Óculos inteligentes ajudam pessoas com deficiência visual a enxergar melhor

Por Redação | 06 de Agosto de 2014 às 09h05
photo_camera Divulgação

Atualmente, cerca de 246 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de perda moderada ou severa de visão, a chamada "visão residual", segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). No entanto, muitas dessas pessoas não podem ter a capacidade visual corrigida através de procedimentos cirúgicos, nem mesmo por óculos tradicionais ou lentes de contato. Então, o que fazer para devolver parte da visão a esses pacientes?

A solução pode estar em uma tecnologia desenvolvida pelo dr. Stephen Hicks, da Universidade de Oxford, na Inglaterra. Ele e sua equipe de cientistas criaram um protótipo de óculos inteligentes que ajudam pessoas com a visão muito limitada a enxergar melhor. A invenção, que é uma parceria entre a universidade britânica e o Real Instituto Nacional de Cegos (RNIB, na sigla em inglês), rendeu a Hicks o prêmio Brian Mercer na categoria inovação em 2013, além de um prêmio de 500.000 libras no Google Impact Challenge 2014, uma competição de caridade organizada pela gigante das buscas.

É importante destacar que os óculos não repõem a perda da visão, mas permitem que deficientes visuais consigam ter uma percepção muito mais apurada das coisas que estão ao seu redor. Segundo a BBC, o acessório é equipado com uma câmera tridimensional com infravermelho, um pequeno computador de mão e um software. Funciona assim: a câmera, obviamente, capta as imagens do mundo exterior e as enviam ao PC portátil, que por sua vez processa o conteúdo em tempo real nas lentes, tornando-o mais nítido com a ajuda do sistema embarcado no gadget.

As imagens são geradas de acordo com a capacidade da visão de cada pessoa em capturar ou interpretar tons de cinza. Por exemplo, os óculos podem tornar os objetos mais claros contra o fundo, ou a distância de um obstáculo mais adiante pode ser indicada variando o brilho da imagem. Em alguns casos de pacientes com visão próxima à cegueira, o acessório permite que eles possam ver pela primeira vez os seus cães-guia e reconhecer melhor objetos e pessoas no caminho.

Hicks explica que a ideia dos óculos inteligentes é justamente essa: fazer com que os deficientes visuais consigam enxergar obstáculos para evitar tropeços e, consequentemente, lhes dar mais independência, liberdade e autoconfiança. "Acho que isto pode ser incrivelmente importante. Pelo que vimos até agora, [os óculos] podem oferecer mais independência a pessoas com visão parcial para que possam sair e levar uma vida normal", comentou.

Por enquanto, os óculos ainda estão em fase de desenvolvimento, mas os pesquisadores planejam distribuir até o final deste ano um lote com 100 aparelhos para pessoas cegas ou parcialmente cegas. Além disso, todo o dinheiro ganho em premiações será usado para aprimorar o acessório e torná-lo um produto comercial, principalmente nos quesitos preço e design - afinal, embora seja inovador, o gadget ainda está longe da praticidade oferecida por outros dispositivos da categoria, como o Google Glass.

A previsão é de que o primeiro modelo comercialmente viável dos óculos cheguem ao mercado em 2016 custando o preço de um telefone celular. No vídeo abaixo, Hicks e sua equipe mostram um pouco do funcionamento do acessório. Assista:

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