.

9. Batman Returns

Jogos de super-heróis não eram tão comuns na época do Master System e muitas vezes eram lançados para acompanhar o lançamento de um filme. É o caso de Batman Returns, lançado em 1992 e inspirado no filme de mesmo nome.

Uma das características mais marcantes do game era a sua dificuldade, pois qualquer golpe era o suficiente para matar o jogador. Assim, muitos consideravam Batman Returns tão difícil e complexo quanto Ghouls‘n Ghosts, só que nunca teve o mesmo reconhecimento — algo que parece ser uma sina dos jogos do console.

10. Castle of Illusion

Quando falamos de Castle of Illusion todo mundo lembra automaticamente do jogo do Mega Drive, mas se você acha que é o mesmo jogo, achou errado! Apesar de terem o mesmo nome, o jogo do Master System (que foi lançado depois do Mega) não é um port, mas um título totalmente diferente.

Em muitos fatores, o jogo do Master é até melhor do que a versão do Mega, pois possui muito mais puzzles e uma curva de dificuldade mais justa, mas é mais uma das histórias estranhas do videogame, pois apesar de ter sido o jogo de Master System mais vendido no Brasil, todo mundo só lembra da versão para o Mega Drive. Mas, pela lei transitória, esse título se torna inesquecível pelo fato de todo mundo lembrar com carinho da versão do outra versão e achar que esse é um port. Todo mundo, claro, está errado, e Castle of Illusion do Master é a melhor versão do jogo, mas às vezes você deve engolir o seu orgulho para garantir um lugar na história.

Menção honrosa - Play Game

Como um dos primeiros videogames com lançamento oficial no Brasil, a TecToy se esforçou demais para transformar o Master System em um sucesso no país, e o melhor desses esforços de marketing com certeza foi o Play Game, um programa de TV criado pela empresa e apresentado por Gugu Liberato.

Nesse programa, um menino e uma menina competiam respondendo a perguntas sobre videogame e, no fim, eles “entravam” na TV e se tornavam personagens de um jogo. Claro, tudo não passava de um chroma key zoado, mas o programa utilizava jogos de sucesso do Master (como Alex Kidd in the Miracle World e Batman Returns) e, de uma maneira um tanto quanto literal, iniciou todo o papo de “imersão” proporcionada por um jogo. Além disso, o programa também cria o argumento de que podemos considerar o Gugu como o primeiro streamer gamer do Brasil, e eu morrerei defendendo essa tese com todas as minhas forças.

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